1. Seguro salientou várias vezes, no discurso desta noite, que as europeias foram ganhas pelo PS. Cada vez que dizia isto conseguia diminuir um pouco mais a dimensão do seu exíguo triunfo eleitoral. Qual será a necessidade de sublinhar aquilo que parece óbvio?
2. José Sócrates apareceu pouco na campanha socialista, mas foi quanto bastou para ser de mais. O PS só ganha em afastar-se da herança socrática se tiver sérias ambições de assumir o governo em 2015.
3. Já antes desta derrota o Governo dava claros sinais de desgaste. O escrutínio de hoje torna imperiosa uma remodelação governamental. Quanto mais depressa o primeiro-ministro a fizer mais poderá beneficiar com isso.
4. Quem tem razões para sorrir é o Presidente da República, assumido adepto de uma “grande coligação” à moda alemã ou austríaca. O Bloco Central vai fazendo a sua marcha, com uma cadência lenta mas irreversível. Não está ainda inscrito nas urnas, mas já parece escrito nos astros.

Pois, mas o entendimento das alternadeiras destrói toda a lógica do regime de alternadeiras. Quem é que vão culpar pelo falhanço dos últimos 40 anos?
O Trombonal Cãostitucional.
Caro Pedro Correia,
Se me permite, as minhas “notas”:
– Fora a CDU e o MPT (ou o Marinho e Pinto), todos perderam.
– O resultado do PS é fraco e deixa muitas dúvidas para as legislativas. Houvesse coragem (que não me parece que haja) e o António José Seguro era um líder a prazo.
– A AP perdeu e só não perdeu por mais por causa do fraco resultado do PS. Dentro da AP, o CDS perdeu de longe mais (1 deputado em 2 actuais) e fora querer suicidar-se, deve por de lado coligação nas legislativas. Deve igualmente (re)começar a opôr-se internamente ao PSD.
– O Bloco ficou em frangalhos, foi-se.
Cenários puramente hipotéticos:
– O MeP era muito próximo de José Sócrates enquanto Bastonário da OA. Se o PS tivesse juízo, arriscava uma coligação com o MPT, desde que o MeP desse a cara em campanha, para as legislativas.
– Como escrevi em cima, o CDS terá de se afastar (marca a diferença) do PSD e assumir o papel de “polícia bom” na coligação. E depois mandar a coligação às favas e atirar a culpa dos sacríficios para o PSD e o PS. Veremos…
O Bloco, com liderança bicéfala, perde duplamente.
Seguro teve um triunfo esmagador. Na sondagem do socialista Oliveira e Costa.
Marinho Pinto começou a ganhar esta eleição no dia em que venceu M. Moura Guedes na TVI.
O PCP, coerente como sempre, vai manter a letra J. Jerónimo dará lugar a João, não tarda muito.
Passos e Portas não irão coligados em 2015. A Aliança Portugal (parte 2) é pequena de mais para nela caberem ambos.
Remodelação governamental? Para já, PSD e CDS têm de se ver livres da maçonaria que tomou conta dos partidos. Relvas, lojas Mozart, etc, são apenas alguns entre os vários casos demonstrativos de até onde chegou a coisa. A 3ª república parece repetir os erros da 1ª. As agendas dessa gente (com passagem pelas causas fracturastes) nada têm a ver com os problemas da população.
Se é para ter mais do mesmo, não vale a pena. Este não é tempo para mera cosmética.
Falando em Mozart: e que tal o ‘Requiem’, como banda sonora?