Aprender, aprender sempre


Tiago Mota Saraiva,

Passados quase dois anos de ausência da blogosfera ensaio um regresso nesta casa histórica, provavelmente improvável, para um comunista.
Vivemos tempos interessantes, em que a política abafa as notícias sobre o mais mediático processo de corrupção ou sobre a última lesão de Fejsa. Tempos interessantes de discussões improváveis em que o espaço público (e também o Delito) é tomado por ensaios sobre a URSS, o PREC, o marxismo-leninismo ou o muro de Berlim.
Sei que não estarei à altura da intensidade de escrita de outrora mas tentarei não desperdiçar muitas oportunidades de discussões duras e acaloradas. Quanto mais não seja para que a ignorância e a falta de cultura não diminua a discussão política.
Olhemos para a polémica das últimas horas. Por pior que tenha sido o último governo não merece que o facebook oficial da JSD equipare a sua derrota na Assembleia da República à derrota do nazi-fascismo. Aos jovens, antes de mostrarem serviço, ter-lhes-á de ser explicada uma das citações mais sábias do senhor da esquerda e que dá título a este escrito.

0 comentários em “Aprender, aprender sempre”

    1. Não a diversidade nem faz sempre bem. E sabe bem isso.

      Especialmente puritanos como o autor que querem controlar os mais diversos níveis na vida de uma pessoa.
      O que só se faz com opressão.

      A bandeira manipulada? A JSD deveria estar a representar as violações dos direitos humanos e violações literais cometidas pelos Comunistas um pouco por onde passavam na Segunda Guerra Mundial, ou como os generais soviéticos desperdiçavam as vidas dos seus soldados como carne para canhão como Herói da União Soviética Georgi Zukhov.
      Que isto de Objecção de Consciência é só bom contra a NATO.

      Agora só falta um neonazi e um fascista no Delito. Suspeito que a frase da diversidade aí já seja para colocar na gaveta.

  1. Só prova que devemos ouvir pouco e pensar muito, isso de cada um, vir com as listagens dos disparates, como eles vêm de todos os lados, só se for… para ver qual deles merece entrar no Guinness

  2. Já que este blog se ocupa de política – apesar da maioria dizer que não – que sejas, Tiago, bem vindo. Possivelmente vai haver aqui “trolha democrática” da grossa. Mas a diversidade de opiniões só pode ganhar com a tua visão e eu gosto pouco de unanimidades.
    Para já, começaste de forma auspiciosa. Prepara-te!

  3. Agora só vos falta mesmo um nazi uma vez que a unanimidade é uma treta.
    Não sei se o Mário Machado está disponível.
    Eih, peço desculpa, em Portugal não se pode comparar os comunistas aos nazis, já me esquecia. Um abraço a todos e um beijo para a sr Helena

  4. Tiago, estamos a viver um momento histórico importante. E para ver a importância que ele tem, basta ver a postura radical, histérica e agressiva da direita, utilizando argumentos imbuídos do mais primário anti comunismo que se pensava já perdidos nas calengas gregas. Bastou uma pequena alteração do paradigma que nos dominou durante os últimos 39 anos, sustentado numa rotatividade com uma falsa alternativa que mais não era que uma mera alternância no poder, para que estalasse o verniz desta direita conservadora e bafienta, que desgraçou a vida da maioria dos portugueses nestes últimos 4 anos.
    Por mais que não fosse, o facto da atual situação politica ter contribuido para fazer sair muita gente de um certo amorfismo e indiferença relativamente à vida politica do país, já se pode considerar um elemento positivo. Contudo o elemento mais relevante da atual situação espelha-se na esperança e espetativas de milhões de portugueses, de que estejamos no ponto de partida para um novo paradigma na sociedade portuguesa, que possa romper com esta politica economico social capitalista neo liberal que desestabilizou o país e a vida da maioria dos portugueses. Sabemos que os condicionalismos e compromissos a que infelizmente estamos sujeitos são muitos, apesar disso ainda temos margem de manobra para que, através de um politica mais à esquerda possamos melhorar diversos aspetos que têm a ver essencialmente com os direitos essenciais das pessoas, assegurados pelo Estado Social que tão espoliado e maltratado foi pelo governo da direita.
    Vamos aguardar os próximos acontecimentos, e partir do princípio que Cavaco Silva fará aquilo que lhe compete no rigoroso cumprimento da Constituição que jurou cumprir e fazer cumprir, indigitando António Costa para primeiro ministro e consequente fomação de governo. Para incumprimento da CRP, já bastou a sua conduta em vários momentos dos seus mandatos, particularmente durante a vigência do governo PSD/CDS.
    Será este futuro governo de esquerda e sua politica aquele que eu mais desejaria ter no país? Não. Mas é aquele que é possivel ter na atual correlação de forças, interna e externa. E como se costuma dizer, o caminho faz-se caminhando, com um passo de cada vez. Como comunista, tenho uma conceção dialética da vida, das sociedades e da sua evolução, acreditando por isso, sem voluntarismos, que cada etapa é importante para a construção futura de uma sociedade alternativa a esta em que vivemos.

    1. Não posso deixar de sorrir ao ver um declarado comunista falar em “bafiento”. com certeza que de bafio percebe muito. Nem de ouvir falar na “postura radical, histérica e agressiva” quando penso nas reacções que houve quando Sampaio indigitou Santana (“democracia em perigo”, “o 25 de Abril acabou”, etc). Mas confesso a minha curiosidade em saber o que é uma “politica economico social capitalista neo liberal”. Será pior do que a política saída do “socialismo real”?

  5. Bem vindo Tiago. E segue já o aviso de quem o sabe: há aqui muitos comentadores que darão asas ao chavão (e, porque não dizê-lo, à cassete) que têm em si. Basta que apareçam certas palavras chave no post 🙂

      1. Tiago:
        Em matéria de cassetes, verá que irá perder.
        A Direita tem muito mais para a troca.
        Mas quanto à qualidade intrínseca, da sua cassete (do seu partido, entenda-se) essa é indestrutível e incomparável, tem, pelo menos 41 anos de uso sem se lhe notar o mais leve ruído resultante do desgaste nas cabeças do leitor (de cassetes).

        1. Comentário estranho, para quem comenta outros, argumentando, falta de sofisticação e de pensamento naïf, mandando-os ler opiniões alheias, provavelmente, por ainda precisar de mais uns 41 aninhos, para ter alguma opinião só sua.
          São pessoas assim que, por vezes, me fazem questionar, se faço bem andar a votar na direita porque, se, por lá, houver muitas, destas, para troca, ando a “fugir dos chuviscos” e ainda acabo por apanhar com uma “valente trovoada”.
          Não conheço quem seja, mas presumo que seja mulher e que tenha a apetência por coisas complicadas e dispendiosas, pensando serem, por isso, melhores.
          O Tiago pode não entender mas, quem estou a comentar, perceberá na perfeição e, até concordo que, ao contrário de mim, quem quer que seja, de naïf não tem nada, será mais… de quem goste introduzir sofisticação, até na mera repetição daquela música infantil, do papagaio louro de bico doirado
          (Já agora aproveito, se MS voltar a escrever naïf, o i tem “duas pintinhas” e, aqui, só faço o reparo, cheia de boas intensões)

          1. Obrigado pela informação , ainda assim redundante.
            Sei muito bem que leva trema, não duas pintinhas, trema mesmo, que se põe nas vogais «i» e «u» para indicar que são independentes de um fonema vocálico anterior ou que o «u» não forma grupo com as consoantes «g» e «q».
            Por vezes a distracção ou a pressa levam-nos a cometer erros.
            Mas eu sou bastante cuidadoso com isso, o meu livro de cabeceira desde há vários dias é «Em Português, Se Faz Favor», de Helder Guégués, porventura o mais competente revisor de livros que temos.

  6. Muito louvável presença. Em nome da diversidade, mas também espero em nome da sanidade que por vezes parece arredada deste blogue, e não apenas nas caixas de comentários.

  7. Muito bem, é tão estranho ver um Comunista no Delito de Opinião, como ver uma ovelha no meio de uma Alcateia, mas saúdo a tua coragem. Em modo irónico, diria que acautelando o facto de o PCP poder estar próximo do poder, alguém se tenha antecipado para não perder o comboio, uma vez que a fonte do Relvas parece estar a secar. Esperemos que a motivação do convite seja sincera, mesmo que tenha partido de algum anti-comunista primário, e ultimamente eles têm estado bem activos, talvez no “Canto do Cisne”.
    Cá estarei para voltar a ler com atenção este blogue, poderá passar a ter interesse.

    Abraço

  8. Seja bem vindo. Fazia falta neste espaço. Gosto do pormenor de mostrar “a cara”! E não haver “Censura” nos comentários também.

  9. Caro Senhor,

    O PCP poderia fazer para fazer essas comparações históricas se não tivesse chamado durante 4 anos ao memorando da Troika “pacto de agressão”. É que o “pacto de não agressão” de 1939 (também conhecido como “Ribbentrop-Molotov”) dividiu a Polónia ao meio, sancionou a ocupação dos Bálticos e outras “manigâncias” históricas esquecidas ou convenientemente não lembradas do baú da história do comunismo.

    Considerando o papel da vitória na grande guerra patriótica de 1941-45 na hagiografia do comunismo que o PCP emula a única coisa que se podem queixar é da má escolha de imagens, mais feliz seria aquela em que os soldados alemães e soviéticos se encontram a meio da Polónia por exemplo seria mais correto, quiçá em nome da solidariedade fraterna entre totalitários.

  10. Eu sou anticomunista e antinazi. Não consigo sentir menos desprezo quando leio ou vejo um documentário ou filme sobre comunistas do que quando vejo um sobre nazis. Em Portugal os comunistas podem falar livremente, os nazis não. Para mim, quem defende regimes assassinos, é cúmplice dos assassinatos perpetrados por esses regimes, sendo assim, um nazi é cúmplice do que aconteceu na Alemanha, e um comunista é cúmplice do que aconteceu na Rússia, e do que acontece em Cuba, na Coreia do norte e na Venezuela. Pessoas assim, sejam comunistas ou nazis são pessoas desprezíveis. É uma hipocrisia muito grande a condescendência de pessoas inteligentes para com os inergúmenos nazis ou comunistas

      1. É verdade que os comunistas do PCP tinham em 25 de Abril de 1974 um enorme crédito junto dos portugueses. Os militantes e simpatizantes do PCP foram durante a ditadura do Estado Novo, provávelmente porque era o único partido organizado que existia, os que mais sofreram seja nas prisões da PIDE, seja na perseguição pessoal e profissional de que foram vitimas.
        Mas esse crédito esgotou-se durante o PREC quando o PCP mostrou ao que vinha: entregar rápidamente as ex colónias à órbita soviética, e implantar um regime à imagem dos que existiam para lá da Cortina de Ferro.
        Por isso, não vale a pena evocar a memória “dos comunistas que morreram” para que nós pudessemos hoje escrever aqui no Delito. Porque se o projecto politico do PCP tivesse ido em frente provavelmente hoje nem acesso à internet teríamos.
        Para não ir mais longe ainda tenho memória de Budapeste 1956 (dezenas de refugiados húngaros estiveram acampados várias semanas muito perto da minha casa aqui em Évora), e de Praga 1968, p. ex.
        O que se passou na última sexta-feira em Paris foi hediondo! mas o que se passou em Budapeste em 1956 e em Praga em 1968, não lhe ficou a trás.

  11. Ahhh, esse bravo exército que era tão brutalmente temido pelos seus inimigos, pelos seus combatentes e por aqueles que eles iam supostamente “libertar”.
    Essa conclusão ainda ninguém teve vontade de tirar, no mínimo curioso. A pobreza hipócrita de quem rapidamente apontou o dedo aos imberbes jotas vem a coberto da normal complacência pelos crimes soviéticos, contra os seus e contra os outros. Em termos de retoques e montagens desse belo regime, os jotas do psd bem podiam aprender outros truques, eles lá eram especialistas nessa arte.

  12. O ter de ser politicamente correcto não me permite explanar na devida dimensão o gosto de ver alguém “diferente” pelo DdO.
    Faço votos para que nos possa elucidar sobre o que é ser comunista no séc. XXI na Europa onde já não existem partidos comunistas.

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