Guterres


José Meireles Graça,

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A julgar pela fotografia, não é uma escultura, é um boneco. Aliás a maioria dos actuais escultores não são capazes de esculpir, mas mesmo assim chamam esculturas ou instalações a lixo conceptual. Pessoas de discernimento prefeririam Cabrita Reis (o autor desta obra não consegui descortinar quem fosse porque o artigo não o identifica, decerto por caridade), que faria uma coisa qualquer significando nada, em que uns veriam consagrado o ponderoso estadista que Guterres nunca foi, e outros a nulidade que foi sempre.

Entendamo-nos: ou o escultor faz qualquer coisa figurativa da qual ressaltam as qualidades ou o significado do quem é representado; ou, se quiser ser inteiramente fiel à figura, arranja alguma maneira de nos deixar a impressão da grandiosidade da personagem. Exercício difícil, decerto – não é escultor quem tem, se tiver, apenas jeitinho. Assim como não será escultura uma realização absolutamente realista – isso é uma fotografia em 3D.

Se o destino me tivesse dado o dom de criador em artes plásticas, em vez de algum aliás excessivamente moderado talento para o lançamento de fabriquetas, representaria Guterres de fato com água até aos joelhos.

De fato por causa dos cargos oficiais que ocupou e ocupa; e com água até aos joelhos porque Guterres sempre foi uma esponja das ideias esquerdinas que andam no ar da modernidade pateta, e por isso se fez fotografar naqueles preparos para chamar a atenção para o triste destino que teremos se não seguirmos os conselhos que ministra a cáfila ecologista cujas ideias sumárias ele bebe.

E é claro que a estátua teria muito mais de dois metros de altura, para benefício de alguns pássaros mais tímidos que estão a regressar às nossas cidades mas se intimidam com pessoas, e para não lhe vermos o cenho angustiado com as desgraças do mundo.

Enfim, lá fica a nova peça do mobiliário urbano. A Vizela vou muitas vezes porque tem um óptimo restaurante, um excelente e antigo jardim à beira-rio e o encanto do ar vagamente decadente que é típico de termas, no caso ainda funcionais e no meio de uma cidade que, felizmente para os vizelenses, de decadente nada tem.

Guterres terá mandado uma mensagem por SMS a dizer que não era merecedor da homenagem. De facto.

O meu trajecto habitual passa por ali. Azar.

8 comentários em “Guterres”

  1. Conta-nos o “JN”:
    “A estátua é da autoria do artista plástico de Guimarães, Viana Paredes, tem cerca de dois metros e é feita em bronze.”

  2. Aspecto consentâneo com o “estadista” que fugiu em Dezembro de 2001. Aliás, o cheiro a água benta já o precedia há anos!

  3. O realismo plástico tem garantia assegurada em política.Esquecidos os cutileiritos, os ferros forjados ao pôr do sol e à brisa marítima.
    Mas o desbravamento do real artístico atingira já,não o esqueçamos,ignaros,amplos caminhos:
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Merda_de_Artista
    De inspiração,arrisco,para o frontispício do notório livro do também notável Professor Herrero.
    Ah se o vertente retratista tivesse ousado.

  4. Nunca reconheceria Guterres naquela estátua: é demasiado magra para o retratado e é insuficientemente marreca para o retratado. Além disso, a plasticina parece-me um material que faria mais justiça a Guterres do que o bronze. Mas vá lá, numa coisa a estátua acerta: é tão ridícula como ele.

  5. Podiam colocar a estátua dentro de um chafariz. Quando vissem o bloco de bronze com as calças arregaçadas, poderiam lembrar-se da capa da Time e, talvez por aí, alguém o reconhecesse.

  6. De bronze? Haja um sucateiro socialista na região e este caso de poluição visual ficará certamente resolvido antes do ano terminar.

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