No país de Sócrates


Pedro Correia,

1. No país de Sócrates, assiste-se ao maior aumento de impostos de que há memória nos últimos 25 anos. Um verdadeiro massacre fiscal, como alguns sustentam.

 

2. No país de Sócrates, o ataque às deduções fiscais vem penalizar ainda mais a classe média-baixa.

 

3. No país de Sócrates, quando era necessário caçar votos (na campanha legislativa de Setembro de 2009), o primeiro-ministro disse esta frase lapidar, num frente-a-frente televisivo com Francisco Louçã: “Estas pessoas que fazem as suas deduções fiscais na Educação, na Saúde e nos PPR não são ricas, é a classe média. Isto conduziria a um aumento fiscal brutal para a classe média, mais de mil milhões de euros.” O mesmo primeiro-ministro que acaba de fazer precisamente aquilo que há um ano imputava ao líder do BE: um aumento fiscal brutal, mandando as deduções às urtigas.

 

4. No país de Sócrates, o leite com chocolate passa do escalão mais baixo para o mais alto do IVA, ficando equiparado a bem de luxo.

 

5. No país de Sócrates, o chefe do Governo impõe austeridade aos outros poucos dias depois de renovar contratos no seu gabinete.

 

6. No país de Sócrates, as empresas públicas são encaradas como prolongamento do partido do poder: um deputado socialista acusa o chefe de gabinete do secretário-geral do PS de lhe ter oferecido um cargo numa empresa pública, com um vencimento de 15 mil euros mensais, em troca do seu afastamento de uma corrida eleitoral interna.

Cada vez mais chocante, o país de Sócrates.

12 comentários em “No país de Sócrates”

  1. Caro Pedro,

    Eis o que eu penso, resumidamente em forma de quadra (claro), sobre essa meia dúzia de pontos:

    Num Estado miserável
    de pura falência moral,
    este OE deplorável
    é de âmago visceral.

  2. Considerando o disparate geral, espanta-me é o leite sem chocolate não ser também um bem de luxo. É que por este andar, qualquer dia o pequeno almoço vai ter de ser um copo de água da torneira e uma bolacha maria. E só uma mesmo, para racionar o pacote (as bolachas maria não são bens de luxo, pois não?).

  3. Agora que já se divertiram durante uns anos a brincar aos governos importam-se de me devolver o meu futuro? Sim, nem que esteja um bocado estragado. Eu cá me arranjo, tá bem?!!!?

  4. Mais estranho ainda é que, apesar disso tudo, os media conseguem passar uma imagem onde Sócrates sai imune a quase tudo e não culpado da maioria das consequências das suas políticas.

  5. Correm rumores que o próximo prémio Nobel da física será atribuído a um português, licenciado (?) em engenharia civil, por ter descoberto o “pelintrão”: um corpo sem massa e sem energia, mas que aguenta um peso do caraças.

    Bem, tendo em conta a descoberta em causa, o prémio será justamente atribuído. Além disso, em termos orçamentais, esta descoberta poderá permitir uma receita extraordinária, no verdadeiro sentido termo (entre outros: que excede as despesas ordinárias – fonte Infopedia.pt), que resolverá de vez os diversos problemas económico/financeiros que nos assolam: défice, dívida e afins… Por sua vez, poderá colocar a engenharia (física e económica, em particular) portuguesa na vanguarda mundial.

    Em suma, 2011 poderá ser um ano de viragem na imagem de Portugal e passaremos a viver melhor!

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