Na televisão que o inventou


Pedro Correia,

Faço zappping, um pouco antes das dez da noite. Na CMTV, ouço uma voz aflautada, aos gritinhos: “É um escândalo! É um escândalo!”

Fico a perceber, pouco depois, que se trata do candidato do PSD a Loures. Mas não fala de política nem parece querer saber das autárquicas para nada. Em plena recta final da campanha eleitoral, o sujeito em causa dispõe de um tempo de antena generosíssimo para comentar futebol. Os gritinhos, fiquei também a saber depois, tinham a ver com o Sporting – alvo de estimação do cavalheiro, logo após ou imediatamente antes dos ciganos.

É intrigante que este candidato troque uma noite de campanha política, a seis dias das eleições, por um longo serão de paleio futebolístico na pantalha – o que diz quase tudo sobre o apego que sente por Loures.

Espero que no próximo domingo os eleitores deste concelho o reconduzam ao lugar que ele mais gosta. O de comentador de bola na televisão que o inventou.

15 comentários em “Na televisão que o inventou”

  1. É intrigante que este candidato troque uma noite de campanha política, a seis dias das eleições, por um longo serão de paleio futebolístico

    O candidato à Câmara do Porto Manuel Pizarro também se gabou de ter feito uma interrupção na sua campanha para ir ao Dragão na sexta à noite.

          1. Já tinha ouvido falar mas, sinceramente, cheira-me a fake polls!!! Não creio!! Seria um Porto bizarro, coisa que recuso liminarmente. Há ainda, no Porto, um capital de destreza de espírito, seriedade e interesse esclarecido que, em circunstancias normais, a todos rejeitaria (Moreira incluído). Contudo, sendo as circunstancias e os artistas o que são e o que há, não creio que a coisa fuja ao Moreira. (Repito, apesar de ser um personagem pouco interessante e sem projecto político para o Porto, ou sequer pra sua casa. Uma espécie de 2º Napoleão. Ocorre que o Pizarro é um pobre tonto, fraco, tíbio e facilmente manobrável, rodeado de deslumbrados. Tudo gente pouco recomendável) Aplica-se, sem dúvida, a doutrina Aristotélica, quase Agostina, do mal menor!!

      1. Fazer notar o carácter histriónico de um comentador de futebol é como observar que a água é molhada.
        Evocar o tema dos ciganos (para efeito jocoso?) é reconhecer implicitamente que o sujeito em causa acertou na mouche com as tiradas proferidas.
        Criticar a busca de visibilidade mediática para fins políticos só se compreende por pura irritação.
        A verdade objectiva é que ele é neste momento um dos poucos candidatos autárquicos reconhecido/identificado a nível nacional. Goste-se ou não, temos político.

    1. Esse artigo, no fundo, visa desqualificar Assunção Cristas e Teresa Leal Coelho, que na sequência imediata da entrevista criticaram o candidato do PSD e se demarcaram o mais possível dele:
      http://rr.sapo.pt/noticia/89217/cristas_sobre_andre_ventura_jamais_deixaria_que_o_cds_pudesse_ser_associado_ao_racismo
      https://sol.sapo.pt/artigo/572644/teresa-leal-coelho-repudia-declaracoes-de-andre-ventura

      Aparentemente, o signatário inclui a presidente do CDS e a vice-presidente do PSD entre os membros da “oligarquia política” que, à direita, “embora não tendo aderido ainda ao PS, já são inofensivos”.

      É também uma crítica mal disfarçada nas entrelinhas a outros articulistas do ‘Observador’. Como por exemplo o Alexandre Homem Cristo, que qualifica o candidato de Loures de um mero “oportunista” que “não tem pensamento doutrinário”, de óbvia “insignificância política” e capaz de apresentar “propostas inconsequentes” só para ganhar uns votos.
      http://observador.pt/opiniao/falar-de-andre-ventura/

  2. Um proto autarca, proto académico, comentador de bola, é um vulgar cliché!! Insólito, incomum, e digno de notícia, caro Pedro Correia, seria um proto autarca, proto académico não comentar bola! Isso sim, seria, sobremaneira, assinalável!
    Já será digno de nota, quase insólito como os insólitos e como o JPP, um tipo que caminhe sobre duas pernas que não comente bola!
    E por falar em bola, se o SCP, mais logo, jogar como jogou com o Moreirense muda aos 6 e acaba aos 12.
    E seja eu cigano se aquele Mathieu já não passou os 40!!

    1. Temos vindo a assistir a um novo fenómeno, sobre o qual os nossos intelectuais de turno tardam em reflectir, caro Justiniano: a benfiquização da política. Ei-la aí em curso.

      1. Não, caro Pedro Correia, tratam de tudo!! Então aquele Soeiro que estava de turno no Expresso. Uma patarrona de força nos mínimos de verdade e rigor intelectual que ficou encarnado, com a resposta, elevada, à SCP!!

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