Um dia é a notícia de que o presidente da câmara “subtraiu” – termo constante da sentença judicial – dois quadros do atelier de uma artista para os oferecer a uma ministra que agora irá devolvê-los.
No outro é um administrador hospitalar que “à má fila” mandou vacinar a mulher e a prima recepcionista.
Depois é a outra autarca que exerce voluntariado, e que por esta última razão se achou com direito a fazer-se vacinar primeiro que alguns mais necessitados.
Antes tinha sido o imbróglio do currículo do procurador, mais as aulas que não poderiam ser à distância, antes de poderem voltar a ser, de acordo com as razões do ministro do “eduquês” que disse que “estamos melhor preparados do que estávamos no passado”. Nota-se.
Isto sem esquecer as sucessivas listas de deputados da nação para vacinação, ou o clima destrambelhado (será cansaço?) que grassa pelos lados da administração interna.
Como se tudo isso não fosse digno das lendas nocturnas de um castelo no sopé dos Cárpatos, ainda se têm de ouvir as desvergonhas daquela serigaita que tão depressa se queixa da falta de enfermeiros para acudirem às necessidades da pandemia, como logo a seguir recrimina o Governo por querer contratar no estrangeiro os que não há e que fazem falta.
E antes do epílogo, que nunca se sabe quando e como será, ainda há o pandeireiro televisivo que também anima, sabe-se lá porquê, as reuniões do Conselho de Estado, mais conhecido como o topo gigio de Fafe, quando critica as decisões do Governo sobre o confinamento, desdizendo tudo o que ele próprio dissera semanas antes, sem sequer se dar ao trabalho de referir que estava equivocado, mal informado ou que simplesmente se enganara.
De tudo isto se tem feito, como diz um amigo, a espuma dos dias. Afastar a espuma dos dias que nos cega, escapar ao desvario que nos persegue, é o exercício que vos sugiro.
E para isso nada como começar por ler uma interessante entrevista de André Corrêa d’Almeida, na linha do muito que tem dito e escrito, e de onde retirei a seguinte frase: “porque não é preciso muita ciência para se achar inconcebível que um deputado que está na comissão parlamentar que trata da privatização da EDP seja ao mesmo tempo quadro superior do banco que faz a assessoria aos chineses que estão a comprar a empresa. Ou que um conselheiro do Banco de Portugal seja, imagine-se, gestor de um fundo de investimento”.
Para concluir estas breves linhas, sendo o rectângulo tão pequeno que se torna impossível ficar mais do que alguns minutos a olhar para ele, sob pena de delirarmos, atente-se no que um qualificado anónimo escreve no Politico sob o sugestivo título “To Counter China’s Rise, the U.S. Should Focus on Xi”.
Há mais mundo para lá da nossa porta. É preciso manter a sanidade.

É um tudo um edo, senhor alfredo.
O PS pode não ter gente muito competente nos cargos ministeriais, mas em termos de falta de vergonha e capacidade de mentir, ninguém os bate. Ouvir o Ministro Cabrita, a prova de que o escadote social funciona em Portugal, pois qualquer pacóvio pode chegar a governante da Nação, a discursar veementemente perante o Parlamento, mais os seus vacinados de 80000 anos, é um exercício de sado-maso que nem o próprio Marquês se atreveria a experimentar.
A leitura do artigo relativo a “To counter China´s rise” obriga a uma reflexão celestial.
Uma das variantes interpretativas para o colapso da ex-URSS reside no facto do politburo ter concentrado todo seu olhar e esforços para capitalização de seu próprio umbigo. Não direccionou o seu olhar para uma visão cósmica dos acontecimentos.
Nota: o mesmo erro ocorreu com o neoliberalismo económico que se propagou no ocidente com a oportunidade gerada pela queda do anterior.
O caso concreto da governação chinesa tem uma nuance mais elaborada e inteligente: concentra-se e alimenta seu umbigo a partir de uma visão cósmica, isto é, externa e global . Portanto, conhecedor que é do processo de corrupção que o comum dos decisores no ocidente se sujeita, cultua e aceita, centrou todo o seu esforço e acção na manipulação dos sistemas que promoviam tal culto para melhor garantir sua sobrevivência interna. Esta sobrevivência não só é garantida pela promoção da corrução do órgão de comando ( PCC), para garantir a subserviência, mas, acima de tudo, numa política redistributiva da riqueza originada externamente para uma parte considerável da população.
Serve a anterior reflexão para afirmar que Trump compreendeu e interpretou de forma brilhante e única o fenómeno que muitos consideram a China, neste caso o PCC. E interpretou brilhantemente porque identificou com precisão que a China, nas suas manipulações económico-financeiras mundiais, não era o perigo, mas os manipulados e corruptos governos ocidentais que se estendem das Américas , passando pela Europa e até à África..
Centrando sua política gloriosa no “make America great again”, Trump catapultou a economia norte-americana para garantir sua independência dos centros de decisão corruptos internos e externos para melhor direccionar o “ataque” à China.
Em resumo, o problema chinês resolvia-se e resolve-se com o estrangulamento da corrupção no ocidente para, estrangulado também o PCC, se criar as condições de limitar o perigo dessa hegemonia económica que já coloca de joelhos a Merkel e os alemães diante de Putin e Xi e que procura conduzir a um novo cisma entre os países principais (França e Itália) da UE.
Os ingleses, com o Brexit, interpretaram o fenómeno melhor que qualquer europeu.
Em conclusão, a Alemanha contenta-se em ser um líder tribal através da subserviência já apontada.
Se existir por aí algum(a) cientista que se alimente de feministices, lgbtices, abortices e eutanasianices para contrariar o grande Trump, por favor, chegue-se à frente.
Já dizia Miguel Torga…
https://youtu.be/mEcMjxHTHsY
Sempre que ouço declarações da Tremido, fico mais convencido que a ASAE devia começar a verificar a qualidade das drogas leves. Isto é um caso de saúde pública!
A.Vieira