O caso Freeport


Pedro Correia,

 

Hoje apetece-me sublinhar o óbvio. Aqui vai.

– O caso Freeport, envolvendo o nome de um primeiro-ministro em funções, tem o máximo interesse jornalístico em Portugal. Aliás, teria interesse jornalístico em qualquer parte do mundo. Refiro-me ao mundo democrático, como é evidente: em ditadura, só o fausto do ditador tem relevância noticiosa.

– O caso Freeport só ganhou relevância devido à investigação jornalística, que não acompanhou o ritmo da justiça. Se os órgãos de informação acompanhassem o ritmo da justiça, aliás, não haveria caso Freeport nenhum: a investigação esteve parada durante quatro anos por manifesto desinteresse do Ministério Público.

– O caso Freeport não se confina às fronteiras portuguesas: ganha uma dimensão internacional ao ser investigado em paralelo pelas autoridades judiciárias britânicas, que naturalmente não estão sujeitas a qualquer ‘critério de conveniência’ português, de índole política ou qualquer outra.

– O caso Freeport tem suscitado diversos outros casos, reveladores do estado da nossa justiça, nomeadamente quanto à suspeição sobre eventuais pressões do representante português no Eurojust sobre os dois procuradores responsáveis pela investigação. Se essas pressões se confirmarem, estaremos perante um facto de indiscutível gravidade e óbvia relevância jornalística.

– O caso Freeport não belisca a presunção de inocência de José Sócrates, aliás consagrada na Constituição da República. Mas exige um esclarecimento cabal do actual primeiro-ministro para que todas as dúvidas fiquem dissipadas. Assim o reclamam a lei, a ética política e os cidadãos portugueses, que num sistema democrático como o nosso têm o direito – e o acrescido dever – de exigir transparência aos titulares de cargos públicos.

9 comentários em “O caso Freeport”

  1. Veja mas é se ao licenciado Sócrates lhe apetece pôr-lhe hoje um grandecíssimo pprocesso, coisa em que será estimulado pela sua (dele) namorada.

  2. Dos teus cinco pontos, o quarto ponto configura, a meu ver, uma espécie de caso Freeport 2: se tiver havido pressões na área da Justiça em que o poder político seria capaz de ter a tentação de interferir, então será legítimo interrogarmo-nos sobre quaisquer outras pressões no passado, em quantos processos arquivados e com que interessados intervenientes.

    É grave manter a suspeita sobre este caso Freeport 2, mas ela irá subsistir até que seja rapidamente esclarecida. E sem margem que alimente dúvidas persistentes.

    1. “Rapidamente esclarecida”

      Acredita mesmo que haja uma possibilidade, mesmo que mínima, de isso acontecer?!

  3. Caro Pedro:

    Brilhante análise. Eu só volto a perguntar uma simples coisa:
    O Sr. PM, num dos esclarecimentos que fez ao país disse que através de um pedido do tio, recebeu ou teve uma reunião com os interessados (promotores) onde estes denunciaram as pressões (já estavam na moda) a que estavam a ser sugeitos por interpostas pessoas
    para pagarem luvas para aprovação do projecto.
    Sendo assim e sendo Ministro qual o motivo porque não denunciou tal situação á PGR?
    Este esclarecimento continuo eu a aguardar, mas pelos vistos até agora nada e com isto não estou a dizer ou insinuar que o PM é corrupto mas como cidadão gostaria de ser esclarecido.
    Um abraço Pedro.

  4. Bem podemos esperar sentados por qualquer esclarecimento digno desse nome por parte do sr. José Sócrates sobre as sucessivas embrulhadas em que aparece envolvido.
    Mas convém estarmos alerta para as queixas-crimes de quem se recusa a ser confundido com a Cicciolina…

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