O Cancelamento dos “Cinco” de Enid Blyton


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Finalmente começaram a ser retirados de circulação os exemplares da colecção “As Aventuras dos Cinco”, literatura infanto-juvenil de Enid Blyton, agora – tão tardiamente – considerada inapropriada.

 

Apesar da popularidade das obras e da tendência de se valorizar aquilo que aproxima a juventude da leitura, não deixo de me congratular com este cancelamento de “Os Cinco”. Pois trata-se de um insidioso proselitismo do modo de estar lesbiano, subrepticiamente inculcado às petizas através daquela Zé, dita “maria-rapaz”, ainda para mais em despropositadas derivas inter-raciais, por via das intervenções da sua peculiar amiga “ciganita”, tão a ela similar, sósia mesmo…

19 comentários em “O Cancelamento dos “Cinco” de Enid Blyton”

  1. Porca miseria! Cresci com os 5 e apesar da linguagem ofensiva e datada, estou bem e tolerante. Isto e’ a versao higienizada da queima de livros. Ou do lapis azul la dos tempos…,

    1. Nós podemos rir (como não?) mas de facto isto está a grassar. Certo que mais nos países anglófonos (é a refracção do molde secularista, a consagração dos direitos às específicas crenças e sensibilidades das “comunidades”, há séculos religiosas agora “identitárias”, estipuladas por cores de epiderme e modos orgásticos) que se dissemina mas – por via das influências televisivas e dos “comentadores” “activistas” isto ainda cá chegará…

  2. Os livros, e não só, proibidos foram sempre os mais apetecidos. Talvez assim, através do mercado negro e do açambarcamento, se valorize a obra intemporal de Enid Blyton.
    Gandas bestas.

    1. O que é mais incrível – e denota o cariz meramente demagógico e também revanchista disto – é que a literatura infanto-juvenil é das menos intemporais. Eu não acredito que as obras de Blyton (em particular estas cândidas “aventuras” dos 5, 7, colégio etc.) tenham o impacto na criançada de agora que tiveram em gerações precedentes.

  3. Tenho vindo a oferecer à minha neta as As Novas Aventuras dos Mini 5. Têm os mesmos personagens, sim mas não têm nada a ver com os livros originais. São mais finos, porque têm menos de metade das páginas, são engraçados, estão actualizados às presentes convenções, mas nem tudo é mau, já consegui que lesse 10 livrinhos.
    Para não enjoar, comprei-lhe os 3 primeiros das Gêmeas no Colégio de Santa Clara. Se calhar em gostar de lê-los, vou fazendo a colecção. Creio que tenho uma caixa com a colecção original dos 5 que estava em casa da minha mãe. Faz-me sentir menos defraudada do que o resto do mundo.

    1. Pois, como eu respondi ao Paulo Sousa, julgo que as obras originais não terão o mesmo apelo para a criançada de agora – é mais do que normal que surjam sequelas adaptadas, como bem diz, às convenções (e às imaginações) actuais.

  4. Ainda não cancelinaram toda a literatura greco-latina apenas por serem absolutamente ignorantes. Aos Cinco e aos Sete leram-nos,adolescentes,entusiasmaram-se e agora raivejam pudibundas.Sonhariam talvez com aventuras em Lesbos,Safo tomando-as como escravas e declarando-se-lhes em verso,assim o houvessem sabido.
    Talvez a crassidão emergente poupe tesouros,por isso mesmo.

    1. Eu não estou a chorar mas decerto que a seus olhos muito terei contribuído. Eu e todos nós outros, vis “marxistas” (que para si não escapa nem um a esse epíteto)

  5. A Zé era de facto o protótipo da mulher macho.Ela tinha feições femininas e era masculina. Vejo muito de Zé nas mulheres de cinquenta e sessenta anos de hoje. Graças a Deus fui uma sobrevivente e das poucas do meu tempo a casar com um metalúrgico da Lisnave.

  6. A maldade está em quem lê. Interessa se a Zé é lésbica? Ela é a companheira de aventura. E o rapaz “moreno” que passou a “bronzeado” é ridículo. A “menina negra” será que vai passar a ser a “loiraça” . É menos sexista ou xenófobo? Se todos somos diferentes, porque não respeitar essas diferenças. Elas existem e não vão desaparecer por erradicar dos livros juvenis. Que exemplo estamos a dar….

  7. A acção propagandística do Sr. JPT faz aqui uma apologia para a implementação da censura em Portugal, também os nazis o fizeram, tendo organizado a queima de livros em imensas cidades entre 10 de maio e 21 de junho de 1933.
    “Onde se queimam livros, pessoas também acabarão sendo queimadas”. A frase foi escrita em 1820 por Henrich Heine, em sua peça Almansor e fácilmente se adapta ao que está a acontecer. Fez sentido mais de um século depois, durante o nazismo, quando livros foram queimados na Alemanha. E faz todo o sentido ainda hoje.

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