A primeira nota muito relevante das eleições no Irão diz respeito ao nível de participação. Depois dos acontecimentos traumáticos de 2009, uma abstenção na ordem dos 25% (apenas) significa uma vontade profunda dos iranianos de não cederem a qualquer tipo de intimidação e de terem uma palavra na condução política dos destinos do país. A segunda nota sublinha a vontade de mudança. A escolha à primeira volta de Rohani é, antes de mais, um claro sinal para Khamenei e Amhadinejad que se conjuga com o pobre resultado obtido pelo candidato da linha radical Saed Jalili. A terceira nota é, todavia, de cautela. Khamanei continua a deter o poder efectivo no país. De tal forma que a pergunta que deve fazer-se é se o resultado destas eleições não acaba por ir ao encontro das suas intenções. A repressão de 2009 deixou profundas cicatrizes na sociedade iraniana. A eleição de um moderado, sem que todavia tenha margem de intervenção significativa, pode constituir-se como uma válvula de escape que permite transmitir uma ideia de mudança, mantendo-se o essencial na mesma, ao mesmo tempo que se renova a legitimidade do regime. Com a vantagem adicional de retirar da cena internacional e das relações com os EUA a carga emocional protagonizada por Ahmadinejad da qual resultava, em última análise, uma justificação para os defensores de uma linha dura do lado americano.
Notas sobre as eleições no Irão
Rui Rocha,

Dessas coisas quem percebe é o Toni.
A culpa é do Hassan, digo, do Khamenei.
Mermão, esqueceu uma pequena equação: O Irão, tal como todos os países nessa região, e não só, não dependem de si mesmos. Há outras alianças e interesses que necessitam ser ponderadas em toda essa reflexão.
Ou seja para si Democracia é escolher entre o Khrushchev, o Gromiko e o Brezhnev.
O único artigo a escrever sobre as “eleições” no Irão é que não foram eleições. Só 8 dos 686 candidatos foram tolerados pelo conselho.