Não conheço o António Rolo Duarte. O blogue dele só conheci hoje. Tem três entradas despretensiosas, bem escritas e bem pensadas. Na mais recente, a propósito da morte de Manuel Reis, há uma frase que me ficou a ressoar no crânio: “Não é difícil ser saudosista em relação a esse Bairro Alto que nunca foi meu”. O meu Bairro, que existiu entre o ocaso dos 90 e os primeiros anos deste jovem século, era um zoo. Góticos, skinaria, betos do sapato de vela, aspirantes a artistas plásticos, gente que tinha lido umas coisas e outros que nem pelos folhetos de supermercado passavam os olhos. Todos diferentes, todos despreocupados – tontos, confiávamos na mobilidade social pátria, convencidos que viveríamos melhor do que a geração dos nossos pais. Esse era o ambiente do meu Bairro: confiança e inconsequência de quem olhava para o futuro como uma recta ascendente de progressão linear. Ao contrário da geração anterior, a minha não sentia a necessidade de ser cosmopolita porque o país já era europeu e cada vez mais desempoeirado. O tempo, esse desgraçado, encarregou-se de nos mostrar o quão errados estávamos sobre a progressão linear e sobre a limpeza da poeira. Aquele Bairro vivia dos restos da geração fundada pelo Manuel Reis. Era uma época de transição. A avaliar pelo que é o Bairro Alto de hoje, não acrescentámos nada. Como escreve o António Rolo Duarte, “o Bairro Alto há muito que perdeu o charme e o único sítio que poderia realmente ser nosso, o novo Cais do Sodré, foi tomado por uma mistura de turistas, hipsters que têm “uns projectos” e CEO’s de start-ups com muito start e pouco up”. Tem razão quando refere que “nós, os jovens de hoje, não temos um Frágil. Não há um Targus onde possamos encontrar a versão jovem do meu pai e dos amigos dele”. É isso mesmo, António. Com tudo o que daí resulta. E tudo isto para dizer que passarei a seguir o Dorminhoco com assiduidade. Venham de lá mais textos nessa “página aborrecedora”.
O Bairro
Diogo Novo,

Bem observado, Diogo.
O António é filho do Pedro, que continua a ter lugar cativo na barra lateral do DELITO.
Onde o ‘Dorminhoco’ acaba de entrar também.
Boa entrada e muito bem o lugar cativo. Merecidíssimo.
Achava eu que que estava bem escondido ali no meu Dorminhoco. Fui apanhado. Obrigado, Diogo, por estas tão calorosas boas-vindas! (e obrigado, Pedro, por esse lugar ao pé do meu pai na barra lateral do incontornável Delito de Opinião)
Parabéns pelo blogue, António. Merece todo o incentivo. Gostei muito de o visitar. E é sem favor algum que figura na nossa barra lateral.
Forte abraço.
Nada que agradecer, António. E longa vida ao Dorminhoco. Abraços e vá aparecendo por aqui.
Belo texto, este, que me levou ao Dorminhoco e me lembrou o Pedro, pai.
Não sei se é a genética ou não, mas naquele Dorminhoco está um jovem bem acordado.
Fiquei de olho aberto neste dorminhoco!