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Por uma vez concordo com o deputado André Silva, do PAN: com Rui Rio ao leme, o PDS tornou-se «a equipa B do PS». Com momentos inauditos de excesso de zelo, como ontem se verificou em São Bento: socialistas e sociais-democratas uniram-se para reduzir a prestação de contas do primeiro-ministro ao Parlamento.
Até agora, por imposição do regimento da Assembleia da República, António Costa deslocava-se duas vezes por mês ao hemiciclo, onde era confrontado com perguntas de todas as bancadas da oposição. A partir de agora só é obrigado a cumprir tal função de dois em dois meses. Quatro vezes menos.
O simples facto de a crise pandémica exigir um escrutínio ainda mais apertado do Executivo, que não dispõe de maioria parlamentar, bastaria para desautorizar qualquer redução do controlo da actividade governativa pela Assembleia da República. O mais insólito é que tal iniciativa tenha o patrocínio do maior partido da oposição, que devia liderar a fiscalização política do Governo.
Como já escrevi aqui, Rio comporta-se como um mordomo do primeiro-ministro. Desconsiderando os eleitores, traindo o legado histórico do PSD e renegando o mais nobre papel da oposição, fundamental numa democracia representativa. Que o faça, explicitamente, para poupar trabalho ao primeiro-ministro é algo que já roça o delírio. Algo impensável, por exemplo, na democracia britânica: basta salientar que o titular de Downing Street comparece todas as quartas-feiras na Câmara dos Comuns.
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Dirão alguns que esta colagem de Rio ao PS é mera manobra táctica, com o intuito de amealhar votos no futuro. Lamento contradizer tão boas almas, mas nenhuma sondagem indicia isso: a que o Público divulga hoje, elaborada pela Universidade Católica, confirma um fosso cada vez maior entre as intenções de voto nos dois maiores partidos, agora separados por 13 pontos percentuais.
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Se o PSD se cobre de ridículo, o PS não sai melhor do filme. Trai, ele também, um honroso legado: a anterior reforma do regimento parlamentar que em 2007 instituiu os debates quinzenais ocorreu por iniciativa socialista, ficando associada a um dos seus principais impulsionadores, o deputado António José Seguro. Outros tempos, que já parecem muito distantes.
«É uma das invenções mais estúpidas que a Assembleia da República fez nos últimos anos», criticou de imediato António Costa, à época instalado na poltrona de comentador do programa Quadratura do Círculo. Sem esconder, já então, um certo rancor autocrático que Rui Rio tanto parece apreciar.
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Este «conluio entre PS e PSD», como bem observa o José Teixeira, pôs a democracia parlamentar em marcha-atrás. Com a agravante, no caso do PSD, de Rio ter imposto disciplina de voto aos seus deputados – ao contrário do que sucedeu na bancada socialista, onde se registaram 28 votos contra e cinco abstenções.
Apesar disso, também na bancada laranja se ergueram sete vozes discordantes, desafiando a orientação de voto. Vale a pena anotar o nome destes deputados: Alexandre Poço, Álvaro Almeida, Emídio Guerreiro, Margarida Balseiro Lopes, Pedro Pinto, Pedro Rodrigues e Rui Silva.
Todos prestigiaram a função parlamentar e honraram a melhor tradição do PSD. Pena terem sido tão poucos.

1) Rui Rio sabe que o próximo primeiro-ministro deverá ser do PSD. Será a esse que caberá perder tempo a ir a debates na Assembleia. O PSD, tal como o PS, é partido a quem convém que os primeiros-ministros não tenham que perder muito tempo com estas formalidades.
2) Antes de 2007 o primeiro-ministro só ia a debates parlamentares uma vez por mês, e isso não era considerado um déficit da democracia.
3) A democracia britânica é apenas uma de entre muitas. Nela, o primeiro-ministro vai ao Parlamento todas as semanas. Mas há certamente de haver muitas outras democracias em que o primeiro-ministro vai ao parlamento com muito menor frequência do que isso; e outras haverá em que nunca lá vai. E não é por isso que a democracia britânica poderá ser considerada superior ou mais democrática.
“Há certamente de haver.”
É o que acontece quando aceitamos “dialogar” com anónimos.
Eu apresento factos, comprovados. O anónimo tenta ripostar com “há certamente de haver”.
Eis a “democracia digital” no seu esplendor.
Desculpe lá mas o anónimo das 12:28, apesar do português macarrónico, tem o aval da nossa associação. A quem (não deveria ser eu a dizê-lo) o Delito muito deve.
Até já estava convencido de que a sua animosidade contra a nossa associação já tinha sido ultrapassada.
A vossa associação agora avaliza macarrónicos?
Não sei se Rio pretende suceder a Costa à frente dum governo ou à frente do PS.
Rio está para o PSD como o treinador Veríssimo está para o Benfica: é um hiato.
Que mal fez o treinador Nelson Veríssimo?
Parece-me o alter ego de Rio no SLB.
