Vítor Gonçalves é um dos melhores entrevistadores da televisão portuguesa. Sem jamais armar em vedeta, sem nunca ocupar o centro das atenções, demonstrando que sabe ouvir, fazendo as perguntas que se impõem sem ser agressivo nem adoptar um tom inquisitorial que outros adoram usar defronte das câmaras.
Vi-o há pouco na Grande Entrevista da RTP que tem a sua assinatura. Com a qualidade e a sobriedade de sempre. Questionando o presidente do Conselho Económico e Social, Francisco Assis, político de quem sempre tive boa impressão.
«Uma das minhas preocupações é a falta de rigor na discussão [em Portugal]. Há muito clichê, há muita frase-feita, há muito preconceito, há tantas coisas que se dizem sem nenhum fundamento empírico nem resultam de nenhuma reflexão teórica séria», disse Assis nesta entrevista, reclamando «rigor na discussão dos temas que se colocam na sociedade portuguesa».
Certíssimo: o achismo é uma praga nacional. A propósito: já repararam quantas frases ouvimos e lemos, a toda a hora, iniciadas pela famigerada expressão «eu acho que»?

> já repararam quantas frases ouvimos e lemos, a toda a hora, iniciadas pela famigerada expressão «eu acho que»
Acho que não.
Eu acho que você anda muito distraído.
Em inglês fartamo-nos de ouvir “I think” e a Senhora Merkel repetia constantemente “Ich glaube” etc. Nós é a mania do “Eu acho”. Devíamos imitar os outros e dizer “Eu penso”. Talvez fosse mais europeu. Enfim, cada um fala a sua língua.
Eu acho que está cheio de razão.
Muitos «achismos» e pouco estudo e leitura. Até termos como “liberalismo” e “socialismo” já pareceram perder todo o seu significado. É muito difícil ter uma discussão séria e frutífera em Portugal.
E partilho o elogio ao Vítor Gonçalves.
“E partilho o elogio ao Vítor Gonçalves”
Com esta concordo.
“É muito difícil ter uma discussão séria e frutífera em Portugal”
Com esta não. Ou melhor, acho (I Think, Ich glaube, etc) que é tão difícil como nos outros países. Enfim, posso concordar que “séria” e ainda por cima “frutífera” ´
é difícil em toda a parte.
Por cá apreciamos muito o estilo de jornalista que fomenta a peixeirada. Há até um canal de TV que instiga os jornalistas a falarem mais rápido que os outros, mais depressa do que qualquer um e a falar por cima do entrevistado para “fazer ruído”. Dizem que o ruído é “bom para as audiências”.
Eu detesto tudo isto.
Difícil haver discussões sérias porque a cultura dominante premeia, distingue e promove o achismo.
Há até um idiota acampado há quase 20 anos num canal de TV que costuma começar cada frase por “eu acho”. O que diz quase tudo sobre o sujeito.
“Vítor Gonçalves é um dos melhores entrevistadores da televisão portuguesa. Sem jamais armar em vedeta, sem nunca ocupar o centro das atenções, demonstrando que sabe ouvir, fazendo as perguntas que se impõem sem ser agressivo nem adoptar um tom inquisitorial que outros adoram usar defronte das câmaras. “
Esta transcrição não tem o peso daquelas 3.000 A4 que ele apresentou na entrevista a Sócrates. Deveria ser interessante ter havido uma teimosia e o Sócrates lhe disse-se ‘veja o que está escrito numa dessas folhas.’ E tal não tivesse acontecido e ficar ‘então para que são essas folhas de papel’.
Além deste caricato pormenor, Vítor Gonçalves atira com perguntas com raivinha ideológica como umas que atirou a Cavaco Silva, ou a outros com aquela de ‘com esta é que te ou apanhar’.
Há sempre um pajem do Sócrates a picar aqui o ponto, fingindo derramar paixão pelo sujeito.
Hoje calhou a vez a este.
Anónimo, como todos os outros. Sentem vergonha destes orgasmos fingidos. Prova que não são casos desesperados.
Até escrevi ‘disse-se’ para arranjar forma de publicar o comentário.
Está de férias, ’tá bem, nada de correcções.
O Vítor Gonçalves é como aqueles jornalistas desportivos ferranho do benfica que entrevista
um sportinguista com um jornal na mesa da vitória do slb em Alvalade por 5-3.
O resto são os seus habituais desesperos de lhe aparecer um comentário sem ser ‘gosto muito do seu programa’.
Boas férias, e cuidado com o peixe-aranha.
Ferranho?
Pois, foi nessa, é a única maneira de fugir à censura da não publicação, ainda por cima sendo ferrenho do Sporting.
Ainda bem que se sentiu forçado a consultar um dicionário para evitar escrever novos dislates.
Não precisa de agradecer.