A miúda não entende a razão para não beber shots. A idade parece-lhe ser a apropriada. A lei diz que não. Tentou no primeiro bar. Depois decidiu tentar a sorte com uma amiga que parece mais velha. Nada. Sentada no lambril do passeio, as unhas dos pés pintadas de preto exibem-se com orgulho nas sandálias compensadas. Um rapaz com um sorriso torto mostra-lhe uma garrafa de litro de vinho e pergunta:
“Queres?”
É sexta-feira à noite. É a noite. Só precisa de estar em casa às duas da manhã. Fica a olhar para o rapaz mais velho. É uma pena não gostar de vinho.

![2015-05-22-O-alcool-que-a-lei-nao-deixa[1].jpg 2015-05-22-O-alcool-que-a-lei-nao-deixa[1].jpg](http://8.fotos.web.sapo.io/i/Bf8067bf3/18472292_zjz8C.jpeg)
Tem de estar em casa às 2 da manhã?! Isso é nalguma aldeia histórica?
Lancil. Do passeio.
“É uma pena não gostar de vinho.”
E será que gosta de shots ?! Afinal o propósito é o que conta: entrar em órbita! É por isso que qualquer proibição deixa de fazer sentido. O que importa é o porquê e o para quê!