Não há coincidências (12)


Ana Vidal,

 

 

 

Because (1969) – The Beatles


 

 

Chegaríamos fatalmente aos Beatles. Que não me trucidem os amantes incondicionais dos 4 magníficos (eu própria sou fã,  embora não de tudo o que eles fizeram), mas também eles sucumbiram à tentação. Because é uma belíssima balada escrita por John Lennon (créditos, no álbum Abbey Road, para a dupla Lennon/McCartney).  Uma das curiosidades desta canção é a tripla dobragem de vozes de Lennon, McCartney e Harrison, de maneira a obter um resultado final de nove vozes, que lhe dão uma projecção muito especial.  Outra, é o facto de ter sido “inspirada” – a  palavra usada por Lennon – na celebérrima Moonlight Sonata, de Beethoven. Segundo John Lennon, a sua mulher Yoko Ono estava a tocar essa peça musical quando ele lhe pediu, subitamente: “importas-te de tocar isso ao contrário”? E pronto, assim surgiu Because, uma espécie de luar invertido, seja lá isso o que for. Valha-nos a melodia, porque a letra é esta pobreza confrangedora:

 

 

Because the world is round it turns me on
Because the world is round…aaaaaahhhhhh

Because the wind is high it blows my mind
Because the wind is high……aaaaaaaahhhh

Love is all, love is new
Love is all, love is you

Because the sky is blue, it makes me cry
Because the sky is blue…….aaaaaaaahhhh

Aaaaahhhhhhhhhh….

 

 


Moonlight Sonata – Ludwig Van Beethoven

 

 

A melodia original, aqui ainda antes de ser virada do avesso...

26 comentários em “Não há coincidências (12)”

    1. Conheço a história completa, José Carlos. Nesta série, limito-me a fazer uma breve descrição dos factos ligados às canções, como pode comprovar nos posts anteriores. Mas tive (procuro ter sempre) o cuidado de deixar links para quem quiser explorar os temas mais a fundo. De qualquer maneira, obrigada pelo seu útil contributo.

      No entanto, ao caricaturar a história da “melodia invertida” não me afastei em nada da verdade, como prova o próprio link que nos deixa. Está lá todo o diálogo em discurso directo entre John e Yoko, contado pelo próprio.

    1. Disso não duvido, Ana. É um exercício criativo que deve dar o maior gozo para um músico (dois, no caso). E com o génio musical de Lennon a ajudar, o resultado ficou excelente.

      A sua sugestão é que é de arrepiar os tímpanos! Mas olhe também esta, já agora. Até o pobre do Ludwig, que era surdo, está com cara de quem arrancou um dente sem anestesia!

      LOL (esta é capicua, não dá para inverter)

      Sjb!
      (-:

        1. LOL
          E a sua de deixar os cabelos em pé !
          (ai agora …. como é que eu vou ter lata para aparecer assim depois do almoço?!)
          Sjb!
          (-:

  1. Muito bom (como é hábito). Inveja (como é hábito). “Suporta e abstém-te”, dizem os 20% de estóico que há em mim (se queres saber, 30% são de epicurista; os restantes 75%, de céptico).
    [Eu controlando-me]
    Lembra-me os pintores de antigamente, quando lhes faltava o dinheiro para modelos e eles invertiam as figuras que copiavam dos quadros dos mestres para as incorporarem nos seus quadros. Há quem se dedique, hoje, a esse tipo de caça :o)

    1. Esta saíu das minhas pesquisas, Paulo. A partir de uma dica aqui ou ali, investigo mais e oiço com atenção. Nem sempre concordo, claro. Olha, começo a sentir-me uma espécie de Poirot especialista em crimes musicais… é trabalhoso mas divertido.

  2. Segue uma dica, Ana. Portuguesa. No início dos anos 40, o Fernando Curado Ribeiro teve um mega-sucesso na telefonia, depois passado a disco, chamado “Concerto para Dois”. Esta canção era um plágio descarado o concerto nº 1 para piano e orquestra de Tchaikovsky (se não me engano), com arranjos do maestro António Melo (o mesmo que compôs a ‘Cantiga da Rua’ e tantos outros sucessos da música portuguesa).
    Se não estou enganado, a Rita Ribeiro, filha do Curado Ribeiro, gravou igualmente, há poucos anos, uma versão desse tema popularizado pelo pai.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *