Há uma hipocrisia sísmica nas sociedades contemporâneas, que em Portugal atinge um valor especialmente elevado na escala de Richter. Os políticos habituaram-se a ignorar com impunidade a vontade dos eleitores, mas passam o tempo a reclamar que é preciso escutar mais o povo. Os meios de comunicação destacam-se pela superficialidade e perderam a capacidade crítica, preferem o sensacionalismo e a histeria. Assim, a decisão dos eleitores britânicos de saírem da União Europeia não devia ser tão surpreendente e não admira que a cobertura do Brexit seja marcada por intervenções de tom apocalíptico.
As pessoas deixaram de acreditar em tantas promessas falhadas e catástrofes não concretizadas, preferem que os políticos as deixem em paz, o que abre caminho ao primeiro demagogo com língua de prata. Os cidadãos informados querem mudança e têm tido apenas desilusões. A opinião pública sente-se enganada e isso não é um fenómeno local. Dou apenas alguns exemplos: o presidente francês que prometia mudar o Tratado Constitucional foi o mesmo que aprovou leis laborais de direita, ou reformas estruturais, como agora se diz; o Syriza que ia partir a loiça meteu a viola no saco e é hoje um banal partido social-democrata que pratica a austeridade; a chanceler alemã que queria aceitar todos os refugiados envia-os agora para trás. Mas podia citar outros exemplos (em Portugal, Espanha) sobre a forma como os políticos em funções têm escondido a realidade, inventando fábulas convenientes que os levam ao poder, sabendo à partida que não poderão cumprir as promessas que fazem. Boris Johnson é apenas a mais recente aquisição deste pacote de vendedores de banha da cobra, (como é que ele vai descalçar a bota e evitar a saída a sério?) Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, acha que seria boa estratégia Portugal ameaçar Bruxelas com a realização de um referendo sobre a UE*. Talvez seja útil que alguns partidos de protesto e políticos demagogos consigam chegar ao poder: poderão mostrar como é que se faz e os eleitores vão fartar-se rapidamente deles. Infelizmente, isto só não é viável por causa dos estragos que fariam.
A política europeia actual é como aquele jogo táctico que vimos ontem na TV: tudo muito apertadinho e defensivo, antecipado por conversas intermináveis e o anúncio histérico de coisas sensacionais que depois se revelam uma sensaboria pegada. O que é verdadeiramente decisivo nunca se vê com clareza e aquilo que se vê é sempre elogiado pelos comentadores. Depois, surgem os peritos e explicam tudo tintim por tintim (por cada hora de futebol, há dez de explicação). Os orgulhosos vão mais cedo para casa. Isto é sobretudo para tácticos e para cínicos, exige paciência e jogo de cintura, golo no primeiro remate. A Europa continua, estejam descansados, embora seja cada vez mais complicada e sem margem de manobra. Os políticos vão continuar a vender ilusões e a culpar a sorte pelos maus resultados. Os meios de comunicação continuarão no plano inclinado da futilidade. Ah, e não resisto ao lugar comum: no fim ganha a Alemanha.
*A afirmação de Catarina Martins é delirante. Como mostrou o Brexit, o problema de um referendo está na possibilidade de haver uma resposta prejudicial. Portugal não tem qualquer condição para sair da UE sem cair num empobrecimento que seria sempre rápido. Como é que se pagavam os salários e pensões? Não somos uma potência como o Reino Unido, que exporta para todo o mundo, e somos muito mais pobres do que os ingleses. A afirmação pode ser radical, mas também pode ser um exemplo de bazófia lusitana: vamos lá e fazemos ameaças, pregamos um grande susto. Só que a chantagem e o bluff têm sempre o perigo do outro lado não se importar muito. A resposta mais provável seria ‘querem fazer referendo? força lá com isso’


“Talvez seja útil que alguns partidos de protesto e políticos demagogos consigam chegar ao poder: poderão mostrar como é que se faz e os eleitores vão fartar-se rapidamente deles. Infelizmente, isto só não é viável por causa dos estragos que fariam.” Tem graça, eu penso exactamente como você mas exactamente no pólo oposto. Isto é, talvez seja bom que os partidos do seu gosto (os do lado contrário ao meu) cheguem ao poder e que possam mostrar como é que se faz e os eleitores se fartem rapidamente deles. Infelizmente, isto só não é bom por causa dos estragos que fariam (fizeram). Que fizeram, vide Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque, Paulo Portas. Veremos com a Espanha.
