
Finalmente começaram a ser retirados de circulação os exemplares da colecção “As Aventuras dos Cinco”, literatura infanto-juvenil de Enid Blyton, agora – tão tardiamente – considerada inapropriada.
Apesar da popularidade das obras e da tendência de se valorizar aquilo que aproxima a juventude da leitura, não deixo de me congratular com este cancelamento de “Os Cinco”. Pois trata-se de um insidioso proselitismo do modo de estar lesbiano, subrepticiamente inculcado às petizas através daquela Zé, dita “maria-rapaz”, ainda para mais em despropositadas derivas inter-raciais, por via das intervenções da sua peculiar amiga “ciganita”, tão a ela similar, sósia mesmo…

Se gosta desses livros, compre-os.
Compraram-mos, há um bom de décadas. Ainda assim obrigado pelo conselho.
Porca miseria! Cresci com os 5 e apesar da linguagem ofensiva e datada, estou bem e tolerante. Isto e’ a versao higienizada da queima de livros. Ou do lapis azul la dos tempos…,
Nós podemos rir (como não?) mas de facto isto está a grassar. Certo que mais nos países anglófonos (é a refracção do molde secularista, a consagração dos direitos às específicas crenças e sensibilidades das “comunidades”, há séculos religiosas agora “identitárias”, estipuladas por cores de epiderme e modos orgásticos) que se dissemina mas – por via das influências televisivas e dos “comentadores” “activistas” isto ainda cá chegará…
Os livros, e não só, proibidos foram sempre os mais apetecidos. Talvez assim, através do mercado negro e do açambarcamento, se valorize a obra intemporal de Enid Blyton.
Gandas bestas.
O que é mais incrível – e denota o cariz meramente demagógico e também revanchista disto – é que a literatura infanto-juvenil é das menos intemporais. Eu não acredito que as obras de Blyton (em particular estas cândidas “aventuras” dos 5, 7, colégio etc.) tenham o impacto na criançada de agora que tiveram em gerações precedentes.
Tenho vindo a oferecer à minha neta as As Novas Aventuras dos Mini 5. Têm os mesmos personagens, sim mas não têm nada a ver com os livros originais. São mais finos, porque têm menos de metade das páginas, são engraçados, estão actualizados às presentes convenções, mas nem tudo é mau, já consegui que lesse 10 livrinhos.
Para não enjoar, comprei-lhe os 3 primeiros das Gêmeas no Colégio de Santa Clara. Se calhar em gostar de lê-los, vou fazendo a colecção. Creio que tenho uma caixa com a colecção original dos 5 que estava em casa da minha mãe. Faz-me sentir menos defraudada do que o resto do mundo.
Pois, como eu respondi ao Paulo Sousa, julgo que as obras originais não terão o mesmo apelo para a criançada de agora – é mais do que normal que surjam sequelas adaptadas, como bem diz, às convenções (e às imaginações) actuais.
A estupidez humana não tem realmente limites, eis mais uma prova.
E vai garbosa e ufana…
Ainda não cancelinaram toda a literatura greco-latina apenas por serem absolutamente ignorantes. Aos Cinco e aos Sete leram-nos,adolescentes,entusiasmaram-se e agora raivejam pudibundas.Sonhariam talvez com aventuras em Lesbos,Safo tomando-as como escravas e declarando-se-lhes em verso,assim o houvessem sabido.
Talvez a crassidão emergente poupe tesouros,por isso mesmo.
“cancelinaram” está muito boa…
Cancelins,os chatos dos chatos.Não sei se ainda soube,os séculos passam.
Agora choram depois de terem contribuido para isto.
Eu não estou a chorar mas decerto que a seus olhos muito terei contribuído. Eu e todos nós outros, vis “marxistas” (que para si não escapa nem um a esse epíteto)
A Zé era de facto o protótipo da mulher macho.Ela tinha feições femininas e era masculina. Vejo muito de Zé nas mulheres de cinquenta e sessenta anos de hoje. Graças a Deus fui uma sobrevivente e das poucas do meu tempo a casar com um metalúrgico da Lisnave.
A maldade está em quem lê. Interessa se a Zé é lésbica? Ela é a companheira de aventura. E o rapaz “moreno” que passou a “bronzeado” é ridículo. A “menina negra” será que vai passar a ser a “loiraça” . É menos sexista ou xenófobo? Se todos somos diferentes, porque não respeitar essas diferenças. Elas existem e não vão desaparecer por erradicar dos livros juvenis. Que exemplo estamos a dar….
A acção propagandística do Sr. JPT faz aqui uma apologia para a implementação da censura em Portugal, também os nazis o fizeram, tendo organizado a queima de livros em imensas cidades entre 10 de maio e 21 de junho de 1933.
“Onde se queimam livros, pessoas também acabarão sendo queimadas”. A frase foi escrita em 1820 por Henrich Heine, em sua peça Almansor e fácilmente se adapta ao que está a acontecer. Fez sentido mais de um século depois, durante o nazismo, quando livros foram queimados na Alemanha. E faz todo o sentido ainda hoje.
Ó homem