“A História me absolverá” corresponde a uma célebre alegação de defesa de Fidel Castro no julgamento de Moncada em 16 de Outubro de 1953 em que, em vez de terminar pedindo a sua absolvição pelo Tribunal como habitualmente fazem os advogados, terminou declarando irrelevante que os juízes proferissem a sua condenação, pois apenas lhe interessava a absolvição da História: “Condenadme, no importa. La historia me absolverá“. A repercussão causada por esse discurso seria o rastilho que levaria à revolução que derrubou Fulgencio Baptista.
Passos Coelho, pelos vistos, não se importa minimamente com a História, uma vez que perguntado se esperava a absolvição desta, respondeu com um singelo “não sei”. Conclui-se assim que Fidel Castro pode ter atirado Cuba para o desastre, mas ao menos tinha convicções. Passos Coelho nem isso tem. A sua política resume-se assim a aplicar o Diktat germânico, qualquer que ele seja. Faz lembrar Groucho Marx: “Those are my principles, and if you don’t like them… well, I have others.“

Já o engenheiro em filosofia não tem essas dúvidas. Sabe que a história o colocará num pedestal.
Há momentos em que a piedade vem ao de cima. Na realidade Pedro Passos deu uma resposta acertada. E é tão acertada assim porque ele de história não sabe muito ou nada.
Passos é de uma geração, quer por nascimento quer por acidente, vivida e moldada em territórios vastos, e dessa vastidão só lhe ficou a geográfica e não a social. Tudo o que veio depois foi alimentado pela nostalgia do que outros viveram e do que também sonhavam e sonharam. No seu âmago, para além do anteriormente referido, do social, deve ter ficado impresso as brincadeiras descomprometidas de crianças que correndo e guerreando pela vastidão da terra conquistavam mundos imaginários. Como te compreendo, camarada.
Vai daí, saídos dessa infãncia e de uma adolecêsncia sobressaltada, entram num mundo de virtudes virtuais, que aprisionadas por reais personagens tornavam este mundo tão virtual quanto a sua dimensão. E, tal como estes, esquecido(s) da leitura histórica e geográfica, sonhavam e discursavam sobre mundos a conquistar que nunca realizaram. Mas conquistavam sim, manhosamente, e sem o saber, com o mau sabor paternal de um estado putrefato que ambicionavam perpetuar pela mudança de clientes, a sua própria desgraça.
O povo condena-vos pelo que devieis ter feito, diferentemente, e que por falta de firmeza não fizestes.
Um tipo sem convicções não pode reduzir o défice de 14% para 5% pois é um tipo mesmo mau.
Já quando se tem convicções já se pode mandar fuzilar, torturar , prender quem lê um livro errado, imprime um jornal ilegal, escutou a rádio errada, e ser obrigado a viver com 1/4 do rendimento do país do tipo sem convicções.
“You may pronounce me guilty,” declared Adolf Hitler during the trial in 1924 for his failed Rathaus putsch, “but the eternal court of history will absolve me.”
“Condemn me, it doesn’t matter” declared Fidel Castro during the trial in 1953 for his failed Moncada putsch, “history will absolve me.”
Passos Coelho, ficará na história como o primeiro ministro, mais mal preparado de sempre e a todos os níveis. Este, não ficará imortalizado, mas sim morto e bem morto, para a história.
A História tem figuras mais interessantes a quem se dedicar.