«Os sintrenses e as sintrenses.» «Os portuenses e as portuenses.» «Os votantes e as votantes.» «Os jovens e as jovens.» Chega. Pela minha parte, candidato que recorra a estes preciosismos baratos da imensa bacoquice que inunda a política pode esquecer o meu voto. Mesmo que o substantivo tenha género: «Os cidadãos e as cidadãs.» Também é para esquecer. Mesmo que o candidato seja educado: «As eleitoras e os eleitores.» Esqueçam. Não contem comigo.
Se odeio a parolice, abomino a carneirada. Que raio de modas! Já é insuportável ouvir permanentemente estas coisas. Acabem com isso, senhores. E senhoras.

Estou contigo, João. Coisa mais irritante não há!
Haja quem me compreenda, Teresa. Já estou sem saco para isto.
Assino por baixo.
Não esperava outra coisa, James. Ainda bem.
Se não me engano quem começou com isso foi Santana Lopes…
Não sei confirmar. Mas quero crer que, se foi ele e apesar de todos os males que lhe encontro, Santana apenas usaria a fórmula no modo urbano: as senhoras primeiro.
Ó João, então não se está mesmo a ver que até ao dia 11, eles andam todos aflitinhos com a ‘Lei da Paridade’? Depois, vais ver como vão mandar a lei para um sítio que todos sabemos qual é, e a língua vai deixar de ter estes ‘tiques de género’ para voltar à ‘normalidade democrática’…
A lei da paridade? Ah, sim, aquela da ‘ménàge à trois’.
João, num post de há uns dias, falei aqui de ter ouvido o Tony Carreira, num espectáculo de feira, se despedir com «boa noite a todos e a todas». Era capaz de dar um «bom» candidato.
Já deu: candidatou-se a um dos melhores artistas portugueses de sempre e ganhou. Temos o que merecemos…
É uma coisa irritante, com efeito. Mas essa de chamar género ao sexo de cada um fica-lhe pouco atrás.
Eu também não gosto, meu caro, mas está assim consagrado: o género feminino e o género masculino. Pelos vistos, não foi nenhum de nós a decidir isso.
Por outro lado, dizer que uma palavra é do sexo feminino ou do sexo masculino convenhamos que não é muito melhor. ‘Sexo’ tem um entendimento muito mais amplo ou diverso do que ‘género’. Usar ‘sexo’ no caso em apreço requer uma frase muito mais elaborada e menos coloquial para não soar mal.
Assim, os dois parágrafos anteriores deixam o seu comentário um pouco atrás do desejável.
Exactamente, meu caro: não faria qualquer sentido dizer que uma palavra é do sexo masculino, feminino (ou neutro) porque “sexo” é uma categoria biológica e não gramatical. Do mesmo modo, não faz sentido dizer que um ser vivo é do género masculino ou feminino: “género” é uma categoria gramatical e não biológica.
O uso de “género” em vez de “sexo” não está ainda, felizmente, consagrado. Há uma tentativa de o consagrar em português, como já houve, com êxito, em inglês. Esta tentativa tem razões políticas: trata-se de fazer entrar subrepticiamente nas consciências a ideia de que todas as diferenças entre homens e mulheres, com excepção das anatómicas e hormonais mais evidentes, são construções sociais.
A razão por que se pretende promover esta ideia de forma indirecta e subreptícia é o facto de ser impossível defendê-la racionalmente com base nos factos até hoje apurados.
E isto é grave. Quando sou obrigado a declarar, num formulário online, que sou do género masculino (o sistema não me permite riscar “género” e escrever “sexo”) estou a ser obrigado a subscrever uma posição política da qual discordo totalmente e a assumir uma identidade na qual não me reconheço. Isto é duma violência extrema, tanto para os homens como para as mulheres. Não somos os seres assexuados que querem fazer de nós.
José, sendo nós da mesmíssima geração, tenho a certeza de que aprendemos o mesmo: nós somos do sexo masculino e a palavra ‘substantivo’ é do género masculino.
O resto, pelo que vejo, já triverge do discurso bacoco dos políticos bacocos, o que retira a sua provocação inicial, já que eu usei a expressão ‘género’ para os substantivos ‘cidadãos’ e ‘cidadãs’ e não para as pessoas.
Assim sendo, o que agora traz aqui é um desabafo sobre a deturpação e manipulação de ideias que nos querem impingir atabalhoadamente. E isso eu aprecio tanto como o José: nada, nem pouco mais ou menos.
Portanto, se bem entendi, estamos os dois de acordo. Afinal, não é por acaso que temos praticamente a mesma idade e aprendemos pelas mesmas cartilhas.
