
Os perigos de ir às compras são ilimitados. Há mais de seis meses fui com o meu marido às compras a uma grande superfície comercial. Enquanto ele, com as lunetas empoleiradas na ponta do nariz, procurava o 560 nos códigos de barras dos produtos, eu ia seguindo calmamente a dissertar sobre as propriedades e benefícios das bagas goji. Depois de pesar duas beringelas, três courgettes e um pimento de cada cor e enquanto tagarelava alegremente, agarrei-o por um braço e impeli-o na direcção dos escaparates das frutas uns passos mais à frente. Realmente na altura surpreendeu-me bastante a sua relutância e forte resistência em me acompanhar…
Que raio é que o prendia à caixa dos tomates chucha? Já tínhamos concluído que não eram espanhóis e inclusive pensei que ele já andava com eles na mão, num saco em que os tinha ido pesar. Voltei-me para ele ao mesmo tempo que proferia pespineta: “Então?”… e foi quando dei de caras com um perfeito desconhecido, completamente atónito por estar a ser arrastado com alguma violência por uma maluca que falava sozinha e lhe perguntava se já tinha os tomates pesados. Alguns metros atrás, o meu marido tinha a cara mais vermelha do que os ditos chucha que trazia no saco, de tanto rir à custa da minha atrapalhação.
Está visto que daí para a frente, em todas as reuniões de família, “Aquilo dos Tomates” passou a ser contado e recontado até à exaustão.
Tudo bem, que rir é saudável e é bem feito, porque os devaneios dispersos das senhoras entradotas devem ter um preço, e como diz o ditado “à primeira, qualquer cai; à segunda, cai quem quer,” por isso toda a atenção é fundamental se quero manter os meus padrões de pessoa pertinente.
Uns dias antes do meu aniversário, em Agosto, no balcão de reclamações duma outra superfície comercial, confundi um rapazola com o meu genro, filei-o por um braço e disse-lhe “anda, filho.” Bem, nem queiram saber a cara que me fez! Um estranho esgar de onde quase se ouvia gritar “Olha olha a velha maluca a ver se me engata! Credo! Eu, uma Cougar, quando o único Cougar que conheço é (ou era) o Mellencamp.
Aceito sugestões que não passem pela que a minha neta propôs, um colete com o seguinte texto: “Se esta senhora o agarrar, fuja!”
(Imagem Google)
Haha!
Eu agora também já me rio
Bom Domingo, Luck.
Já me fez dar boas gargalhadas, se um dia for agarrado por uma desconhecida já sei quem é

Um resto de bom dia
Pedro Cunha
” Cuidado com a Velha” é uma sugestão em cima da mesa.
Bom Domingo, Pedro.
Muito bom!

Também já me aconteceu a atravessar uma passadeira.
No supermercado, o mais frequente é agarrar um carrinho que não é o meu.
A situação do carrinho, é recorrente, Susana, mas dou o devido desconto porque deixo sempre o carrinho num lugar acessível, mas não ando com ele a escolher e a pesar géneros. E com a agravante de os carrinhos serem todos iguais.
A primeira vez que agarrei um senhor, foi numa livraria em Braga, mas dei logo por isso…
habituei-me a comer tomates Coração de Boi em casa do 2º marido de minha Mãe
uma mulher dizia para outra «os melhores tomates são os do Sr. João»
Não há melhor fruto do género para salada, entulho.
Quantas vezes me aconteceu…
Fico sempre embaraçada à enésima potência, caramba. Está claro que passado o embaraço é uma risota, mas na altura é muito mau.