André Freire, que a 2 de Outubro proclamava com rara perspicácia política no Público que “votar massivamente no Livre é condição sine qua non“ para uma maioria de esquerdas na Assembleia da República, sustenta hoje no Diário de Notícias que “não resta outra opção ao Presidente da República senão indigitar António Costa como primeiro-ministro”.
Eis portanto o politólogo que também foi candidato a candidato a deputado pelo partido que apenas recolheu 0,73% dos votos nas legislativas convertido à tese da política como via de sentido único. Engana-se tão redondamente como quando prognosticou que o Livre elegeria quatro deputados a 4 de Outubro. E, com manifesta falta de memória, chega ao ponto de desmentir uma tese que já sustentou em livro.
Em política, convém lembrar, existem sempre alternativas.

Existem alternativas sim. Aqui está uma, um governo capaz de fazer aquilo que a direita não quer que façam e para isso, dizem barbaridades sobre um governo que representará a maioria dos votos do parlamento. Isto é a realidade que não querem que seja. Até o episcopado já veio pedir calma e dizer que não têm medo dum governo de esquerda. O CDS que se diz um partido cristão que ponha aqui os olhos.
Só é pena essa esmagadora maioria parlamentar não poder contar com os quatro deputados que seriam “massivamente eleitos” segundo a profecia do professor Freire.
Esses quatro deputados de certeza que estão no PS, BE ou PCP. Assim sendo estarão a fazer número para esse governo legítimo que a coligação e seus apoiantes não querem porque têm medo, do sucesso do mesmo e que esse sucesso, jamais dê lugar a governos de direita.
Esses quatro não estão no Parlamento. Porque o tal partido não chegou a recolher 40 mil votos a nível nacional. É a única certeza que tenho.
Eu tenho a certeza que esses votos nunca iriam para a PaF.
Eu não tenho a certeza de coisa nenhuma. Porque cada voto secreto é indelegável. Nenhum partido é proprietário dele.
Começa sempre na desonestidade e/ou esquizofrenia da esquerda em que tudo é compartimentizado em ficheiros e usa-se estr
veja-se esta pérola:
“Existem alternativas sim. Aqui está uma, um governo capaz de fazer aquilo que a direita não quer que façam e para isso, dizem barbaridades sobre um governo que representará a maioria dos votos do parlamento.”
Para a Esquerda* não existe alternativa. É preciso ter sempre Défice.
*e boa parte da Direita.
«Massivamente» é lá coisa que se diga?
E politólogo, é alguma raça de cangurus da Austrália?!
Cumpts.
O politólogo é um tudólogo em sentido estrito.
Ora aí está a definição correcta para os arredondamentos de salários que a televisão permite…
Arredondamento e… muito elevado. Em muitos casos, demasiado elevado, pornográfico, até.
Em português diz-se “maciçamente”.
Mas durante a invasão do Iraque houve quem adotasse o estrangeirismo “massivamente”.
É como o estrangeirismo “inquietude”, que para os portugueses finos, que parlam francês, substituiu a palavra portuguesa “inquietação”.
Eu, que votei massivamente no Livre, nunca pensei considerar um voto “inútil” tão vencedor, mas o que está a acontecer demonstrou que a ideia fundadora do Livre estava certa. Essa ideia (quebrar os tabus das alianças à esquerda) anima hoje a esperança da maioria dos portugueses.
Há as vitórias de Pirro, mas também há a morte do homem da Maratona.
Admirável frase – essa sua frase final.
Esta coisa de um politólogo que é simultâneamente ator político faz-me tanta confusão como o comentador político que é simultâneamente membro de um partido.
Faz lembrar uma velha rábula revisteira da falecida actriz Ivone Silva: a da Olívia costureira/Olívia patroa.