
«É absolutamente incompreensível que a liderança actual do PSD tenha, em conivência com o PS, abolido os debates quinzenais [com o primeiro-ministro no parlamento] e os tenha substituído por modalidades suaves, doces, muito espaçadas no tempo e muitas vezes sem a comparência do primeiro-ministro. Tratou-se de um erro enorme. Para a república, para a saúde da democracia, para o parlamento, para o PSD. Assim que tomar posse como líder do PSD comprometo-me, como primeira medida, a propor na Assembleia [da República] o regresso imediato dos debates quinzenais.»
Assim falou Paulo Rangel, há pouco, na apresentação formal da sua candidatura às eleições directas para a presidência do PSD, marcadas para 4 de Dezembro. Toca numa questão muito mais que simbólica: é essencial para o saudável desempenho do principal partido da oposição num sistema democrático.
A lenta agonia de Rui Rio, como dirigente máximo dos sociais-democratas, começou no dia em que tomou a iniciativa de pôr fim aos debates quinzenais a pretexto de «deixar o primeiro-ministro trabalhar» – como se lhe competisse ser moço-de-fretes de António Costa. Um penoso ciclo prestes a chegar ao fim.
Leitura complementar: Mais um frete de Rui Rio a Costa.

Que Deus o oiça, Pedro. Que pior que ter um governo incompetente e prepotente é ter uma oposição conivente. Algo mudou com as autárquicas, em particular com a vitória do Carlos Moedas. Já se nota algum nervosismo nas hostes socialistas…
Moedas foi subestimado por uma certa arrogância socialista, personificada em Costa e Medina durante a campanha. E deixado sozinho no terreno pelo próprio Rio, que decidiu voar para os Açores e encerrar lá a campanha autárquica quando o grande combate político se travava em Lisboa.
Não fez falta alguma, como se viu.
Essa arrogância, aliás bem patente nos comentadores da cartilha socialista deste blogue durante as semanas de campanha, esfumou-se mal foram contados os votos.
O PS cometerá outro erro de palmatória se fizer o mesmo com Rangel.
Um PSD liderado por Rangel não brincará às oposições com chá e torradas: opor-se-á a sério.
Alguém que assina “Cidadão” sem exercer o primeiro direito/dever da cidadania, que é o de assumir a identidade, com nome próprio, não merece crédito. Critique quem criticar.
Daí ter sido remetido ao arquivo geral.
O Pedro Correia como é habito passa a vida a censurar comentários que não são de acordo com as suas preferências.
Eu assino sempre as opiniões que emito. E rejeito sempre as injúrias, sobretudo quando vêm de gente sem nome.
Se querem injuriar, escolheram o local errado. Façam-no num tasco qualquer. Ou em vossa casa, se a tiverem.
Quais injurias?
Pergunta imperceptível, talvez por ausência de acento numa das palavras. O que lhe altera o sentido.
Retirado da Internet. mas que serve aqui:
Embora a Constituição da República Portuguesa não o defina, a cidadania pode ser compreendida como um direito fundamental ligado a uma nacionalidade: o «direito a ser membro da República Portuguesa». Exige, portanto, um vínculo ou conexão relevante a Portugal que justifique tal estatuto de inclusão/pertença à comunidade política e jurídica portuguesa.
No comentário que apresentei a propósito de Paulo Rangel não ofendi ninguém, embora não lhe fosse favorável. As figuras públicas deixam rasto, é só isso. O meu nome próprio não tem qualquer relevância.
Alguém que invoca direitos de cidadania não atira a pedra escondendo a mão. Assume o que diz e o que escreve. De cara descoberta e com nome próprio.
Infelizmente, não é o seu caso. Mas vai sempre a tempo de mudar.
Acho piada ao mini-mito de que o Rangel é muito sábio, culto & tal. O discurso de apresentação da candidatura – para além do irritante tique de, para diversas palavras, fazer um comboiozinho de dois ou três sinónimos (por ex: “sociedade paralisada, anestesiada, assistida e assistencialista”, “Este tempo desperdiçado que nos estagnou, empobreceu, anestesiou e paralisou”, “uma oposição sistemática, ruidosa ou trauliteira”, “não pode ser tíbia, não pode ser ambígua, não pode ser frouxa, não pode ser quase silenciosa”) e de ter desenhado um perfil ideológico que é, essencialmente, tudo e o seu contrário – continha um maravilhoso momento: https://lishbuna.blogspot.com/2021/10/qu em-fara-caridade-de-explicar-ao.html . De que ele deve ter gostado tanto que o repetiu 3 vezes.
Se este é o novo fôlego de que o laranjal está à espera…
António Costa estará certamente preocupado, João. Menosprezar Rangel, como ele e outros fizeram com Moedas em Lisboa, será erro grave.
De certeza que Costa dormiria muito mais tranquilo com Rio à frente do PSD. Acontece que a democracia necessita de alternância real – não apenas teórica. Nesse aspecto direi que a provável saída de Rio reforça o sistema democrático.
A questão não é menosprezar ou não o Rangel embora não me pareça que ele tenha o perfil político indispensável para ser uma figura de oposição forte (além de que irá ter de lidar com o preconceito homofóbico que, não duvidemos, explícita ou implicitamente, irá ser violentamente jogado contra ele). Do que eu falava era dos mitozinhos que, sabe-se lá como e baseados em quê, se constroem em torno de certas figuras públicas.
Com uma ou outra variação de tópico,há menos de um mês dizia-se algo semelhante sobre Carlos Moedas. E afinal foi ele a emergir como vencedor das autárquicas, para surpresa de quase todos.
Em política, são quase sempre as circunstâncias a fazer os homens – e não o contrário.
