Noite eleitoral (3)


Pedro Correia,

1. A enorme taxa de abstenção não permite fazer extrapolações dos resultados desta noite para uma eventual eleição legislativa. A participação eleitoral e a motivação dos votantes é muito superior em legislativas. Só por um monumental erro de gestão política da actual maioria esta legislatura chegará ao fim antes da data prevista.

 

2. João Ferreira, com boa imagem e um discurso populista de esquerda contra o euro, fez nesta campanha o tirocínio para substituir Jerónimo de Sousa como secretário-geral do PCP. Passou no teste.

 

3. A vitória de Seguro, embora menos folgada do que algumas sondagens previam, é suficiente para manter a sua liderança incontestada. Na perspectiva do PSD, esta pode até ser uma das melhores notícias da noite.

4 comentários em “Noite eleitoral (3)”

  1. Estou de acordo.
    A maioria tem legitimidade de jure, mas a legitimidade de facto, essa foi afectada.
    Só que a esquerda parlamentar não capitalizou votos suficientes, pois o aumento do PS e CDU são pequenos, e o BE afundou-se.

    A falta de legitimidade do actual governo fica expressa sim numa conta simples:
    tem 28% de 34% dos votantes, ou seja menos de 10% de votos.

    Ora, um governo em funções com menos de 10% dos votos, pode ser maioritário na AR, mas parece estar muito minoritário em legitimidade democrática.

    Volto a dizer, mais votos teve Marcelo Caetano meses antes de ser deposto.

    1. PS e PCP não somam.
      Como poderiam somar se o PS defende a NATO, a UE e o euro e o PCP é contra a NATO, a UE e o euro?
      Aliás, a primeira decisão pós-eleitoral do PCP foi anunciar a sexta moção de censura a este governo. Uma decisão que o Governo agradece: fragilizado nas urnas domingo à noite, robustecido no Parlamento na próxima sexta-feira, graças à boleia comunista. Destinada sobretudo a obscurecer ainda mais o frágil triunfo eleitoral do PS.
      Há coisas que nunca mudam na esquerda portuguesa.

  2. Ah, então o sucessor do Jerónimo não vai ser o Chico Lopes? Também já fez tirocínio e com um grande sucesso. Se fizerem uma sondagem na Baixa a perguntar quem é o Chico Lopes, todos se vão lembrar.

    1. Esse camarada está vocacionado para voos mais altos: será nomeado embaixador português em Pyongyang no dia em que o PCP for Governo e o camarada Bernardino for titular das Necessidades.

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