Não podemos ignorar


Pedro Correia,

Quatro anos depois da posse deste governo, a administração pública funciona melhor? Há menos corrupção? A saúde melhorou? A educação conheceu grandes progressos? A justiça progrediu? Há mais segurança? Há mais emprego? A economia está mais pujante? As finanças melhoraram? E as perspectivas de futuro?

Ninguém pode ter dúvidas quanto às respostas negativas – a todas estas questões ou grande parte delas. Lembrei-me disto enquanto ouvia a entrevista de José Sócrates à RTP, em que o primeiro-ministro exibiu a arrogância de sempre: não proferiu uma só palavra a reconhecer que errou, neste ou naquele domínio. Como se vivesse num mundo de ilusões.

E no entanto a realidade aí está, à vista de todos. Vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar.

 

Ler também:

– Os Dardanelos, Winston, os Dardanelos. De Filipe Nunes Vicente, no Mar Salgado.

– Sócrates abalado. Do Rui Costa Pinto, no Mais Actual.

– Freeport, o Gólgota de Sócrates. Do Henrique Raposo, no Clube das Repúblicas Mortas.

– O homem das anadiploses ainda não percebeu onde está o problema. De Carlos do Carmo Carapinha, no 31 da Armada.

12 comentários em “Não podemos ignorar”

  1. Não podemos ignorar, mas há pior, Pedro. Quando vermos, ouvirmos e lermos que o PS de Sócrates ganhou as eleições outra vez e por maioria absoluta. Aí é que vão ser elas… e nessa altura o que é que chamamos aos portugueses? (eu incluído, sem querer votar no PS e sem saber para onde me virar… já faltou mais para emigrar).

  2. Ironia: a única forma de comentar a entrevista do PM (http://mudaportugal.blogspot.com/2009/04/ironia-unica-forma-de-comentar.html)

    Questionado sobre o que tem dito Cavaco Silva, respondeu: “As palavras do PR não se referem ao governo, porque o governo não está a fazer isso”. Pois não, Cavaco referia-se ao governo da Gronelândia.

    Sobre as grandes obras e os seus estudos de custo/benefício, Sócrates soube dizer apenas: “Vão ao site do ministério das obras públicas e têm lá todas as informações”. Muito obrigado Sr. PM. Excelente esclarecimento aos portugueses.

    Relativamente à crise que se abate sobre Portugal, o PM disse: “É preciso que os portugueses saibam que a OCDE prevê uma recessão para a Alemanha 5.6%, Itália 4.3%, Japão 6.6%”. Exacto, mas sobre o que se passa neste país, não precisam de saber.

    E disse mais: “Eu quero chamar a atenção para o seguinte: A Irlanda…”. Exacto, é essencial chamar a atenção dos portugueses para a Irlanda, e desviar as atenções do que se passa em Portugal.

    No meio das soluções para a crise: “Demos um apoio pré-natal que atinge 157.000 grávidas”. Olha, estás a ver que generoso que é este governo. Existem 500.000 desempregados, mas esses que se amanhem. Agora o complemento para grávidas, isso sim é essencial nesta altura.

    Por último, sobre o caso Freeport, José Sócrates disse: “Não tenho intervido sobre o caso Freeport, por respeito pela seriedade da investigação” […] “Há uma coisa que não quero deixar de dizer. A forma como nasceu o caso Freeport. Foi a PJ em conjunto com dirigentes do PSD e do CDS”. Então em que é que ficamos? a investigação é séria ou não?

    “Disseram que havia uma queixa em Bruxelas. Não é verdade, essa queixa foi arquivada”. Ora bem, se foi arquivada é porque havia realmente uma queixa. E sendo assim era verdade, certo?

    “Eu agirei contra todos aqueles que me citem neste processo”. Será que também vai agir judicialmente contra a polícia inglesa?

    “O silêncio dos outros profissionais, em relação ao Telejornal da TVI vai contra o código deontológico dos jornalistas”. Hum… e os comentários e artigos de opinião da sua namorada? Não vão eles contra esse estatuto também?

  3. Ele não vive num mundo de ilusões, Pedro, é pior do que isso: quer impingir-nos um, como se fossemos todos atrasados mentais. É essa a faceta que mais me incomoda em Sócrates.

    E os sucessivos recados para o PR? Inacreditáveis, quase ofensivos.

  4. E ficamos a saber que em relação a jornalistas e ao jornalismo que Sócrates preconiza como sendo o mais decente, o director do DN encontra-se na vanguarda. Enfim, nada que nós já não soubessemos….

  5. Com a cruz para carregar
    como sinal de provação,
    há quem goste de propagar
    uma repelente vitimização!

    A bicicleta é para pedalar
    exigindo alguma habilidade,
    muitos gostam de veicular
    uma tremenda falsidade!

    O mexilhão desportista
    também gosta de ciclismo,
    uma imoralidade elitista
    caracteriza o socialismo.

  6. Mas que vida dura o Sr. leva.

    Num dia, o Prós e Contras.

    No outro, uma entrevista mastodôntica (dizem) ao Sócrates, que já temos de gramar todos os santos dias a botar faladura em todos os telejornais (bem, menos o de 6ª feira da TVI) é mesmo caso para arruinar o equilíbrio nervoso a qualquer pessoa normal e saudável.

  7. E o Simplex serviu para alguma coisa?

    Por ter caducado o meu BI desloquei-me 2 vezes à Loja do Cidadão dos Restauradores, onde de uma vez não distribuíam já senhas para atendimento (embora faltassem umas 3 horas para fechar) e da outra estava tão demorado que tive de ir-me embora.

    Descobri que se pode agendar um atendimento, o que fiz. Fui atendido no dia certo à hora certa, num prédio da Av. Fontes Pereira de Melo.

    Mas o tal cartão de cidadão, grande motivo de orgulho (e que me custou 12 euros), vai levar, na melhor das hipóteses, 3 a 4 semanas a ser-me enviado.

    Indicaram-me logo um telefone para onde devo ligar se passadas umas 5 a 6 semanas não receber a carta para o poder ir levantar.

    Isto é que é progresso, carago!

    1. Progresso e consideração pelo cidadão: repare-se que SOU EU que tenho de ligar se, passadas 5 a 6 semanas, o meu cartão não andar nem desandar: não é o serviço público que entra em contacto comigo a comunicar que se passa isto ou aquilo…

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