“Em fevereiro de 2013, João Miguel Barros, chefe de gabinete da ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, e homem da sua confiança pessoal, bateu com a porta e avisou que o Citius e outras plataformas informáticas iriam comprometer o arranque do novo mapa judiciário.
Na altura, as verdadeiras razões da demissão permaneceram no segredo dos deuses. Hoje, o DN sabe que a saída se deveu ao alerta do chefe de gabinete de que era necessário rever urgentemente o sistema de informação dos tribunais.”
No dia em que o João Miguel se demitiu fiquei apreensivo. Porque sabia o trabalho que tinha entre mãos e há muitos anos lhe conhecia o empenho naquilo em que apostava e a sua capacidade de realização. Na altura, sem querer desvendar razões, limitei-me a mandar-lhe um sms com um abraço amigo e disse-lhe que esperava que tivesse sido por boas razões. Ele confirmou-me que tinha sido pelas melhores razões e acrescentou mais duas palavras que a mim me dizem muito, mas que me abstenho de reproduzir, sem me dizer o porquê da sua decisão. Também nunca o questionei sobre isso. Não tinha esse direito. Porque a despeito das divergências políticas há coisas que devem ficar só entre pessoas que se estimam e compreendem. Aos poucos, pelos textos que publicou no Expresso, fui percebendo melhor o filme. O que o DN revela agora só veio confirmar-me o que há muitos anos penso do João Miguel. Há valores que estão acima de nós, que estão para lá da amizade e da política, e que é preciso continuar a respeitar, preservar e transmitir às futuras gerações. Para lá da circunstância de cada um de nós. A lealdade é um deles. Para com os que nos rodeiam. Em especial para com a nossa consciência.


Parece-me que hoje quando alguém se queixa de falta de lealdade outro alguém entende isso como lamechice, insulto e uma atitude pouco democrática.
Houve certamente conselheiros pouco ou nada leais porque é óbvio e evidente que a ministra, pessoa do melhor que há no governo, seria a primeia a não desejar que a situação actual ocorresse.
Parece mais o procedimento de Pilatos.
Se não tornou públicas as razões da sua demissão por lealdade à ministra na atura é uma deslealdade fazê-lo agora que ministra está a ser contestada.
Se está a divulgar as razões agora por lealdade para com o público (que é a quem o funcionário público deve lealdade) então foi desleal não as divulgando quando saiu.
De qualquer modo como parte do público agradeço-lhe o aviso de que o sistema se iria desmoronar a 1 de setembro, mas da próxima vez diga antes do mal estar feito.
Cansam-me as pessoas que só denunciam irregularidades que conhecem quando estas já são do domínio público.