Há seis meses, já em campanha contra Isaltino Morais em Oeiras, Marcos Perestrello acusava-o de saltar de poleiro político com excessiva facilidade. "Foi presidente de câmara, depois decidiu-se pelo Governo e voltou à câmara", sublinhava com razão o jovem socialista, revelando a ambição de vir a liderar o concelho. Azar: Isaltino derrotou-o a 11 de Outubro. Os eleitores socialistas de Oeiras esperariam que o cabeça de lista do partido, apesar de derrotado, assumisse o mandato autárquico para que foi eleito, tornando-se vereador. Era natural que esperassem isso dele: a 12 de Outubro – há 17 dias apenas – o próprio Perestrello garantia "assumir-se" desde logo como vereador da oposição, prometendo que não iria "perder de vista os interesses de Oeiras". A promessa, apesar de tão categórica, durou menos de três semanas: ei-lo com o pomposo título de secretário de Estado da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar, como braço direito de Augusto Santos Silva, pronto a fazer agora aquilo que há seis meses criticava em Isaltino. Adeus câmara, olá Governo. Este é o lado doce das derrotas eleitorais nas hostes socialistas: há sempre uma gamela de reserva para atenuar as mágoas políticas, seja na longínqua Bruxelas seja na Avenida Ilha da Madeira, em Lisboa, com uma bonita vista para o Tejo. Talvez seja a isto que chamam Novas Oportunidades. Contra os canhões, marchar marchar. E Oeiras que fique entregue a Isaltino.


É exactamente como dizes. Ainda bem que ele não foi eleito em Oeiras, coitado, ou lá teria de deixar a câmara para ir em mais uma missão de patriótico sacrifício.
Os socialistas são useiros e vezeiros a confundir ‘ganhar’ e ‘perder’ uma câmara. Fazem de conta que não percebem que uma câmara não se perde: não ganham a presidência, ganham uma vereação. Mas dá-lhes mais jeito assim…
Um comportamento inaceitável. Assim qualquer dia ninguém leva nenhuma candidatura a sério.
A ética política das…
A política das navalhadas
afincadamente defendida
retrata posturas talhadas
por uma ética elidida.
Neste regime apodrecido
pela agnosia engravatada,
deixa o povo entontecido
com esta ética ocultada.
Há muitos anos parado
este regime apodrecido,
deixando o país pirado
e um futuro esvaecido.
É tamanha a lentidão
de passadas vagarosas,
fortalecendo a lassidão
de prosápias rumorosas.
Gostei da “ética elidida”, Amêijoa. É isso mesmo.
Como o Pedro ontem bem recordava “quem estiver sem pecado que atire a primeira pedra” (São João, 8-7). Infelizmente esta é uma prática generalizada entre a malta do chamado “arco governamental”. O próprio Isaltino saiu para ser ministro, e voltou, em estilo de há mar e mar há ir e voltar. Entretanto o mesmo Isaltino, já fez um acordo com a coligação PPD-PSD CDS-PP PPM liderada por Isabel Meireles, que obteve o expressivo resultado de 16,42%. Tudo como dantes, quartel geral em abrantes , ou, tudo está bem quando acaba em bem. Um must .
Infelizmente, como diz, estas práticas estão a generalizar-se. E a citação bíblica é muito oportuna (com licença de Mestre Saramago).
Pois é, Pedro, infelizmente é mesmo assim. Enquanto a polivalência em política for uma qualidade, vai tudo continuar como está. Bem prega frei Tomás…
O problema, caro Sérgio, é que estas práticas só aumentam ainda mais o fosso entre eleitos e eleitores.
Um governo de “yes men”
A nomeação dos Ministros do novo governo já foi muito dissecada, e esperava-se a nomeação dos Secretários de Estado, que muitos dizem ser por vezes mais importante, por serem estes efectivamente a mandar nos ministérios.
Quando se esperava uma abertura do governo à sociedade civil, e a tentativa de chamada ao executivo de pessoas com provas dadas ao nível profissional nos mais diversos sectores, as soluções de José Sócrates passaram por dar o poder ao PS e aos seus “yes men“.
– José de Almeida Ribeiro (ex-chefe de gabinete do PM) será Secretário de Estado Adjunto de José Sócrates.
– Pedro Lourtie (ex-chefe de gabinete do PM) será Secretário de Estado dos Assuntos Europeus
– Óscar Gaspar (ex-acessor do PM) será Secretário de Estado da Saúde
– José Magalhães (ex-Secretário de Estado Admin Interna) passará para a Justiça
– José Junqueiro (autor do caso das escutas) será Secretário de Estado da a Administração Local
– Fernando Medina (ex-Secretário de Estado do Emprego) será Secretário de Estado da Economia
– Carlos Zorrinho (ex-Coordenador da Estratégia Lisboa e Plano Tecnológico) será Secretário de Estado do Plano Tecnológico.
– Paulo Campos (o tal que tentou comprar Joana Amaral Dias) continua como Secretário de Estado Adjunto, das Obras Públicas e das Comunicações
– Laurentino Dias (fiel “defesa central” do PM) continua como Secretário de Estado da Juventude e do Desporto
E a cereja no topo do bolo: Marcos Perestrello – “ponta de lança” do PS na RTP e cópia de Silva Pereira, que por sua vez é cópia Sócrates – será Secretário de Estado da Defesa Nacional, fazendo uma dupla temível com Augusto Santos Silva. Os dois homens que mais malharam na oposição juntos pelas armas.
Belo quadro, Luís.
E o autarca que á quatro anos perdeu a câmara sempre socialista para Moita Flores e foi agora premiado com a promoção a Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural.
Adeus, Flores. Olá, Florestas.
Para onde irá o derrotado (Paulo Pedroso) do meu concelho? acha que aceita avereação mas é porque tem o rabo preso – aqui sem 2ªs intenções… –
O mais natural, nesse como noutros casos, é ficar na vereação. Aconteceu ainda agora com Santana Lopes, em Lisboa – e muito bem. Os políticos devem cumprir os mandatos para que foram eleitos, ganhem ou percam.