O Público, na edição de hoje, dedica duas páginas ao tema das nacionalizações, que voltou à agenda devido ao caso do BPN, mas também porque PCP e BE estabeleceram a nacionalização de alguns sectores como proposta nos seus programas.
A propósito do tema, Louçã refere que os lucros da EDP e da Galp seriam "suficientes para equilibrar as contas públicas num país com um défice orçamental crónico". Curioso, como é que Louçã nacionalizaria as duas empresas para que os lucros desta revertessem a favor do Estado? Não teria isso impacto negativo no défice orçamental? Se calhar teria, talvez por isso o mistério, uma vez que como conta o Público, "PCP e BE são vagos quando chamados a explicar como se desenrolariam, na prática, estes processos de indemnização". O comunista Octávio Teixeira, com alguma sinceridade, admite que "numa primeira fase" o Estado teria de recorrer ao aumento da dívida pública ou financiamento bancário. Como sabemos, problemas com endividamento excessivo é coisa que o Estado português não tem. E os juros da dívida pública não teriam qualquer impacto no défice orçamental, o tal que é crónico e Louçã pretende equilibrar. Demagogia em estado puro.

Finalmente. Por uma vez, eles começam a explicar-se. E a gente começa a confirmar que não há magos nem magias.
Explicações a conta-gotas, João. E veio uma deputada do Bloco acusar o PS de ter “um programa escondido”.
Bem, sim, mas, a prazo e visto que ambas as empresas são extremamente lucrativas e partindo do pressuposto que continuariam a ser, não seria uma medida razoável?
Não é razoável sob nenhum ponto de vista. Na próxima legislatura, dada as limitação no que toca ao endividamento, é passo certo rumo ao abismo. Noutras circunstâncias, continuaria a ser indesejável, porque a justificação da compra não pressupõe só que estas continuariam a ser lucrativas, mas sim que se tornassem ainda mais lucrativas. O que me parece bastante improvável. Basta, por exemplo, relembrar os resultados negativos que estas tinham quando estavam nas mãos do Estado. Por exemplo, o preço dos combustíveis, se a Galp fosse do Estado, o que acha que já teria acontecido ao preço destes e ao lucro da empresa? Pois…
Talvez não pensem indemnizar quem quer que seja. Que tal expropriar e pronto? É capaz de ser melhor saírmos da UE primeiro mas podemos sempre formar uma aliança com o amigo venezuelano.
É capaz de ter razão, caro José. Afinal, é dito que “Louçã recorda as nacionalizações efectuadas em França, no pós-guerra, por De Gaulle, em que não houve lugar a compensações”. Um partido que tem entre 12 a 13% dos votos seria pressionado a revelar o que pretende, especialmente quando insere um programa de nacionalizações nas suas propostas eleitorais. Mas neste país, a extrema-esquerda merece uma complacência injustificada.