
Estas declarações do bispo do Porto, Linda (um tipo que, pelos vistos, não faz jus ao nome), são absolutamente execráveis. Deste Linda só conhecia a alarvidade que botara há alguns anos quando, a propósito de um sanguinolento atentado em França, veio acusar os europeus “desrespeitadores” da religião de serem a causa do terrorismo islâmico. Mas agora o tipo vai mais longe, bastante mais longe, na ignomínia…
O que de abjecto diz o melífluo bispo é incomportável – mentiras, comparações falsárias (o energúmeno chega a comparar violação de menores a assédio sexual a jogadoras de futebol). E, ainda pior do que tudo, desculpas literais à enorme escumalha clériga: “não podemos julgar os actos do passado com os valores de hoje“, atreve-se o bispo, como se seviciar rapazinhos (às vezes também rapariguinhas mas os padres tendem, sabemos, a serem invertidos, porventura por isso aprenderem nos seminários, tal como o sotaque ciciado) fosse uma coisa aceitável nos finais de XX e agora não. Filho de uma dema, este Linda, está visto.
Mas há algo evidente: ter um bispo como este, ainda para mais no contexto actual, conspurca toda a gente da igreja católica. Desde logo aqueloutro bispo, Ornelas, de Leiria, que vem em socorro do colega ceceante, alvitrando ter este tido apenas um “lapso de linguagem”, outro da mesma laia, é evidente. E também o de Lisboa, esse Prémio Pessoa que é mobilizador de vocações de exorcistas, ele próprio agora atrapalhado com os silêncios que são, sem dúvida, efectiva cumplicidade. Mas não só a hierarquia. Todos os da igreja, crentes praticantes – deixemo-nos de rodeios, eu nem baptizado sou, à igreja só fui a festas e finais de vida, e mesmo assim, nesta distância toda, desde jovem que ouço alusões a histórias de padres sequiosos de rapazinhos. E se assim é não as ouviram e ouvem os crentes praticantes, das beatas que levam netos e sobrinhos-netos ao colo dos curas, aos doutores de missa ao domingo, partido político cristão e que julgam que os padrecas só enrabam os putos pobres?
Deixemo-nos de coisas: se há alguma “ideologia de género” vigente é mesmo esta, a de se pensar que os padres são um “género” específico, com características próprias, direitos particulares e sob leis “inclusivas”. Tem sido assim. E continua assim, algo comprovado pela mísera tralha de bispos portugueses vigentes. Exorcizem-nos. E exorcizem os crentes que os têm aceitado, uma cáfila de gente que nem a rebanho ascende.
(E como vem a propósito lembro uma dos meus primeiros postais de blog, em inícios de 2004, dedicado a um destes panascas, que conheci em Moçambique: é este “Numa Missão“).

cada um é para o que nasce
« Parece que los gitanos y gitanas solamente nacieron en el mundo para ser
ladrones: nacen de padres ladrones, críanse con ladrones, estudian para
ladrones y, finalmente, salen con ser ladrones corrientes y molientes a todo ruedo; y la gana del hurtar y el hurtar son en ellos como acidentes
inseparables, que no se quitan sino con la muerte. » Cervantes in novelas
Como está a comissão de inquérito à Casa Pia ? E o pedido de denúncia por antigos alunos ?
O caso Casa Pia teve uma alexjonada quase perfeita: tramar o ps até ao josé estevão. O problema foi esticar a corda até ao sampaio e quase ao soares ser apanhado. Ouve umas rabichices conhecidas na praça, o resto foi tudo quase muito bem-feito.
Obrigado jpt por estas de 500 paus: ciciante , melífluo. Nem o Camilo ou o Queiroz se lembrariam de as aplicar em igual contexto.
só Letria falou das meninas da Casa Pia
frente aos Jerónimos.
vi um bando em Queluz de Baixo
Diante disto virem convocar a Casa Pia é exactamente o mesmo tipo de raciocínio que face à invasão russa da Ucrânia tiveram os comunistas (de várias tendências), clamando “Iraque”, “Baía dos Porcos” e etc. Ou, mais prosaicamente, os gajos do Porto quando o clube deles rouba que se farta e gritam, em uníssono, “Inocêncio Calabote”…
Esquecer a Casa Pia é como fazer de conta que não existiu a Segunda Guerra Mundial. “Putin, um nazi? Não sei o que significa”.
