Não há coincidências (9)


Ana Vidal,

I can (2002) – Nas


Nas, nome artístico de Nasir bin Olu Dara Jones, é um conhecido rapper americano. Em 1994, o seu ábum de estreia Illmatic foi considerado por muitos como um dos melhores ou mesmo o melhor álbum de hip hop de todos os tempos e valeu-lhe um lugar elevado nos rankings musicais, pelo  grau de exigência que imprime às suas criações. No ano de 2002 Nas lançou God’s Son, do qual se destaca a canção I Can, aqui apresentada. Desta vez não há lugar a críticas de plágio: o tema Für Elise aparece em fundo, intocado, a referência no álbum é explícita e pretende ser um tributo a Beethoven, como que a provar que todas as fusões musicais são possíveis. Fica a curiosidade.

 

 

Per Elisa (1981) – Alice

 

Alice (que ficou conhecida também como Per Elisa depois deste episódio) é o nome da cantora e autora italiana que ficou famosa por ter ganho em 1981 o festival de Sanremo com um rock “da pesada”, em vez das tradicionais baladas que sempre costumavam ficar em primeiro lugar. A canção chamava-se justamente Per Elisa e colou-se-lhe à pele, a ponto de Alice tê-la incluído em mais do que um dos seus álbuns posteriores e até de tê-la gravado com o simbólico nome “Una notte speciale”, em memória dessa noite de glória. Alice pode agradecer também a Beethoven pelo êxito que teve, porque Für Elise está presente nesta canção sem quaisquer dúvidas, até para os ouvidos mais abstrusos.  No entanto, apesar do título dizer já tudo sobre a “inspiração”, apesar da potente voz de contralto de Alice ter uma amplitude invejável (quase quatro oitavas, segundo apurei) graças a uma aprendizagem e técnicas do canto lírico, apesar de um dos co-autores referidos no álbum – Giusto Pio – ser um violinista clássico, a verdade é que no disco “Per Elisa” os créditos de autoria são atribuídos apenas a três nomes, sem outras referências: Alice, Franco Battiato e Giulio Pio. Não pode talvez considerar-se um plágio, mas não prima pela correcção. Talvez seja por isso que me irrita tanto.

 

 

Für Elise – Ludwig Van Beethoven

 

O tema original, de Ludwig Van Beethoven. Este é um daqueles casos em que uma melodia, por ser “orelhuda”, é tocada e aproveitada à exaustão ao longo dos tempos, chegando mesmo a tornar-se enjoativa até na versão original.

20 comentários em “Não há coincidências (9)”

    1. Pois não, também acho. E obrigada. Saltei uma semana esta série porque os posts me dão algum trabalho a fazer e não tenho tido muito tempo, mas já estou de volta. Pelo menos esta semana, enfim…

        1. Ups! Um puxão de orelhas merecido… já lá vou espreitar, falhou-me esse post e mais alguns dos últimos dias.
          Não te tenho visto brincar às casinhas ultimamente.

  1. Ó Ana, desculpe fugir ao tema do post, mas tem a certeza que a Alice não será aquela menina Bruna de Mirandela? É que têm algumas semelhanças e como ambas estão ligadas à música… ;-))

  2. Mais duas “Für Elise” :

    http://www.youtube.com/watch?v=qKHIoiMQNkk&feature=player_embedded

    (2001)

    http://www.youtube.com/watch?v=7S2OpbsGAXs

    (1999)

    ou seria “Für Therese”?

    http://www.dw-world.de/dw/article/0,,4603598,00.html

    http://books.google.pt/books?id=Tq5ci-9OMLEC&pg=PA208&lpg=PA208&dq=The+girl+in+question+must+have+been+Therese+Malfatti,+since+Beethoven+had+no+…&source=bl&ots=-1rbADfvRh&sig=TOfjPEnPsYkTYZnYeC_Jd1oCQ7o&hl=pt-PT&ei=5MjxS_ygGpKZ_Qb4zPTmBg&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CBUQ6AEwAA#v=onepage&q=The%20girl%20in%20question%20must%20have%20been%20Therese%20Malfatti%2C%20since%20Beethoven%20had%20no%20…&f=false

    http://www.youtube.com/watch?v=xdyWbXsvvDg

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Para_Elisa

    O tema dá pano para mangas. Este blog está aberto a toda e qualquer sugestão, certo? 🙂

