Esta semana semana passei uma tarde a ouvir umas quantas luminárias discorrer sobre questões de magna irrelevância perante um reduzido auditório. E de novo pensei como se fala cada vez pior: o vocabulário está infestado de estrangeirismos dispensáveis, modismos de todo o tipo, eufemismos que dão vontade de bater em retirada. Uma espécie de linguajar de gestor bancário cruzado com jargão de treinador de futebol contamina o nosso léxico comum. Complicando o que é simples. E tornando demasiadas frases quase incompreensíveis.
Temos o fatal “colocar” usado e abusado, com exclusão total do claro e eficaz verbo “pôr”. Ou “arrancar”, que parece ter destronado por completo o singelo “começar”. Ou “distinto”, na sua ambiguidade semântica, como obstinado substituto de “diferente”. E por aqui me fico: a lista seria imensa.
Fui ouvindo penosamente aquele patati-patatá infestado de conteúdos, disruptivo, perfomativo, implementar, sustentabilidade. Por parte de quem se propunha colocar a questão, abrir janelas de oportunidade, deixar tudo em cima da mesa, analisar o estado da arte, entoar hossanas ao novo paradigma.
De repente parecem todos perorar à maneira do professor Boaventura numa prelecção do Centro de Estudos Sociais, em Coimbra.
Saí de lá com esta convicção: qualquer dia desaprendo de falar.

E não esquecer que a antiga prática de dar simplesmente as notícias foi substituída pelo tique de as anunciar previamente: “O dia ficou marcado por…”, “Uma notícia que marca o dia é…”, “A marcar o dia há o facto de…”
Fico sempre a pensar que dirão os dias, cheios de riscos e amolgadelas
Outros modismos idiotas: dizer “ao dia de hoje” (em vez de simplesmente “hoje”), que alastra como praga; e começar frases com os verbos no infinitivo, à professor Karamba (“digo que” passou à história, agora é “dizer que”, sempre com sujeito indeterminado).
até violam a língua … de porco ou vaca
acabam a arrancar os tomates … se não lhes der o mal murcho.
e as siglas? PqP
O solstício de Verão fez-lhe mal à carapinha?
O Portugal moderno têm muito speaker chiclete.
O Jota Chiclete emigrou para as arábias e para a Turquia. Portugal nunca mais voltou a ser o mesmo.
E vai piorar.
O “correio manhoso” sempre aplicou nas suas páginas as desgraças caricatas e a lei da selva jornalística.
O matou, morreu, apanhado, violou, roubou é o que está a dar, acompanhado com as pérolas de registrado, esfaqueado com faca em cozinha, morreu queimado em fogo, violou a
filha menor 537 vezes, é o que está a dar e vender com umas páginas de anúncios e fotografias picantes.
Julgo que se equivocou no texto que pretendia comentar. Pode tentar outra vez.
Apanhei a boleia e por tabela dei no manhoso.
Um emigrante que visite Portugal passado anos, leia o manhoso e veja a tv do manhoso fica com pouca vontade de cá ficar.
Para lá das desgraças nas páginas do jornal, os locutores das notícias aplicam palavras num português estranho.
Deve preferir então o estilo elegante e sofisticado da Televisão pública, paga pelos contribuintes portugueses: vnvw
https://www.youtube.com/watch?v=L7ovXY6
Isto sim…
> cruzado com jargão
Dantes tínhamos de nos contentar com “calão”.
Estou a ver que já houve “upgrades” ao vocabulário autóctone.
Calão? O que é que o calão tem a ver?
#2 aqui https://dicionario.priberam.org/cal%C3%A 3o
Nunca ouvi a palavra “jargão” até há uns anos. Já sei, existência recatada.
https://dicionario.priberam.org/jar g%C3%A3o
passante, jargão e calão não têm exactamente o mesmo conteúdo semântico. Se quis passar por aqui para protestar estatelou-se nessa passagem
Confundiu o São João com o São Pedro. Já não é o primeiro a fazê-lo.
Olhe que ainda não peroram exatamante (graças a Deus, diga-se!) à maneira desse professor (ou da verborreia por ele defendida), caso contrário teria ouvido pérolas como aquela imitação rasca de novilíngua para a igualdade de género, com os patéticos pronomes neutros ou as palavres a acabar em “e(s)” e não em “o(s)” ou “a(s)”, por exemplo. Mas receio que lá chegaremos pois em várias academias já temos os futuros doutores e engenheires (olhe a tal novilíngua a virar frangos) a usar com frequência esta palermice pegada e a levarem autênticas “injecções de cavalo” acerca da suposta justiça e vantagens de se utilizar esta coisa.
Também não assediam do mesmo modo franco, desinibido e despido de preconceitos.
Enfim, pregam o combate ao machismo e a igualdade mas depois usam e abusam da posição previligiada que têm na academia para se esticarem para cima do tal género oprimido, que falta de vergonha e honestidade!
Mas pronto ao menos e, segundo consta, o sr não é racista pois tanto se estica com portuguesas como com estrangeiras, ao menos aí é coerente com a verborreia que passa a vida a pregar.