A sorte, em Portugal, por horrível que seja constatá-lo, é que esta conversa de ateus v. beatos a propósito de pedofilia acabará sempre por ser reduzida ao ridículo enquanto houver memória do caso Casa Pia e de quanto se passou em torno.
Fazendo juz à frase que alguém se atrevia a escrever há dezoito anos atrás, por horrível que seja encará-la: “afinal, homem como os outros. Como nós”.
A religião organizada é um cancro, seja ela qual for.
A religião é um veneno. E o seu antídoto.
Ó diabo, anónimos, entendam-se com esses paradoxos…
Que a religião seja um veneno, eu concordo com o 2º Anónimo. Só não percebi foi essa do antídoto.
Veneno ou remédio – a diferença está na dose.
Subscrevo, palavra a palavra.
Obrigado.
https://corta-fitas.blogs.sapo.pt/a-inju stica-e-intuitiva-a-justica-nem-7749933
Obrigado pela referência – eu leio quase diariamente o Corta-Fitas mas julgo que será interessante aos leitores do nosso blog esta chamada de atenção.
Por acaso até não. O problema não será maior na Igreja Católica que no resto da sociedade – isto se tomarmos a Igreja não apenas como o clero como também – e é o que deve ser – os fiéis. Nunca ouvi falar em velhotas pedófilas.
Já se falarmos do clero, e só deste, a música é outra. O número mais frequente que corre para a percentagem de padres pedófilos aponta para 2%. Se fizéssemos uma extrapolação para a população masculina em geral, bom, não se podia sair à rua.
Para além do direito penal, há duas outras questões que têm deixado a Santa Sé em maus lençóis: as orientações da Congregação para a Doutrina da Fé (alteradas, ao que sei) e o segredo do confessionário, inviolável, mesmo perante a lei.
Para quem se queira divertir com os amorios clericais aconselho um blog italiano, la stanza del peccato, a sala do pecado. O nosso Ornelas já lá anda.
a maior do abuso dentro da igreja, assim como fora da igreja, não é pedofilia
e a taxa de abusadores entre o clero é semelhante ao da população em geral
é aliás maior noutras profissões, como a de treinadores desportivos de crianças e jovens… e também aí tem sido muito escondido pelos clubes desportivos
o segredo da confissão é inviolável pelo sacerdote, a pessoa que se vai confessar não está obrigada a esse segredo
porque é que as pessoas falam sem o menor conhecimento daquilo que falam?
Não é o que os relatórios publicados indicam.
Na Austrália o relatório oficial aponta para sete por cento do clero. Numa ordem religiosa, São João de Deus, era até muito superior, na casa dos dois dígitos.
Na Alemanha anda entre quatro e cinco por cento. Isto num relatório encomendado pela Igreja e em que os investigadores não tinham acesso livre à documentação. Dependiam da permissão das autoridades eclesiásticas.
Em França apontam, se não me falha a memória, para cinco por cento.
Custa-me a acreditar que estes números sejam comparáveis aos da generalidade da população masculina; que haja quatro ou cinco por cento de professores, médicos, contabilistas, estivadores, advogados e outros que tenham esse vício.
Também não vale a pena falar das mazelas do celibato. Não é por não poderem casar que lhes cresce a gula dos miúdos. Porque não se atiram às beatas ou aos beatos, conforme o gosto?
O que os relatórios indicam é que a maioria dos casos ocorre em ambiente familiar.
A maioria absoluta, não necessariamente a relativa (sem falar aqui de política)
Sigo com interesse as suas publicações. Curiosamente, metade delas acho-as lúcidas e corretas. A outra metade, ou são erradas (no meu entendimento, claro), ou revelam que você tem muito de um grande estúpido. Esta publicação é o exemplo acabado desta última hipótese.
José Luís Silva agradeço-lhe o interesse com que acompanha os meus postais. E a generosidade que lhes dedica, ao ajuizar sobre os seus conteúdos. E agradeço-lhe também o diagnóstico, ainda que me seja penoso, de bipolaridade (o nome que foi disseminando para o “pequeno mal” que me detecta). Saudações.
«mas os padres tendem, sabemos, a serem invertidos»
Sabemos, mas ninguém se detém a explicar porquê.
