Não é greve, é abuso de poder


Teresa Ribeiro,

 

Das lutas laborais da maioria dos trabalhadores ninguém quer saber, mas quando são os dos transportes que fazem greve, o país pára, escuta e olha. Os trabalhadores deste sector habituaram-se a pôr Portugal suspenso das suas reivindicações, a abrir os telejornais, a semear o caos. Nos braços de ferro com as administrações das EPs onde trabalham, acostumaram-se a usar como factor de pressão o desnorte da população que deixaram apeada. Este poder negocial é um luxo. Constitui uma enorme vantagem sobre todos os outros trabalhadores. Devia haver formas de o neutralizar, não só porque deixa estes trabalhadores em situação negocial privilegiada sobre todos os outros, mas também porque pode evoluir para um jogo perverso. 

Toda esta conversa vem a propósito da greve que a CP anunciou: afecta a véspera de Natal, o dia de Natal e o de Ano Novo. Datas que vão complicar a vida aos milhares de utentes que se servem do comboio nesta quadra para ir passar as festas com a família. Escolher deliberadamente este período por forma a causar o máximo de transtorno à população não é recorrer a um legítimo direito dos trabalhadores, mas sim abusar dele. Revela a mais absoluta falta de civismo e de respeito pelos utentes. Não vejo dignidade nesta escolha, por isso não posso respeitá-la. Para mim não passa de pura sacanice. 

43 comentários em “Não é greve, é abuso de poder”

  1. Bem escrito, Teresa. No meu blogue alvitrei que estes maquinistas qualquer dia são capazes de ir receber ao Totta…
    Bom fim-de-semana, bj.

    1. é sempre bom escrever,escrever,escrever mas é lamentável não se ouvir os maquinistas que certamente devem ter algo a dizer acerca deste texto……..Contra a repressão dos trabalhadores da Tracção desencadeada pelo Conselho de dministração/Gabinete das Relações Laborais da CP EPE e Administração da CP Carga, SA .Repúdio das políticas de
      desmantelamento do Caminho de Ferro e anulação dos postos de trabalho;Pelo cumprimento integral dos acordos
      em vigor, designadamente de 21 de Abril e 09 de Junho de 2011,

    2. Se a sra. Teresa axa que os dias escolhidos são apenas para penalizar os utentes, pq não ataca então o conselho de administração da CP, para não encerrar linhas e manter os postos de trabalho, que é apenas o que estes trabalhadores estão a fazer… quando se fala em fechar linhas e acabar com tantos comboios em determinadas linhas será que não estão a lutar pelos interesses tb dos utentes?…

      1. Essa é outra discussão, Manxanegra, que de resto tem sido aqui trazida com regularidade pelo meu colega de blog João Campos que vive no Alentejo e sofre na pele os efeitos dessas restrições.

  2. Não tenho qualquer simpatia por estas greves de sectores que já são previlegiados dentro das suas empresas.E já agora gostava de saber quanto nos vai custar o cancelamento da greve dos pilotos da Tap…

    Dito isto, era bom que muitas pessoas pudessem usar os comboios para irem ao Alentejo,Beira e Trás os Montes,na quadra do Natal. Já viu bem um mapa actualizado da rede da CP, no que ao interior respeita ?

    1. É uma tristeza, Fernando. Quando devíamos, por questões ambientais, apostar na ferrovia fazemos exactamente ao contrário. A TAP já desconvocou, mas só o anúncio da greve implicou um prejuízo de dez milhões. Coisa pouca.

  3. Gostaria de ver neste blogue tanto vigor na condenação do abuso de poder pela PSP na manifestação de 24 de Novembro como o demonstrado neste post. Abusos de poder há muitos.

      1. Acha que fico muito atrapalhada com a insinuação de que no Delito temos dois pesos e duas medidas? Pois desengane-se. A sua crítica não tem qualquer base de sustentação. Leia este blog regularmente e com atenção antes de se pronunciar. Veja se não nos estará a avaliar pelo seu próprio padrão de raciocínio. Acontece muito, sabe. E cheira-me que é o seu caso…

      2. Ó Pedro, o Coelho, V. mesmo acaba de fazer em dois comentários a crítica que bem entende e fê-la através deste blogue. Ainda lhe resta alguma dúvida?

        Como vê, nesta casa não cultivamos o hábito de escrever sob a batuta de quem nos visita. Falhamos certamente alguma coisa, mas o caso a que se refere ainda está a ter desenvolvimentos. O que não o impede (a si e a quem quiser) de escrever o que lhe vai na alma sem precisar de tentar dar ordens. Acalme-se, portanto.

    1. Durante anos só podíamos adivinhar, mas agora já se sabe que estes senhores são uns privilegiados comparados com a média dos trabalhadores portugueses, o que só aumenta a minha indignação.

  4. Estes “heroís dos carris” bem que merecem uma lição: – Não receberem o vencimento de Janeiro…
    99,5% da população aprovava!

    1. burros e ignorantes sempre existiram e vão continuar a existir, a greve devia ser de uma semana seguida, quanto a não pagar o salário só os pobres de espírito é que pensam que os maquinistas trabalham sem receber, pensam que já não houve requisição civil, informem-se seus ignorantes o que aconteceu na década de 80, 15 dias consecutivos sem um único comboio.