Estás a ser injusto com o Nelson Veríssimo. Ainda que adepto do clube Carnide não merece tanta rispidez tua
Pensando bem, tens razão. Veríssimo até me merece alguma simpatia. E bastaria introduzir uma consoante no apelido -passando de Veríssimo a Verdíssimo – para eu simpatizar ainda mais com ele.
Em vez do Estado da Nação (que toda a gente sabe como está) deviam ter discutido o “Estado da Oposição”. Sempre daria mais gozo. O Governo nem lá ia. A discussão do tipo “um contra todos e todos contra um”
Não é preciso haver debate sobre o “estado da oposição”.
O estado é comatoso.
O estado comatoso da oposição não é fruto de nenhuma doença interna, mas sim do tratamento a que é submetido.
Só existem 3 partidos a fazer oposição e a esses pouca, ou nenhuma possibilidade de intervenção lhes dão.
O que vem evidenciar ainda mais o pobre contributo que o PSD está a dar à democracia.
Os 3 juntos, não têm metade do tempo de intervenção do PSD. Nem têm a visibilidade pública do PSD, nem os meios humanos, ou orçamentais, para fazer o papel que o PSD decidiu deixar de fazer.
E assim Costa relaxa cada vez mais.
Sinceramente, pouco mais se pode pedir a quem tão pouco tem ao seu dispor e a quem lhe é sonegado tempo de antena e visibilidade pública.
E quando a têm, é quase sempre para lhes chegar a roupa ao pelo.
Nas últimas semanas a IL protagonizou excelentes intervenções de oposição. Alguém viu?
A partir de agora, protagonizará muito menos. O PM vai trocar ainda mais a prestação de contas no Parlamento pelas intermináveis sessões de propaganda diária nas televisões. Com a bênção, o patrocínio e o aplauso do maior partido da “oposição”.
Ninguém fala de “défice democrático” no continente…
lucklucky
Fala-se muito é no défice de oposição. Que é público e notório.
É um gajo porreirinho, mas desta não gostei. É óbvio que tudo aquilo é paleio inconsequente, mas fugir é sempre covardia.
Porreirinho para quem? Só se for para Costa.
Para Costa tem sido porreirão, carago. Até ver…
Rui Rio nunca referiu, mas parece que lhe agradaria um sistema bipartidário, um pouco como o americano, e com ele assegurar a rotatividade no poder. Lógico seria, no próximo passo, reduzir o número de deputados na assembleia da republica.
Muito bom
E tínhamos novamente o institucionalizado Rotativismo.
Bate certo. Em termos históricos o rotativismo precedeu a União Nacional.
Rio parece-me pouco rotativo. Às segundas, quartas e sextas, elogia Costa.Às terças, quintas e sábados, critica alguém do seu próprio partido.
Anda nisto há quase três anos.
O Rio, na melhor interpretação de um Estadista, não quer perder tempo em debates quinzenais quando for Primeiro-Ministro do Portugal intervencionado.
Nesse período de 4 anos o PS muda de opinião, e defende que o estado da Nação exige debates quinzenais.
Em que planeta vive você? rdo-portugal-45-mil-milhoes-336317
Portugal acaba de ser novamente “intervencionado”. Desta vez com a maior chuva de cifrões que recebemos de uma só vez desde o ouro do Brasil: um envelope financeiro com 45 mil milhões de euros, parte dos quais concedidos a fundo perdido.
https://zap.aeiou.pt/cimeira-5-dias-aco
A legislatura vai terminar com Costa e Rio, agarradinhos, a dançar um tango na pista de dança.
Pequei por defeito: o tal envelope financeiro, até 2029, ascenderá a 58 mil milhões de euros: gal/montante-de-transfer%c3%aancias-euro peias-para-portugal-atinge-579-mil-milh%c 3%b5es-de-euros/ar-BB178oev?li=BBoPWjC&ocid=iehp
http://www.msn.com/pt-pt/noticias/portu
Dá para ganhar todas as eleições da década.
NO LIMITE DO ABSURDO
“Os debates parlamentares não devem ser utilizados para gritarias inúteis, que apenas servem para os seus protagonistas figurarem nas aberturas das noticias e se destacarem nas capas dos jornais”
Mais ou menos por estas palavras ouvi isto de Rio e pasmei.
Aviso desde já o líder do maior partido da oposição que eu quero ouvir o mais possível a falta de qualidade dos supostos deputados da Nação, que ao fim e ao cabo não passam de figurantes em claques adestradas que só erguem a voz para engraxar os sapatos do dono, ou maltrapilhar os opositores abancados mesmo ao lado.
O Dr. RR apenas demonstrou que pretende esconder as poucas vergonhas que nos representam, ameaçando os meninos dos coros que para não levarem orelhas de burro atribuidas pelos cidadãos que lhes pagam, levam o castigo infantil de não ir para o recreio brincar às escondidas com palhaçadas.
