Num dia que também é da árvore, da floresta, do sono…


Ana Lima,

… um poema que é também um retrato actual da nossa condição, uma reflexão sobre o papel da religião e um apelo ao regresso à agricultura…

 

Falhei na Vida. Zut! Ideais caídos!

Torres por terra! As árvores sem ramos!

Ó meus amigos! todos nós falhamos…

Nada nos resta. Somos uns perdidos.

 

Choremos, abracemo-nos, unidos!

Que fazer? Porque não nos suicidamos?

Jesus! Jesus! Resignação… Formamos

No Mundo, o Claustro-Pleno dos Vencidos.

 

Troquemos o burel por esta capa!

Ao longe, os sinos místicos da Trapa

Clamam por nós, convidam-nos a entrar:

 

Vamos semear o pão, podar as uvas,

Pegai na enxada, descalçai as luvas, 

Tendes bom corpo, Irmãos! Vamos cavar!

 

Coimbra, 1889

 

in António Nobre, Só, Lisboa, Editora Ulisseia e Editorial Verbo, 2005, p. 237

 

E não me venham dizer que a poesia é coisa sem préstimo e que os poetas clássicos já eram…

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