  5. e sobre a razão da greve, nada lhe interessa? fixa-se nas datas da greve e é quanto lhe basta?
    concordo que é um abuso, para com os utentes, e nem sequer estou a avaliar, de fora- porque não sou trabalhador da cp, a justeza da greve.
    mas acredito que nestas situações, em que condenamos o que quer que seja sobre greves, devemos ser claros sobre o que estamos a condenar.
    outros sectores profissionais, para além dos trabalhadores dos transportes públicos EP, utilizam a sua força e poder negociar no mesmo sentido, tais como os profissionais da educação e da saúde, para dar um exemplo.
    outros basta ameaçarem, tais como os polícias e militares.
    por isso e só por isso, não posso estar de acordo com o título do seu post: porque não dedica, no post, uma só palavra sobre o motivo da greve, seja a favor ou contra.

    1. Não falo dos motivos da greve, porque não são os motivos da greve que me levam a escrever este post, mas o critério escolhido para marcar as datas em que se vai realizar. Tão simples quanto isto.

      1. Não fala dos motivos da greve porque isso é o principal factor para esta greve. Se a greve é à semana, é porque os trabalhadores não podem ir trabalhar, se é ao domingo, são as pessoas que não podem ir passear. Esta é a 1ª greve marcada para o Natal ao fim de muitos anos. A próxima greve vai ser em Oitembro, no dia 32 para a sra.dona Teresa não ficar chateada!

          1. As massas nunca se elevam ao padrão do melhor membro. Degradam-se ao nível do pior.

  6. Uma sacanice que já dura há anos, numa empresa que tem milhões de prejuizo, parece que por causa de uns processos disciplinares é o que consta, só uma boa privatização poderá de vez resolver os problemas destes pobres trabalhadores e já agora do público em geral.

  7. Estes sindicatos dos pilotos da TAP e dos maquinistas da CP, são “sindicatos” no sentido criminoso do termo.

  8. Esta é uma greve que vai afectar os trabalhadores mais pobres. Os que não têm viatura própria. Os emigrantes. Os imigrantes. Os que não voam para destinos exóticos. Os que não passam férias “na neve”. Os que ficam sempre na gare, apeados. Num resignado silêncio.

    1. Tem toda a razão, mas desconfio que eles não ouvem. Esta gente ouve mal e, além disso, parece gente sem sentimentos.

  9. Acho imoral e desumano. Centenas de pessoas que não possuem transporte próprio e desejam juntar-se à família ficam impedidas de o fazer. A quem é dirigida esta greve? A essas pessoas? E o que dizem os srs. dirigentes sindicais, sempre tão atentos às desigualdades? Estão quedos e mudos porque além de não viajarem de transportes públicos, não dá jeito, nesta altura, grande algazarra, é que o Natal festeja-se bem quentinho, lá casa (quem pode). A forma ardilosa de como tudo isto está a ser arquitectado, reveste-se duma certa perversidade e indignidade. Só não vê quem não quer.

  10. As pessoas quando não sabem, e/ou não têm conhecimentos total dos factos… deviam manter-se caladas, e não opinar indevidamente!….

    1. Não é preciso muito para me informar de que os trabalhadores da CP com o apoio dos sindicatos marcaram o Natal e o Ano Novo para fazer greve. Mas este “pequeno detalhe” ao Zézito se calhar não interessa discutir, não é?

  11. Acho que quando o seu patrão além de lhe meter a mão e meter tudo o resto sem se queixar é que o povo anda bem aliás trabalham mais meia-hora pela boca que tem, greve para quem não sabe é direito constitucional e esta é decretada ao abrigo desse direito e dos acordos assinados pela administração pelo abuso de processos disciplinares em dia de greve após o 24 de Novembro a empresa levantou 400 processos sem razão alguma todos os que tinham serviços mínimos atribuídos cumpriram-nos. Quem não teve transporte a empresa facultou de modo a que cumprissem.
    Só espero que o povo mesquinho se lembre de revoltar quando vos meterem o braço no cu

  12. Os ferroviários sempre se habituaram a que tinham que ser intocáveis! Pois já mamaram durante muitos e bons anos! E agora apenas arranjaram esta birrinha para fazerem uma greve. Não sou contra greves, nunca fui! Sou contra birras deste tipo que apenas merecem ser tratadas na barra dos tribunais.
    Qualquer dia um deles manda um peido e vão fazer greve pq todos querem mandar peidos.

  13. Os maquinistas são aqueles tipos que recebem um subsidiozinho apenas por se apresentarem ao serviço, não é?

    Uma vez mais, quem já deve estar a preparar carreiras especiais é a Rede Expressos.

    A mim lixam-me mais uma vez, mas verdade seja dita, começo a estar habituado.

      1. Pois, eu só em último recurso. Nada contra o serviço da Rede Expressos, do qual não tenho razão de queixa alguma; simplesmente ganhei aversão a viagens de autocarro que durem mais de uma hora após ter ido a Barcelona…

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