    1. Claro que está, Ana, e ainda as agradece! Neste caso tive de escolher, porque há de facto muitas versões sobre o tema original. Também li alguma coisa sobre o nome, para responder à sua questão: “ou seria “Für Therese?” Mas ando sem tempo para desenvolver mais os textos, e os links que deixo nos posts dão pistas a quem quiser aprofundar mais… só quero salientar as melodias, por comparação.
      E agora vou espreitar os links para ver as suas escolhas. Obrigada!
      🙂

    1. Obrigada, Jorge. Não sei exactamente responder-lhe na mesma terminologia musical, mas sei o que quer dizer. Esteja atento a esta série e traga sugestões, ok?

      1. Apanhei esta série a meio. Deixo-lhe os parabéns pela excelente escolha que já aqui tem.

        Quanto a sugestões, posso deixar uma?

        Há um tema que me fascina e que é o seguinte: se um dos grandes compositores clássicos vivesse na actualidade, o que faria ele? Seria também músico? Se sim, que abordagem seguiria? Estaríamos perante um Andrew Lloyd Webber ou um John Williams? Ou seria antes um John Lenon ou um Kurt Cobain? Ou, porque não, um Jacques Brel ou um Carlos Paredes?

        Os compositores clássicos foram homens do seu tempo e, portanto, é bem possível que se agora vivessem fossem um destes nomes. Mas mesmo assim continua a incerteza quanto à abordagem musical, no que respeita a forma de concretização do seu génio.

        Neste sentido, há um grupo de virtuosos brasileiros (Camerata Brasil) que gravaram o CD intitulado “Bach in Brazil”, o que poderia ser *uma* abordagem da música de então tocada agora. São temas de Bach adaptados pelo grupo, lado a lado com outros da sua autoria.
        Exemplos:

        Concerto for Two Violins in D Minor BWV 1043 (no vídeo está 1041 mas está errado)
        http://www.youtube.com/watch?v=IrgX6TcbIiA
        e o original, já agora, como foi escrito:
        http://www.youtube.com/watch?v=R68EOgq4YxU

        Chorando Baixinho
        http://www.youtube.com/watch?v=CnuawEB-PRc

        Bach Brandenburg Concerto No.6 – Mov.3/3 BWV 1051
        (embora com um aborrecido som de fundo)
        http://www.youtube.com/watch?v=Zm1no32vCe0
        e o “original”:
        http://www.youtube.com/watch?v=aoc-4P1rZ80

        “Remexendo”
        http://www.youtube.com/watch?v=UThBWxIFXNQ

        1. Excelentes questões, Jorge, mas não para esta série. Aqui apresento plágios, coincidências e semelhanças curiosas entre melodias. Conheço o álbum “Bach in Brazil”, que não se enquadra aqui mas é curiosíssimo. Obrigada pelos links. Mas é interessante especular sobre isso que propõe… como se manifestaria o génio musical dos compositores clássicos consagrados, se vivessem hoje? Lembro-me de ter uma vez estabelecido um paralelo possível (que mantenho, aliás) e de quase ter sido crucificada pela ousadia. Comparei Elton John a Mozart, que em vários aspectos acho parecidíssimos: a mesma personalidade irreverente e quase infantil, a mesma genialidade criativa sem artifícios, o mesmo gosto pela provocação. Mas é preciso ser-se capaz de olhar cada um na época em que viveu para poder compará-los… no caso de Elton John, ainda não há distância temporal suficiente para uma crítica mais “ampla”.
          Volte sempre.

          1. Sem dúvida Ana, eu próprio cheguei a essa conclusão depois de deixar o anterior comentário, que escrevera antes de chegar ao 1º texto desta série.

            Elton John e Mozart? Quem sabe… Músicos do seu tempo.

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