Retrato do País de José Sócrates e Cavaco Silva nos títulos do Expresso de hoje:
– “1/5 dos funcionários da nova loja da Ikea são licenciados”
– “Confusão nas Obras Públicas. Ministro sob fogo cerrado é obrigado a explicações contínuas. Terceira ponte já só arranca em 2013”
– “Semana de caos no Governo. Francisco Assis defende que a partir de agora só Sócrates e Teixeira dos Santos é que devem falar”
– “Os buracos que aí vêm: empresas públicas, empresas municipais, PPP e BPN são os próximos pesadelos das finanças públicas”
– “Três ramos das Forças Armadas em risco de ruptura este Verão”
– “Tudo o que o Governo disse e desdisse”
– “Vamos pagar imenso até 2013… e depois ainda mais”
– “União Ibérica agrada cada vez mais”


Infelizmente, o nível de irresponsabilidade do actual governo – bem ilustrado pelo anúncio recente de grandes obras públicas incluindo concessões do Pinhal Novo e outras, nova ponte em Lisboa e novas linhas férreas, a última das quais provisória (!) – não encontra paralelo na nossa história e, para mim, constitui crime.
Pedro, a primeira página do Expresso de hoje assusta: até 2013 o Estado endivida-se em mais 44 mil milhões de €. Assusta porque o país é o estado.
Há quem ainda acredite que as medidas agora tomadas vão salvar o país e os portugueses da depressão económica, não compreendendo que este regime morreu e que, para continuarmos a viver em Democracia, necessitamos de, urgentemente, “mudar de vida”.
Aqueles que não gostam da Alemanha, e por isso de tudo o que é alemão, deviam por os olhos nas medidas que ali estão a ser tomadas para evitar a depressão. Os DM (deutsche mark) estão preparados para, se for necessário, à Alemanha, esta sairá da moeda única (apesar das declarações contrárias dos governantes germânicos).
Voltando ao que destacaste: sim, este é o Portugal de Sócrates e Cavaco.
Portugal farpado…
São dolorosas as farpadas
de profunduras seculares,
quais complexidões ensopadas
de devaneios exemplares.
Com o tino assaz perdido
e por caminhos enganados,
assim seguirá confundido
com resultados enfunados.
Portugal também tem de mudar
depois de tantas incorrecções
porque a crise faz engordar
o valor das nossas inacções.
Tudo normal, Pedro, tudo perfeitamente normal.