Interessante, o vosso diálogo. Podes acrescentar o meu acordo ao vosso nesta matéria, apesar de eu ser muuuuuuito mais nova…
😉
A tua frescura impede-me, mas tentarei acrescentar-te ao grupo…
🙂
Há pessoas do género masculino ou do género feminino, que que são (mental e até anatomicamente) do sexo feminino ou masculino respectivamente.
Sim, sim. Parece que alguns casos nem são bem anatómicos: são quase atómicos e ganham provas de velocidade em atletismo.
Tanto quanto me lembro, quem começou com esta nuance vocativa foi Balsemão. Nos seus tempos.
Confesso que caía bem à época.
Mas, João Carvalho, essa dicotomia de duvidoso gosto não será coisa pouca para aderir ou descartar um partido ou um candidato?
Estamos asssim? No aparente e acessório?
Explica-se rapidamente: as modas idiotas do linguajar são hoje insuportáveis, mas estes preciosismos mais bacocos ultrapassam as marcas. Por isso, deixa de ser aparente e acessório.
Quem não tem cabeça para ir um pouco mais longe, quem se fica pela carneirada e não dá mais, quem não se expressa por si e se fica pela cópia do pior dos outros, quem não tem imaginação para se diferenciar, quem não demonstra mais um dedo de cultura, não oferece confiança.
Será isto exigir muito? Não sei, mas não me parece. Pena é que não sejamos todos muito mais exigentes com os políticos que elegemos. O resultado está à vista, Chloé. Eu tento manter-me exigente, porque lhes pago.
Tem razão, é claro, mas se os pés de barro fossem só esses (formais)… bastavam umas liçõezitas.
Puxei pela memória. Francisco Pinto Balsemão, em definitivo. Inaugurou o ” portuguesas e portugueses”.
Mas a ordem era inversa do que a que cita, eis a diferença de intencionalidade.
Por acaso também já ouvi esse cuidadoso distintivo a Sarkozy.
No fundo, uma extensão do “minhas senhoras e meus senhores”, menos estafado.
Já o Obama não iria longe:
– americans and americans “… 🙂
Obama pode fazer como entender, porque toda a gente o trata por ‘you’. Hehe…
Pinto Balsemão, se inaugurou a coisa, fê-lo como um cavalheiro. E não me choca que isso se faça de quando em quando, numa ou noutra ciscunstância. Agora, o uso actual é uma idiotice completa.
“Minhas senhoras e meus senhores” é perfeito, perante uma audiência que o justifique. Mas no Parlamento já se vulgarizou «senhoras e senhores deputados», o que é mais uma variante idiota que fica pelo meio do caminho: ou é “senhoras deputadas e senhores deputados” ou é simplesmente “senhores deputados”, que chega e sobra.
Também não gosto. Mas tenho um problema/uma questão adicional com esta cena /este cenário. Mais ou menos há 3 anos duas colegas de trabalho /labuta foram colaborar numa equipa/num grupo que eu coordeno. Ambas com essa mania. Começaram com isso. Fiz de conta. E, como eu, todos os outros. Volta e meia ainda usam. Mas até já elas se sentem desconfortáveis.
Saudações/cumprimentos
:))))
Bem, pelo menos essas sentem-se desconfortáveis, o que quer dizer que começaram a usar um pedacinho dos miolos para rever a matéria dada. Fizessem os políticos o mesmo e outro galo cantaria.
Já viu o que se poupa não entrando no jogo? Assim o João não precisou de escrever: outro galo ou galinha cantariam….
Bea
:))))))))))))))
Muito bem observado. Hehe…
Se eu o fizesse, conceda que eu diria “outra galinha e outro galo”, como cavalheiro que sou.
Bea.
E eu, com algum desprendiento, também lhe digo que, neste caso, não vejo motivos essenciais, para sobrevalorizar a ordem dos intervenientes. A menos que entremos num formalismo semelhante …
Mas gostei da primazia dada à ga________, ou ga’ como queira….
:)))
Já nem se trata de sobrevalorizar ou não, o que implicaria pensar de antemão. Ora, como qualquer cavalheiro, a atitude que tomo é sempre espontânea.
No galinheiro, a educação e o respeito dão toda a primazia às galinhas…
E aos pintaínhos e pintaínhas eheheh
:)))))
Deve ser mesmo o único sítio onde as galinhas têm a primazia, coitadas…
Merecem bem a cortesia, taditas.
Nem comigo…., livra ! :))))
Isso mesmo, que é para aprenderem!
já agora, o que devem dizer para contar consigo? Calados? Se calhar…
Boa ideia: o calado é o melhor. A começar por si.
Boa! a questão era a sério.
Agora a sério. Você faz parte do Blog dos Marretas?
É um dos meus preferidos. Juntamente com o seu é um dos de leitura diária.
Respeitosos cumprimentos.