Hoje e nos próximos dias suceder-se-ão as análises sobre a vida e o papel político de Fidel Castro, uma das personalidades mais fortes e marcantes do século XX. Porém, a morte do líder cubano deve convidar-nos também a relembrar todos aqueles que, com prejuízo para a sua parca liberdade e segurança, se atreveram a denunciar o regime ditatorial que submeteu um país inteiro à indigência.
Conhecemos relativamente bem os opositores das gerações mais velhas, gente como Guillermo Fariñas, Elizardo Sánchez, e o colectivo Damas de Branco. Mas existe uma ala jovem, tão ou mais activa. Los Aldeanos, um duo formado por Bian Oscar Rodríguez Gala “El B” e por Aldo Roberto Rodríguez Baquero “El Aldeano”, estão na vanguarda da nova dissidência. Usam como instrumento de acção política um dos poucos ‘produtos’ que conseguiu furar o embargo: o hip hop.
Formado em 2003, o duo Los Aldeanos deixa claro ao que vem nos títulos dos álbuns que editou e no nome dos projectos que integrou: o primeiro trabalho recebeu o título “Censurado”; o segundo intitula-se “Poesia Esposada” (Poesia Algemada); e, em 2007, integram o colectivo “La Comisión Depuradora”.
As letras têm um propósito claro. Contudo, e em linha com a tradição da música de intervenção feita sob o jugo de ditaduras, os versos estão pejados de subtilezas que tornam os textos ambivalentes – e que mantêm os autores fora da prisão. “No le tengo miedo” é porventura um dos melhores exemplos da capacidade de criticar frontalmente o regime de Castro através de uma letra cujo valor facial não é político. O que, à primeira vista, é uma ode à vida e à superação das dificuldades quotidianas, esconde um apelo à resistência e à liberdade.
Y yo sé que yo
a la vida no le tengo miedo
y aquí no se rinde nadie no
seguiré de pie levantando mi voz
Y yo sé que yo… Y yo sé que yo…
Los años no engañan, el tiempo puede estar bravo
que yo sigo siendo yo, y a los falsos caso no hago, no!
trabajo diariamente, no soy creyente ni vago
ni me rindo, ni me paro, ni me canso, ni me apago
Destruir la poesía de fe con podrida prosa
es como ver encajada en un clavo una mariposa
a la luz la creación, a lo oscuro, el facilismo
tu podrás ser quien tu quieras fiera, que yo soy yo mismo
Lo más importante es la visión real que tengas
que nadie te meta un cuento y la mente te la entretenga
en mierda, basura, drogas, dinero y prostitución
porque todo eso, no es más que perdición
Voy en dirección contraria, el agor lleva muchos
porque escucho a mi corazón y con mi corazón lucho
son tiempos de ahogo espiritual, de idas absurdas
la gente dobla en lo reto y coge reto en la curva
Em Portugal, país apaixonado por cantautores como Zeca Afonso, os projectos musicais como Los Aldeanos deveriam ser venerados. Hoje é um bom dia para começar.

qual liberdade, a daqueles que conviveram bem com o salazarismo, e continuam a conviver com as injustiças e pobreza de milhoes de assalariados aqui ? Que moral tem o Diogo, sim que por mais “genuino ” que seja, se for, continua a conviver na boa com as atrocidades cometidas nesta democracia contra os explorados, aqui ? Talvez por isso lhe sobre tempo.
Por outro lado, e aqui está a essencia, além da precaridade democratica, aqui e no mundo, também nós e o mundo vivemos acima das possibilidades. Até o povo cubano certamente também vive um tanto acima das possibilidades …
Porque o Diogo nao vai pregar democracia e liberdade para a africa da fome ? E é este o mistério…
cpt
“s o s” é, sem dúvida, o ‘nick’ mais adequado para quem escreve um comentário assim. Não sei do que precisa, mas é urgente.
Já li o seu comentário 3 vezes. E continuo sem acreditar que comparou Portugal contemporâneo a Cuba.
Dito isto, retribuo os cumprimentos.
Muito bem, Diogo. O manto de silêncio imposto pelos “admiradores da revolução cubana” que ainda pontificam nos circuitos mediáticos cá do burgo silencia toda a realidade desse país que não é filtrada pela propaganda oficial. O que diz muito sobre a qualidade da informação dominante.
Esse manto é similar ao que esconde a RT e a Sputnik e que esconde isto :
https://www.youtube.com/watch?v=S7LMRGD9 FG4
Já quanto ao Hip-pop nem vale pena escrever nada…