Vamos ver.
Assim será, João. Ver, comparar e comentar. Já temos alguma pedalada nisto.
Eu acho que não há mito nenhum em torno de Rangel. O principal problema do PSD é precisamente esse: de estar povoado de criaturas bastante banais, com pouco carisma. A homossexualidade já não é assunto, nem no alto da serra. Só mesmo o trabalho sério as pode resgatar do aborrecimento generalizado que os políticos provocam nas pessoas. A minha dúvida reside principalmente aí. Eu não sei se eles (Moedas, Rangel e outras maravilhas) são suficientemente sérios. Até ver para mim é gente mole e acordista como a outra gente que lá anda, cheios de ideias peregrinas que dependem de Bruxelas.
Já cheira a Poder, mas o Bazooka Costa é resiliente. Rangel terá que se acalmar.
Mas era bom ter um PSD.
Cheira a estagnação e pântano. Parafraseando Guterres.
Anda tudo preocupado com o chumbo do Orçamento. O PAN já trocou o seu voto por uma “lei fracturante”. O PCP tem “responsabilidade de Estado”, não vai deixar o Costa cair.
O PAN anda a trabalhar com afinco para ser a próxima florzinha na lapela do PS.
Se Costa lhes prometer qualquer coisa como a subida de 16 para 17 anos da idade mínima dos espectadores das touradas, eles correm a votar o Orçamento.
Rui Rio ao pretender dar mostras de sério e civilizado cometeu o erro infantil de lidar com Costa nesse pretenso patamar de decência transparente.
Sem pretender ser exaustivo basta lembrar que este quando perdeu as eleições, enquanto simulava conversações com Passos Coelho andava nos subterrâneos sombrios a pescar à peça e à pressa, muletas inimigas de véspera, para resgate do próprio cadáver político prestes a descer às profundezas.
Como foi possível dar confiança a um homem que tanto na oposição como já no poleiro, proclamava aos quatro ventos que não queria nada com o PSD, adiantando mesmo que se um dia precisasse deste partido para governar deixaria de ser governo.
Para terminar, dizer apenas que às vezes é preciso “em terra de lobos uivar como eles”.
este ainda não percebeu o partido, muito menos o eleitorado.
muito mudou na sua ausência
Poucas coisas mudam assim tanto. O essencial permanece.
ainda me lembro da asdi e das opções inadiáveis
a treta e a teta são sempre as mesmas
sai para eu entrar
Agora estão na moda as troti-tretas.
Quem é que vai ser a primeira Dama do Rangel ?
Tu.
E a azulada continua. Agora a rolha é com o Rangel: nada que não seja elogios e tal e coisa.
Nem sequer dizer que ele a andar até atira os pés pra lado, ou que ninguém sabe o que ele pensa sobre o que fazer com a bazuca. Os empresários não gostam muito de ouvir discursos muito bem escritos.
😄 A melhor e mais curta resposta que vi nos últimos tempos a um preconceituoso de esquerda (toda a esquerda é preconceituosa). Infelizmente e, em termos políticos, Paulo Rangel não trará nada de muito novo ao PSD. Será, com toda a certeza, melhor que Rui Rio que mais parece um assalariado de António Costa, coadjuvado por Marcelo Rebelo de Sousa.
Cada país tem aquilo que merece.
Andam aos gritinhos contra os “preconceitos” mas mal viram a primeira esquina logo se desvendam como cavernícolas mascarados de modernaços.
“toda a esquerda é preconceituosa”
Não há maior preconceito que esta generalização !
“Cada país tem aquilo que merece”
Pelos vistos até o tem a si.
Rui Rio e quem o apoia (as bases) vão superar mais este obstáculo.
Como escrevi aqui há dias o PM e o PS levaram forte nestas autárquicas e já estão cheios de medo e mais uma prova disso aconteceu ontem com a “descida” do ISP, uma semana após de o PM o ter negado e dois dias depois apenas de o ministro da economia o ter negado também e alvitrado de modo sonseiro que nada havia a fazer. Já o ministro do Ambiente anda muito caladinho assim como o seu fabuloso secretário de estado do hidrogénio e do lítio.
O ministro Pedro Nuno Santos ficou com a parte de Leão do orçamento para desbaratar em empresas zombie, até a Itália nação bem mais rica que nós liquidou a Alitália…
WW
Você e Costa têm pelo menos um ponto em comum: são ambos fãs de Rui Rio.
Eu não sou fã de ninguém (isto não é um concurso de talentos) pois o que está em causa é o futuro de Portugal e dos portugueses e já muitos constataram (embora tarde) que o actual PM que perdeu as eleições e para se salvar a si (sobretudo) e ao PS fez e tem feito manobras habilidosas que só geram divisões entre os portugueses.
Rui Rio e a sua equipa têm atravessado muitos escolhos tentando fazer uma oposição responsável e sem demagogia mas isso é sua maneira de estar e que muitos (cada vez mais) entendem e apreciam. A actual situação politica foi prevista e agora é que toda a gente se lembrou que era tempo de acossar uma vez mais de modo insidioso os líderes dos partidos á direita do PS, porque será ….?
WW
Boa noite ,
Paulo Rangel não serve para líder do PSD , muito menos para líder de Portugal .
Alguém que precisa de ir chorar para o tribunal porque não gostou de umas opiniões do Pedro Arroja , não percebe o quê é uma democracia .
Basta ver o exemplo de Pedro Passos Coelho que aguentou tudo e mais alguma coisa .
Luís Almeida
Quem vai decidir isso são os militantes do PSD.
Que terão de escolher se querem que o partido continue a ser a “equipa B do PS” ou se assuma enfim, quatro anos depois, como força da oposição.