
Não há nacionalismo que vingue sem a vinculação emocional do povo sobre o qual incide. Não surpreende, portanto, que todos os debates sobre nacionalismos revelem uma forte carga emotiva, sendo por vezes condicionados por ela. Acontece que a emoção é má conselheira em temas políticos, pois leva a teses indefensáveis e, consequentemente, a becos sem saída. E leva também a precipitações. O Luís Menezes Leitão recebeu em ombros as alegadas declarações da Ministra da Justiça alemã, Katarina Barley, que teria afirmado que se o Supremo Tribunal espanhol não demonstrasse que Carles Puidgemont cometeu outros delitos além do de rebelião, este passaria a ser “um homem livre num país livre, quer dizer, na Alemanha“.
Acontece, porém, que a ministra em causa já falou com o seu homólogo espanhol para esclarecer o “mal-entendido”. Por sua vez, o porta-voz do Ministério da Justiça alemão, Piotr Malachowski, disse hoje em conferência de imprensa que Barley “não tomou ou vai tomar uma posição” sobre um processo judicial em curso, acrescentando que “não houve declarações autorizadas” da ministra. Acto contínuo, caso ainda houvesse dúvidas, Steffen Seibert, porta-voz do Governo de Berlim, afirmou ser convicção do Executivo que “o conflito catalão pode e deve ser resolvido dentro da estrutura da Constituição e da ordem legal espanhola”. Por outras palavras, o que estava embrulhado desembrulhou-se. O que sim continua embrulhado é contexto político catalão, que não se resolverá com seminários incendiários de barricada nem com espírito de claque. Porventura adoptar a estratégia usada por Espanha na década de 1970 para fazer uma transição “de la ley a la ley”, célebre frase de Torcuato Fernández-Miranda, não seja uma má ideia.

Para mim, são os castelhanos que estão completamente embrulhados na questão catalã…
Se um dia o playmobil for apanhado, encarcerado, até preso e decidir recorrer de um qualquer castigo, ou sanção, por rebelião, a rima não foi propositada, para o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, penso que lhe dão guia de marcha…e é uma bronca do gaspacho…sobra o quê? 75000€? Barcelona e a Catalunha valem bem mais que isso.
https://www.washingtonpost.com/world/eur ope/the-latest-prosecutors-order-release-o f-carles-puigdemont/2018/04/06/1db54d7a-3 983-11e8-af3c-2123715f78df_story.html?ut m_term=.533f57f9569c
Precipitações não houve nenhuma. O que pelos vistos está a haver é dar o dito por não dito. Mas isso em nada altera a realidade da perseguição política aos catalães. Quanto a transição, estou de acordo que seja feita, no sentido que o povo da Catalunha decidir.
Exactamente!
“No sentido que o povo da Catalunha decidir.”
Por mim, pugno pela democracia e pelo direito à auto-determinação.
Apesar de já ser um tema um pouco cansativo, veja aqui porque é absurdo falar em auto-determinação: https://politica.elpais.com/politica/20 17/09/26/actualidad/1506424550_261561.ht ml
Apesar de não duvidar que conhece os vários significados, nunca é demasiado relembrar
https://www.infopedia.pt/dicionarios/li ngua-portuguesa-aao/opressão
Desculpe, mas suspeito que o meu comentário anterior seguiu incompleto (guardei-o para voltar ao tema e ei-lo, ou melhor, eis o “o seu comentário blablabla”)
Queria eu acrescentar que, apesar do que o Direito Internacional determine, a verdade é que o Direito não é estático. E a vontade de parte dos catalães tem raízes profundas e históricas. Recusar ouvir essa parte é reprimir essa parte – que continua em maioria no Parlamento Catalão.
Dizem — sem qualquer base no pacto internacional para os direitos civis e políticos — que a autordeterminação só é válido para territórios coloniais e oprimidos. E a Catalunha não está a ser neste momento um território oprimido?
Não. Tanto assim é que, de momento, não está garantido o lugar do castelhano no ensino público na Catalunha: http://www.lavanguardia.com/politica/20 180405/442183182883/gobierno-desiste-int roducir-castellano-escuelas-catalanas-me ndez-de-vigo.html
Se isto é opressão…
A Catalunha não é Castela. Não se vê porque é que haveriam de falar castelhano. O catalão é a língua de lá e é a que deve ser ensinada. Obrigar catalães a falar castelhano é um caso típico de opressão. Foi o que a Indonésia fez em Timor-Leste quando obrigou os timorenses a façar bahasa. O governo espanhol pode ter desistido da ideia provisoriamente. Já não desistiu de outros intuitos como encerrar a delegação da Catalunha em Lisboa, que já não existe. Mas a constituição espanhola obriga todos os cidadãos de Espanha a falar castelhano, o que me parece claramente abusivo num Estado plurinacional.
Não é o que resulta das declarações do Governo alemão, Luís.
Mas foi o que disse a Ministra.
“não houve declarações autorizadas” da ministra
O que raio quererá isto, precisamente, dizer?
Será que a ministra fez aquelas afirmações em privado e que elas foram ouvidas por algum jornalista que estava à coca e as publicou?
Se não houve declarações autorizadas, então o que é que houve? Declarações não autorizadas? Frases que não são declarações? Ou nem sequer terá havido frases?
Quer dizer precisamente o que está no texto, isto é, e segundo o porta-voz do ministério, a ministra “não tomou ou vai tomar uma posição”.
fazer uma transição “de la ley a la ley”
Pois, fazer uma transição é uma excelente ideia.
Infelizmente, porém, Rajoy é um imobilista radical: não se mexe nem para cima nem para baixo, nem para a esquerda nem para a direita, pelo que não se pode contar com ele para liderar qualquer transição.
Há muito que se impõe fazer uma transição e há muito que os políticos catalães pedem que ela seja feita, mas Madrid não se move.