O jogo para atribuição dos 3º e 4º lugares (JATEQL) é um aspecto curioso dos mundiais. Existirá provavelmente apenas para “encher chouriços”, vender mais uns bilhetes e aumentar o custo dos direitos televisivos. Nalguns países chamam-lhe “jogo de consolação”, noutros “pequena final”. Regra geral as equipas que o jogam têm muito pouca vontade de o fazer. Depois de perderem 7-1 (Brasil) ou nos penaltis (Holanda), acredito que haja pouca vontade de adiar as férias.
Por outro lado é muitas vezes dos jogos mais interessantes que se podem ver num mundial. Depois das fases de grupos, as equipas tendem a fechar-se mais (um golo significa muitas vezes a eliminação) e os jogos tornam-se menos interessantes. No JATEQL as selecções não têm nada de especial a perder, pelo que decidem jogar com suplentes não utilizados. Estes, podendo finalmente jogar pela primeira vez no mundial, esforçam-se mais que os titulares e dentro de uma certa liberdade táctica que acaba por lhes ser concedida pelos treinadores. O resultado acaba por ser normalmente um jogo interessante.
Claro que o elemento de motivação continuará a ser importante. A equipa mais motivada ganha quase sempre. Quando ambas estão igualmente motivadas então ganha aquela que, no papel, é melhor. Entre o jogo do Brasil e Holanda ficará por saber se Scolari deixará os suplentes jogar e em que estado anímico estes estarão. Dos holandeses não espero muito entusiasmo. Estarão já a pensar nas férias e na final que não atingiram. Os brasileiros poderão muito bem ter um apoio completo do público e embarcar para uma vitória.
Não creio que as tácticas venham a ser muito importantes, especialmente se jogadores menos utilizados jogarem de início. Terão obviamente importância, mas apenas relativa. A motivação decidirá mais. E aqui, repito, vejo o Brasil a ter vantagem. Afinal de contas, ainda estão em casa.
