![enero2015[1].jpg enero2015[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2019/21614489_VMzVp.jpeg)
1. Censura de imagem. Fotografias de um vulgar e suculento cozido galego – muito semelhante ao nosso, mas com grão – foram banidas do Instagram, por decisão de um anónimo comité censório dessa rede social. Alegação: aquelas imagens de enchidos mesclados com vegetais «infringem as normas comunitárias» pois contêm suposta «violência gráfica e linguagem [visual] que estimula o assédio ou nudez e actividade sexual». Um galego de Vigo, que publicou estas imagens em homenagem ao «primeiro cozido da temporada» em casa da mãe, senhora de aparentes virtudes culinárias, não esconde a perplexidade, alegando ter-se limitado a fotografar os alimentos tal como estavam na travessa. Presume-se que a «violência gráfica» do chouriço e do repolho tenha ferido sensibilidades de alguns devotos das religiões vegetariana e vegana.
2. Censura de linguagem. A Air Canada anunciou que deixará de dirigir-se aos passageiros recorrendo ao anacrónico tratamento «senhoras e senhores»: evita assim ferir putativas susceptibilidades de género, designadamente das pessoas de sexualidade «não especificada». Passarão a ser designados, uns e outros, por «toda a gente» em obediência ao novo cânone da absoluta neutralidade de género. Falta saber por quanto tempo, pois esta expressão antropocêntrica promete por sua vez ferir as susceptibilidades de alguns animais.

Estou perplexa. Acho que estamos, enquanto sociedade, a cair numa onda exagerada de regulação e censura, porque não dizê-lo, que me assusta.
Basta uma pessoa achar que uma foto de um cozido é imprópria e puff… Lá se vai a foto. Isto não é uma afronta à liberdade de cada um?
A nova censura anda aí, Cátia. Assanhadíssima. A policiar palavras e a interditar imagens. O passo seguinte é reprimir os pensamentos. Com a nova tecnologia, cada vez mais sofisticada, não tarda a chegar lá.
Banamos e danemos o Insta, mais Facebook, Twitter e os CTT
É assustador. Basta uma pessoa não concordar com uma foto nossa, faz uma denuncia e a foto desaparece. As pessoas parecem não entender que ao agirem dessa forma estão a colocar a liberdade do outro em causa.
Algumas – muitas até – chegam ao ponto de aplaudir coisas destas. Sem se aperceberem que estão a apoiar novas formas de censura.
“infringem as normas comunitárias pois contêm suposta «violência gráfica e linguagem [visual] que estimula o assédio ou nudez e actividade sexual».
Será por os enchidos terem uma forma peniana?
Após tamanho repasto o estímulo que me sobra é o de ir para a caminha nanar.
Se for cozido à portuguesa, acompanhado por tintos como o Flor do Tua (Douro) ou Vinha Maria (Dão), torna-se ainda mais pecaminoso.
Nem me atrevo a reproduzir aqui os rótulos.
Flor do Tua ainda ontem marchou… Espero que não tenham feito sofrer muito as uvas no esmagamento.
Um cozido galego e uma Fabada Asturiana? Ui, maravilha.
Quando chegamos a extremos, todos sabemos como acaba. Eu bem digo e já falei muito sobre isso nas minhas bandas: qualquer dia vou ter medo de dizer que sou hetero, que como carne (muito menos que antes, mas ainda como) e tantas outras por aí adiante…
As patrulhas vegetarianas e as madres superiores do veganismo andam cada vez mais atentas ao menor indício de fuga à norma. Qualquer dia teremos de comer bifanas ou rojões na clandestinidade.
Pedro, como é que um tipo frita uma bifana na clandestinidade?
A adicionar a esta dificuldade, temos depois os “nomes de código”:
Torresmo Veiga
Cataplana Martins
Bifana de Sá
Camufla-se a bifana debaixo de uma espessa cama de rúcula.
Os rojões fritam, ocultos, numa frigideira atrás de uma enorme panela onde cozem brócolos e espinafres.
E a salsicha fica disfarçada sob um tecto de quinoa e soja.
No Instagram mostram-se os cus das Kardashian , mas os cozidos estão banidos. Penso que a solução é pedir à Kim que faça o cozido
Preferem o cuzinho à cozinha.
Depois admiram-se da ascensão da extrema direita. Em muitas matérias (não todas, claro está) limitam-se apenas a propor o regresso desta merda à normalidade.