Quantos rapazes, mal saídos da catequese, cientes dos códigos familiares e sociais, não buscaram na religião e na Igreja refúgio sincero para a sua anormalidade? Quantos não resistiram ao impulso sexual?
Mas agora, que a anormalidade é entendida como motivo de orgulho (grandes idiotas!) todos se comprazem em achincalhar o seu antigo refúgio.
Quanto ao bispo, será o cretino que vem dizendo…
JgMenos que fique explícito a todos os que por aqui passarem que essa “anormalidade” é da sua lavra e não da minha.
Já se sabe que anormal é o manco, não o homo.
Corretês oblige, e a estatística e a biologia são conspiração de heterossexuais.
Defina “anormalidade”. Fico na dúvida se vêm aí algo de jeito ou uma autêntica idiotice.
Um pénis a pedir macho ou uma vagina a pedir fêmea é uma anormalidade.
Serve-lhe assim ou com mais molho.
Cá para mim JgMenos está é com falta de sexo… Normalmente os homofóbicos são sexualmente frustrados.
Cá para mim dispenso, podes dá-lo a outro qualquer.
Segundo o que ouvi contar a familiares, um tio-avô materno, padre Raúl Sarreira sj , que dirigiu a missão de Boroma, Tete, durante décadas, desconfiava dos modos modernaços com que alguns colegas mais novos pretendiam fazer o apostolado, tendo remetido à procedência um ou outro candidato.
Lá ficou sepultado, em 1970. Ainda o conheci, era um personagem fascinante.
Boa memória. Como é óbvio nesta questão o que se passa é que “pagam os justos pelos pecadores”, em termos reputacionais. Mas isso não pode fazer esquecer – o que alguns querem fazer, como o postal que foi ligado nestes comentários, a dimensão institucional da questão, o facto da igreja católica ter cultivado uma prática (uma “cultura”) de impunidade com esta questão, suportada pela sua enorme influência social, política e mesmo jurídica.
A grande maioria dos padres não é homossexual.
A pequena minoria de padres homossexuais é que é responsável pela grande maioria dos abusos. Aliás a taxa de abusadores entre os homossexuais é maior que entre os heterossexuais, mas este fenómeno entre os padres é mais acentuado que entre a população em geral.
De referir que a percentagem de padres abusadores é similar à da população em geral, pelo menos no estudo que li referente ao caso americano.
Ah, leu na Internet, logo é verdade. Há com cada burro… E pior, burro homofóbico, que nota-se mesmo que tem falta de sexo!
um comentário feito apenas de insultos é aprovado?
Sim, se não houver um excesso de plebeísmo lexical não vejo qualquer problema. Pois, como é óbvio, um anónimo não pode (re)clamar um qualquer direito ao “bom nome”.
Insulta e ainda se queixa de ser insultado…
Sobre o ramalhete de defesas (ou “contextualizações”) do bispo Linda (o objecto deste postal) o que é incrível é a quantidades de pessoas (e também nesta caixa de comentários) que argumentam que “noutras áreas de actividade também há abusos” – e o que está na moda afixar é que também há “assédio” e “pedofilia” no desporto, nisso seguindo a abjecta via defensiva seguida pelo bispo Linda (que ainda não foi afastado pelo Santo (?) Padre). Ora isto é como se o presidente da Associação de Treinadores ou o presidente do Comité Olímpico Português viesse defender abusos sexuais sobre atletas iniciados ou juvenis porque “não se podem julgar os actos do passado (assim finais de XX, inícios de XXI) com os valores de hoje”. Que “sobressalto católico” não surgiria se isso acontecesse? Mas nisto?, ainda há sabujos que defendem o bispo Linda e, mais do que tudo, tentam sacudir a (enxurrada de) água do capote eclesiástico. Há gente mesmo execrável.
Caro jpt,
Ocorreu-me precisamente o mesmo ao ler esta caixa de comentários, bem como o texto ‘desculpabilizador’ do Henrique Pereira dos Santos no Corta-fitas aqui acedível por link. Será o respeitinho pela ‘Instituição’ e o “whataboutismo” na moda…
Pelos vistos vivemos tempos em que disparates vários justificam disparates específicos, mesmo sendo os mais absolutos disparates. Vai-se buscar a pedofilia em campos vários para minorar ou até desculpabilizar a pedofilia na igreja?!
O respeito tem de se merecer.
Obrigado e melhores cumprimentos,
Eduardo