Não era preciso ser bruxo


Sérgio de Almeida Correia,

phpThumb.php.jpgConsiderando as intenções de voto da era de Seguro e o centrão convergente de Francisco Assis, calculo que a única coisa que aqueles tenham a dizer sobre estes resultados é que são apenas sondagens. 

Eu acrescentaria, também, que falta um ano para as eleições e que esta sondagem ainda não reflecte os acontecimentos da semana passada, nomeadamente a prisão preventiva de José Sócrates, o Congresso do PS e a peregrina decisão da Convenção do BE sobre a respectiva liderança.

Vai ser importante saber quais os efeitos destes factos no estado de espírito dos eleitores, e se estes lhe atribuem alguma importância, designadamente confundindo o arguido José Sócrates com o PS e o seu actual líder.

Os resultados desta sondagem são apenas sinais que poderão determinar as estratégias que serão seguidas pelos partidos nos próximos meses. Em relação ao PS e a António Costa eu diria que se abre uma janela de esperança em relação à maioria absoluta, que não permitindo lançar foguetes parece ser consentânea com a vontade dos inquiridos. Quanto ao PSD, 28% é apesar de tudo um bom resultado, pois parece demonstrar a contenção da sangria. O PCP segura o seu eleitorado tradicional e o BE e o CDS/PP prosseguem no processo de esvaziamento, o que revela o desacerto das decisões que as respectivas lideranças têm tomado. Vai ser interessante saber se as próximas sondagens já incluirão o Livre e Marinho e Pinto para se perceber até que ponto estes dois poderão influenciar as escolhas. Finalmente, registe-se também o elevado nível de popularidade do líder do PS, o mais alto entre todos os que surgem na sondagem. 

5 comentários em “Não era preciso ser bruxo”

  1. Os dados de Outubro são um bocado requentados (já passaram três vezes pelo micro-ondas) mas ainda assim se sem apresentar nenhuma proposta política tem 45, quando começar a debitar cá para fora as excelentes ideias é menino para chegar aos 60.

  2. Suponho que estes números não vão durar muito tempo e, por isso, medem apenas o impacto emotivo (mas porventura temporário) da escolha de António Costa para liderar o PS. Marinho e Pinto é o terceiro político mais popular e, no entanto, não tem um único voto. Rui Tavares é mais popular do que Catarina Martins, mas não tem um voto. O CDS, como é aliás da tradição, surge muito pequeno. Antes de tirarmos conclusões, julgo que teremos de esperar pelas sondagens lá para Fevereiro ou Março e depois confiar sobretudo nas agregações de sondagens. O eleitorado está muito volátil. O centro-direita tem 32%. O voto de protesto será certamente muito elevado, mas concentra-se no PS. Porquê? Daqui a um ano será ainda assim?

    1. Concordo muito com o Luís. Quanto ao resto não espero que Sócrates afecte muito o PS, acho que vai ganhar na mesma, é uma questão de lógica, disse logo isso aquando da detenção, contra vozes de amigos. Agora, não é o meu desejo, acima de tudo espero que não tenha maioria absoluta, nem fique perto, mas isto é uma esperança. E se for governo que não vá em galambices e nóvoas, que olhe para homens como Francisco Assis, Luís Amado, Seixas Costa, Pizarro, Gago, Correia de Campos, Vieira da Silva, aqui o nosso amigo Sérgio and so on (deve haver mais gente…).

  3. Está na cara que uma coligação do Santo Costa com os amigos do Kim Jong-Un será governo para duas legislaturas, isto no mínimo dos mínimos.

  4. Sondagens e de Outubro: um pretexto adequado à vontade visível do Sr. Almeida Ribeiro de fugir de Évora…

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