Em ascensão, imparável, está a extrema dieta.
Jornalistas a favor da censura:
https://www.city-journal.org/journalists-a gainst-free-speech
The result is what Dean Baquet, the New York Times executive editor, recently called a “generational divide” in newsrooms. The progressive activism of younger journalists often leaves their older colleagues exasperated. “The paper is now written by 25-year-old gender studies majors,” said one Washington Post veteran. She wouldn’t speak for the record, though: as fragile and marginalized as these young progressives claim to be, they know how to make life miserable for unwoke colleagues.
A “fragilidade” é simplesmente uma tactica auto vitimização para obter poder, ascendência e justificar a si próprios censura e violência sobre os outros.
A ironia é que mecanismo que recompensa politicamente a vitimização foi precisamente criado e instituído pelos jornalistas seniores que agora se queixam dos mais novos.
No fundo bárbaros, recompensaram com propaganda sempre quem “arranjava” vítimas civis instituído um mecanismo de recompensa política.
Como as história se repete os revolucionários velhos acabam muitas vezes às mãos dos revolucionários jovens, até que os velhos se apercebem e impedem qualquer jovem de subir ao poder como na URSS. Morrendo o regime de velhice…
Atente-se nesta frase e depois digam se alguma civilização pode sobreviver com a Overton Window a ser determinada por:
“The paper is now written by 25-year-old gender studies majors,”
lucklucky
A internet tornou a estupidez fácil, prática, cómoda e, acima de tudo, rentável.
Podia ser pensamento da semana.
Estou boquiaberta e começo a ficar assustada. Não quero voltar ao tempo da ditadura, o mote está dado e o caminho paulatinamente começa a fazer-se nesse sentido. Começo a sentir um certo desconforto de conversar sobre coisas do dia-a-dia. Não é que me confronto, a olhar em redor, receosa por manifestar uma ideia ou opinar sobre qualquer assunto que não coincida com as ideias destes críticos de meia tigela que nos infernizam.
Paira no ar e de forma inquietante um ambiente muito bafiento.
É o “novo normal”, como agora se diz.
Começou com parte substancial das mulheres e dos homens (perdão, toda a gente) a ser engolido pela voragem do aparente, numa emancipação artificial. Como modelo de felicidade apareceram os casais delgados muito alinhados, iguais aos dos anúncios a margarinas magras com sabor a manteiga, ele de ar blasé, de camisa azul clara aberta, calças de sarja bege e sapatilhas adidas, ela de blusinha de viscose, saiinha a condizer e sapatinho de bailarina, ambos a sorrir muito para irradiar aquela felicidade pessoal e profissional que se reconhece ter sido alcançada com a prática da outrora auto-ajuda, hoje coutching.
A seita dita proibições na alimentação e as impõe o exercício físico. A seita com muitos e muitas beatas prontos a catequizarem todos os hereges que não resistem aos pecados capitais da gula e da preguiça. Começaram por ser adeptos do chamado estilo de vida saudável e vão alargando o seu campo de acção. Cada vez que os contestamos (a medo, nunca se sabe) temos de ouvir sermão e missa cantada. Porque é blasfémia, porque deturpamos tudo e só estamos a demonstrar a nossa ignorância e apego aos mitos antigos.
O facto é que quando se começa por confundir apetite, desejo e humanidade com perversão acaba-se a ver pecado numa simples travessa e a pugnar pela ausência de corpo, esse pedaço de culpa, que a modernidade há de querer esconder.
Excelente comentário, Isabel.
Obrigada, Pedro.
As ditaduras da moda revolvem as entranhas.
Bom dia, estamos a ofender o Islão , essa religião da paz e o amor .
Na mesma onda , parece que o Bernardo Silva vai ter aulas de reeducação , só espero que não seja na Sibéria.
Luis Almeida
Na próxima vez que fizer uma graçola nas redes sociais, o Bernardo leva cem chibatadas.
O cariz sexual da fotografia da frente é bem evidente: a salsicha tem um aspeto claramente fálico e encontra-se encostada ao grelo.
E ainda há quem ande por aí a perguntar-se o porquê da decadência ocidental…
E estes são exemplos ridículos e, até certo ponto, inofensivos.
Valha-nos a ironia de ser o Leste europeu, acolitado pela “Santa Rússia”, o bastião que resiste a esta “sin verguenza”…
JSP
Não há nada inofensivo nisto. Uma pessoa não pode colocar uma imagem de um prato de comida.
Foi precisamente por muitos terem considerado inofensivo e ridículo os ataques anteriores que chegámos aqui.
A ironia é que boa parte dos protestam “apoiou” a Hillary Clinton e onde já nós estaríamos se ela tivesse ganho.
lucklucky
Falar de “liberdade” e “censura” em relação a todas as merdas que se publica nas redes sociais parece-me a modos que exagerado. Até parece que publicar disparates nas redes sociais é uma liberdade fundamental do Homem.
“Até parece que publicar disparates nas redes sociais é uma liberdade fundamental do Homem.”
Se não fosse um direito fundamental seriamos poupados aos seus disparates, mas preferimos lutar pelo seu direito a fazer figuras de idiota.
Excelente André Miguel.
lucklucky
Estamos a cair no ridículo do politicamente correto, sem sequer pensar que ao defendermos as liberdades, bandeiras, causas, o que for de alguns estamos a limitar a liberdade de outros.
Faz algum sentido proibir uma foto de comida?
No instagram não faltam fotos que estimulam o assédio, a nudez e a actividade sexual, mulheres e homens a promover-se pela sensualidade e a convidar ao flirt, daqui a nada vão proibir fotos em bikini, ah não podem, depois as celebridades não tinham seguidores e eles não teriam lucro.
A parvoíce e a estupidez não têm limites.
Essas proibições de catálogo (e muitas outras) já estiveram mais longe, caríssima Psicogata.
Espanta-me que tanta gente encare as novas censuras com um encolher de ombros e até com um sorriso benévolo.
É como diz: “a parvoice e a estupidez não têm limites”. E andam por aí, à rédea solta.
O mundo ainda não se apercebeu que na sua ânsia de progressão entrou em regressão.
O que bem vistas as coisas nem é muito mau.
Recomeça-se de novo e todos à sua maneira voltarão a descobrir as delícias da felicidade.
E com isto tudo espoletei gratas recordações de pecados passados. Vou sair e afiambrar-me a um monumental cozido fálico.
Tome cuidado com essas práticas. Ainda se vê forçado a passar à clandestinidade.
A vontade da maioria, que alguns apregoam, não é assim tão boa, pois não?
Alguns apregoam?
É preferível a foto da Rita Ferro Rodrigues na sanita. Se ainda houver pides vivos devem partir o caco a rir – desta não nos lembrámos nós. Pombinhos.
É inacreditável o grau de sujeira que apresentam certas alminhas. E sempre aquelas que são ultra intransigentes com o politicamente corrrecto, lembrando, obrigatoriamente, o Diácono Remédios, “boneco” magistralmente interpretado pelo Herman José (não havia nexexidade … mas deleitando-se obscenamente com situações comuns que só a cabeça dele transformava em imorais).
Nada a fazer contra isso?
Parece que não, infelizmente, dada a onda moralista que parece estar a sobrepor-se ao bom senso e ao bom gosto.
É levar na desportiva … e deixar virar piada.
Há vinte anos havia o Diácono Remédios. Agora há vinte mil diáconos, a policiar e patrulhar tudo.
Em nome do “pugresso”, dizem eles. E as madres superioras que os acompanham nestas purgas.
Isto a continuar assim, as vaquinhas vão ter de ser todas fechadas, para não ferir susceptibilidades. Vamos passar a comprar o chouriço no mercado negro e ainda vamos presos se tivermos um porco em casa.
Bom é o vegetal e o azeite, claro que para cultivar tanto vegetal é preciso espaço, mas não há problema em deflorestar, se for para plantar couvinha de Bruxelas. Mas agora sem vaquinhas, como é que vamos adubar? É que adubos artificiais nem pensar. O importante é as baterias. Mas para sacar o lítio são precisas máquinas a diesel… que difícil o mundo real.
E agora com as casas de banhos partilhadas é que vai ser…. pergunto-me se existem mulheres defensoras desta idéia… é que se há, não se devem importar muito com a sua higiene… pois partilhar a sanita pública com homens, é de uma badalhoquice tremenda… Não se esqueçam que 95% dos homens têm má pontaria. Eu, que sou homem, é que não me sentaria numa.
Homem não … gente.
Vão por mim: além dos tarados da comida macrobiótica, são os muçulmanos que denunciam os tweets destas coisas. A destruição dos costumes ocidentais ajuda à invasão em curso e pavimenta o caminho para o futuro.