Em 2004 o Banco de Portugal diz, sem rodeios, que a Economia está a evoluir de um modo preocupante. Os dados do INE mostram qual o motivo de tanta apreensão: as importações crescem a um ritmo galopante. Face ao primeiro semestre de 2003, estamos a comprar ao estrangeiro mais 8% de bens de consumo alimentares, mais 10,3% de bens de consumo não alimentares, mais 15,8% de automóveis ligeiros de passageiros, mais 10,3% de material de transporte, mais 13,7% de outros equipamentos, mais 8,5% de combustíveis, mais 10,6% de bens intermédios primários e mais 7,5% de bens intermédios transformados. Neste ano as importações cresceram oito vezes mais depressa do que a Economia.
Esta deterioração acentuada da balança de mercadorias – longe de ser compensada pelo volume de exportações – agravou o défice externo e as necessidades de financiamento da economia portuguesa face ao exterior. Paralelamente nesta época os bancos faziam de tudo para emprestar dinheiro e as famílias portuguesas, embaladas pela euforia do Euro 2004, endividavam-se alegremente.
Neste ano a dívida pública representou 62% do PIB. Para equilibrar as finanças seria necessário incentivar a produção de riqueza. Para estimular o investimento privado e captar mais dinheiro estrangeiro, num mundo globalizado, haveria que baixar os impostos. Seguindo a tendência internacional, Portugal de facto baixou, em 2004, a taxa de IRC de 30% para 25%. Mas para sustentar uma baixa de impostos haveria que cortar na despesa pública, se não se quisesse agravar o défice orçamental. Tal não aconteceu. As reformas que seriam necessárias para diminuir a despesa não foram sequer esboçadas. E o País continuou a viver acima das suas possibilidades
A 7 de Janeiro de 2005, António Perez Metelo escrevia o seguinte, no Diário de Notícias: Sem um novo impulso de contenção das despesas e de aumento das receitas do Estado, não haverá solução para eliminar os défices excessivos. Onde é que já ouvimos isto? A austeridade, longe de jazer morta e enterrada, como proclamou Santana Lopes, continua, ergue-se com redobrado vigor no horizonte dos nossos próximos anos. Quem prometer o contrário está a vender gato por lebre aos eleitores. Mas onde é que já ouvimos isto?
Ontem Santana Lopes foi entrevistado na SIC Notícias. Falava da crise económica como se nunca tivesse posto as mãos na massa. Nisto, de resto, não é original. Os ex-governantes sabem que o povo tem memória curta.


Este blogue é de laranjinhas, querida. O que é que está aqui a fazer?
Este blogue é de gente minimamente inteligente, anónimo. O que é que está aqui a fazer?
Boa.
Esta tua série parece que atingiu a velocidade cruzeiro logo ao arrancar, Teresa.