” Tem graça, eu penso exactamente como você mas exactamente no pólo oposto. Isto é, talvez seja bom que os partidos do seu gosto (os do lado contrário ao meu)”
Tenho uma triste notícia para lhe dar, neste sistema, pertencem os dois ao mesmo cabaz de fruta, maçãs ou peras tanto faz mas, fundamentalmente, iguais no seu colectivismo, talvez se distancie de alguns partidos de protesto e políticos demagogos porque aí, apesar de estarem, também, no mesmo cesto, esses gostam, mesmo, do chamado durian ou durião, aquela fruta fétida com um cheiro, tipo mistura de bosta com cadáver em decomposição e não faltam apreciadores desta fruta, apesar de certos países terem legislado, para não poder ser comida em público e não faltam avisos de proibição, seja em hotéis ou em carros alugados.
Eu estou pior que vocês dois e até dos que apreciam duriões porque, dentro desse vosso cestinho, não tenho partido ou fruta que goste e acabo, à força, por comer daquilo que não gosto, no fundo, até me contentava com o sistema suíço, um Estado magrinho que só serve para gerir e ter que perguntar quase tudo em referendo. Onde não há Poder, não há “favorzinhos” nem corrupção e limitam-se a fazer aquilo que os contribuintes lhes pagam para fazer e… mais nada do que isso.
Se não percebeu com a conversa da fruta, pode perceber com quem lhe pode explicar melhor, com fruta e sem fruta
só sei que, muito poucos terão uns Solanum lycopersicum, para aguentar uma explicação que dura 1:24:54 
YouTube: vU
https://www.youtube.com/watch?v=jAdu0N1-t
G. Edward Griffin – The Collectivist Conspiracy
De facto viver do endividamento e fazer os outros pagar é que é bom.
Até consta que, querendo, pomos as pernas a tremer aos banqueiros alemães. Pelo menos isto terá sido afirmado por um deputado da Nação, no exercício de tão subida função.
Donde, evidentemente, coisa a levar a sério.
Costa
O BE fica mais genuino se se preocupar com assuntos para que está verdedeiramenet calhado como o sexo do cartão do cidadão; deixem os outros assuntos para os adultos.
Ganha a Alemanha? Espero que informem bem os alemães porque, esses, vão ter de pagar ainda mais, para o Orçamento Europeu, tal como os outros mas, nada que se compare com 2 biliões de euros de aumento, na factura anual. Aliás, para conseguir um regime totalitário a nível global, neste caso, até ajuda o propósito da UE, todos têm de empobrecer, até a Alemanha.
Quanto ao Bloco querem o mesmo que os outros, Poder e, no fundo, se a UE quer caminhar para um regime totalitário a nível global, Bloco & Cª Lda também lhes sabia bem, um desses mas, a nível caseiro só que, sem petróleo nem dinheiro da UE, faziam o mesmo que os Gregos, “metiam a viola no saco”. Se a malta não quer aprender, acaba sempre por aprender “à cabeçada nas paredes”, dói mais mas, têm preferido assim e gostos não se discutem.
Qualquer país que saia da UE, só tem uma única salvação para a economia e, é possível, basta ver o que fez a Alemanha, a nível económico, quando estava totalmente devastada pela 2ª Guerra Mundial, era difícil encontrar um edifício que tivesse ficado de pé e, conseguiu transformar-se num gigante económico, ao contrário da sua outra metade, que em vez de cortar nos impostos e deixar investir e trabalhar os pequenos e médios empresários, entregue a esquerdistas que pensam que basta ir distribuindo fatias de Tarte, o problema é que o ser humano tem de ser motivado para as produzir, porque se ganhar o mesmo produzindo 10 ou 1000 e, o lucro de 990 desaparecer com impostos, para quê cansar-se a fazer mais? A maneira mais rápida de ficarem todos sem tartes mas, todos igualmente esfomeados. Excepto a minoria que gosta desse sistema, como se vê na Venezuela, além de tartes até comem lagosta, enquanto a maioria vai morrendo de fome.
Quando não se aprende nada, com a História, ela passa da teoria à prática e voltam a ter de aprender da pior maneira. A maneira que os Tolos gostam e os “mamões” agradecem 😉
Quanto aos países que continuam dependentes, da vinda do dinheiro de fora, naturalmente que os políticos só podem mentir, basta imaginar a reação de um drogado, quando lhe dizem, no auge do vício que vai ter de entrar em período de abstinência forçada. Suponho que para os políticos, esses tremem com o fim da UE, deve ser uma espécie de pesadelo ver a espada sobre a cabeça onde, perder as eleições seria o menos mau porque, passavam a não poder andar, por aí, com sorrisos tolos ou a dar beijinhos e abraços.
Mas se houvessem políticos, daqueles que explicassem, sem aldrabices, o que se poderia fazer e, como, para atingir o quê, tudo com transparência, pôr todas as contas na net (mesmo à mercearia, para o povo perceber, nada de contabilidades “finas”), para serem de fácil consulta pública e para saberem para onde ia cada cêntimo. Fazendo referendos e, como somos poucos até podia ser por SMS, para perguntar onde aplicar o dinheiro que fosse aparecendo, aí, suponho que atravessaríamos qualquer adversidade mas, numa aldeola como esta, onde todos querem mandar, faltando o dinheiro, realmente, só pode acabar mal, ao insulto ou mesmo chegar a vias de facto.
O que os políticos parecem não perceber ou fingir que não sabem, especialmente os de cá, é que o povo até aceita ter de ultrapassar dificuldades que compreenda mas, fica virado do avesso com as aldrabices e as trafulhices e, nesse campo, têm sido décadas e décadas do mesmo, depois ainda se admiram com a abstenção… pois…
“Mas se houvessem políticos,” Pelo seu nome pouco comum e pelo desconhecimento da gramática suponho que não tem nacionalidade portuguesa. Acertei?
Primeiro, tinha que saber escrever em inglês, tão bem como eu escrevo em português, para passarmos a esse tipo de “confidências privadas”
mas, se houver, por aí, alguém que nunca tenha feito um erro ortográfico que atire a primeira pedra 
Como tenho família no Brasil, EUA, Macau, França, Alemanha, Suíça, Canadá, com primas que casaram, uma com um japonês, outra com um indiano e, tenho netos que nem sequer são portugueses, digamos que para além do que diz no meu cartão de cidadão, há muito tempo que faço parte de um coquetel linguístico
O problema é que o erro é demasiado primário. Nem um primo japonês faria tal coisa. E quem estudou verbos na Escola primária (ou noutra) não escreveria tal coisa.
Nem precisa escrever mais nada, se tudo o que tem para acrescentar, sobre o assunto, é continuar a “bater na mesma tecla”, será daqueles que adora dependências e servir-se do “prato dos outros” e, desses, acomodados e “encostados à sombra da bananeira”, há muitos. Como pouco ou nada sabem, passam a vida à procura de um pintelho (uma espécie de pintassilgo, da ilha da Madeira
), para se sentirem superiores. Confesso que já esgotei a paciência para aturar cérebros do tamanho de feijões. 
Aqui, só tenho uma dúvida, se o anónimo não será, outra vez, o mesmo que não gostou da resposta que lhe dei num outro comentário. Espero que seja o mesmo porque, pior que um nitwit, são dois nitwits
Se quiser continuar a comentar sobre o mesmo “problema” ou sofrer daquela estranha mania de querer “sair por cima”, se o/a faz sentir bem, dizer a última palavra, faça o favor porque, para um ou para dois/uma ou duas, eu confesso que, para este ano, já esgotei todas as minhas “pérolas”
Que salsada de línguas e como a sua cabeça deve estar confusa com tanta diversidade de falas! Eu vi logo que o português não era a sua língua materna.
Joana Melo.