Rio é o parceiro ideal de Costa: concede tudo e não exige nada.
Qualquer primeiro-ministro sonha ter um “opositor” como este.
Do ponto de vista estritamente constitucional um atropelo deste calibre às mais elementares regras da decência poderá passar?
Defendo que este tipo de alterações ao regimento da AR só deveriam produzir efeito na legislatura seguinte, não se sabendo portanto a quem caberia tais sortes.
Isto porque, para além do mais esta alteração tem objetivamente um destinatário conhecido, já embalado em aberta campanha eleitoral poder beneficiar de um rombo no escrutínio a que deveria sujeitar-se, obrigando-o a tanto agora mais do que nunca.
Em rigor, aplica-se só à próxima sessão legislativa. A partir do final de Setembro, portanto. Não é uma questão constitucional, mas de regulamento interno do parlamento.
Inaceitável é vermos o maior partido da “oposição” a fazer tudo para diminuir a fiscalização e o controlo parlamentar sobre a actividade do Governo. Rio foi nesta questão ainda mais papista do que o “papa”.
Nunca se tinha visto nada semelhante antes e creio que jamais voltaremos a ver algo assim.
Obrigado pelo esclarecimento.
A indignidade trauliteira de Sócrates e Costa recomenda que esse tipo de gente seja afastado da imagem pública da Democracia, que só tem a ganhar com a sua ausência.
A Oposição que faça o seu trabalho legislativo e de fiscalização expondo a rapacidade dessa gente, seguindo o dinheiro do Orçamento e as nomeações da matilha para apascento público.
A oposição “fazer o trabalho” significa o quê? Rio revelando zelo como mordomo do primeiro-ministro?
Opor significa ser diferente, não ‘quero o teu lugar para fazer o mesmo’.
E se reler, encontrará o sentido.
Não creio que a estratégia de RR seja eleitoralista. RR sabe que nunca será primeiro-ministro — e arrisco até dizer que isso nem lhe interessa. O que lhe interessa é só uma coisa: a regionalização que é, num estado socialista e familialista como o nosso, o máximo de independência que é possível garantir para o Porto. Nessa derradeira esperança, faz uns fretes a AC para lhe mostrar que a viabilização da regionalização passa por ele.
Não está mal pensado
Sim, Rio talvez sonhe com o regionalismo. A régua e esquadro.
Seria um regionalismo de regulados. Ele ascenderia a régulo da Foz.
É o destino de todos os rios, aspirarem à foz…
Discordo de si, V.
Rio já exerce como ministro. Uma espécie de “ministro-sombra”. Sem pasta.
Assim fica com a mão mais livre para segurar a pasta do primeiro-ministro.
Mas a ideia de que o PS actual é um partido democrático, disposto a jogar o jogo da democracia respeitando os sentimentos do eleitorado não é verdadeira — já há muito tempo, e amplamente secundada e defendida pelos meios de comunicação social, que a concepção de que só o PS governa legitimamente está em vigor. De tal maneira que a destruição do trabalho que qualquer outro governo PSD/CDS ou PSD se torno um hábito que ninguém questiona, e muito menos os jornalistas que são hoje cãezinhos domesticados. Desde a Protecção Civil, aos mecanismos de distribuição de fundos comunitários, ao próprio controle repressivo e fascista das cidades por autarcas que se transformaram em donos das cidades (e só os autarcas do PS podem ser donos das cidades e dizer como é que as cidades vão ser). Não há espaço para o PSD a não ser, num futuro qualquer, no liberalismo portuense provavelmente cada vez mais escasso.
A tentativa de controlo pelo esquerdismo mais odioso é permanente — Por exemplo, ainda ontem peroravam na SIC Vómito sobre a origem egípcia de Braga, num exercício colonialista e mentiroso sobre a palavra “isidoro” (e de um inexistente culto romano de uma divindade egípcia) que aparece escrita de lado na sé de braga atestando, claro está a origem AFRICANA dos recônditos mais nortenhos de Portugal (já andam a tentar desenterrar Afonso Henriques para o mesmo propósito, para provarem que era meio-preto ou coisa do género, dê lá por onde der) esquecendo que antes dos Romanos já cá estava muita gente antes disso. Isto não é por acaso — vem na sequência da colonização das universidades pela extrema-esquerda e são exercícios de demonstração de poder sobre o espaço autárquico e, sobretudo, de simpatizantes do islamismo sobre o espaço religioso e cristão do Norte de Portugal. Como é que se inverte esta situação, perguntar-se-ia Rui Rio? Não há muitas maneiras.
Já não sou só eu que percebeu que a Democracia acabou em Portugal e está a acabar no Ocidente.
Helas!
lucklucky
Definitivamente não gosta dos meus comentários. Parabéns é um vencedor.
Mas enquanto não me cercear vou lendo as suas opiniões com agrado. Cumprimentos.
Não percebi nada. Quais comentários? Quem é você?
Porque é que não se apresenta quando entra em casa alheia?