Nem à esquerda nem à direita: é mais ao fundo


Teresa Ribeiro,

Há problemas responsáveis pelo nosso atraso que transcendem a política. Não vale a pena procurá-los à esquerda e à direita, porque não são consequência directa de programas políticos como a propaganda dos diversos partidos nos quer fazer crer. O Estado engordou desmesuradamente em Portugal não por causa dos keynesianos, mas sobretudo para dar emprego a sucessivas hordas de boys, familiares e amigos. A despesa pública disparou para financiar PPP só em teoria vantajosas para o Estado, para pagar gestores públicos incompetentes, subsidiar fundações de fachada e sustentar institutos inúteis, entre muitas outras aberrações sobejamente identificadas.

Qualquer análise, desde que honesta, não poderá imputar responsabilidades exclusivas por este manual de maus costumes a nenhum dos partidos que conhecemos. Se assim não fosse, a alternância democrática teria funcionado, evitando que esta desastrosa gestão acabasse por minar e tolher a coisa pública a ponto de comprometer a viabilidade de um país.

A corrupção, que é o ponto de convergência de toda esta trapalhada, se fosse controlada poderia, quem sabe, fazer de nós um país tão próspero  como a Finlândia. Daí que mais do que político, o nosso maior problema seja de ordem moral. Quando vejo os políticos a discutir encarniçadamente modelos económicos com mais Estado ou menos Estado e modelos sociais com mais protecção ou menos protecção, pergunto-me quando é que o ímpeto reformista os levará a mudar realmente. E a fazer o que é preciso para que esses modelos que defendem à esquerda ou à direita possam funcionar. 

Há sinais que revelam até que ponto os partidos são conservadores em relação ao sistema e que valem mais que mil panfletos partidários.

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