José Sócrates confidenciou ao DN, em entrevista hoje publicada, a sua convicção de que os mercados retomarão gradualmente a confiança em Portugal. E disse ainda que “o nosso problema é apenas um problema orçamental que temos de corrigir, tal como outros países têm”. O Primeiro-Ministro revela que não percebe nada do que se está a passar. Ou, pior do que isso, está mais uma vez a demitir-se da sua responsabilidade directa no empobrecimento do país. Sem entrar no debate sobre a necessidade de intervenção do FMI em Portugal, situação que Sócrates mais uma vez negou na entrevista, o certo é que as taxas de juro que o Estado português está a pagar para se financiar nos mercados têm consequências imediatas sobre o crescimento económico do país. E, com isso, como é evidente, entre outras consequências, com a capacidade de se gerar emprego. Estamos perante um círculo vicioso em que o risco soberano condiciona o crescimento e o crescimento impacta no risco soberano. Independentemente da confirmação de cenários mais negros, o que nos espera são anos de crescimento anémico (ou pior do que isso) e insuficiente para fazer face aos compromissos da dívida e de estabilização da taxa de desemprego (ou pior do que isso). Está é a verdade que devia ser transmitida aos portugueses: a correr bem, nos próximos anos estaremos a cada passo um pouco mais pobres e teremos a situação social um pouco mais degradada. Muito mal já está feito, embora Sócrates consiga fazer ainda pior. E, se a incompetência é criticável, o facto de Sócrates continuar a branquear a realidade é bem pior. O país precisa de dirigentes credíveis e dispensa detergentes políticos.
Muito mal já está feito
Rui Rocha,

” O país precisade dirigentes crediveis e dispensa detergentespoliticos”
Concordo inteiramente com esta sua frase, mas não existem em Portugal dirigentes crediveis.
Qualquer nome (dos actuais lideres politicos) que possam colocar em cima da mesa, não fará mais que submeter-se aos lobies instalados.
O meu falecido pai dizia ser melhor o mau conhecido do que o bom por conhecer. Mas, estes são tão maus que o risco de piorar não é por aí além, naõ acha LMD.
Você diz: “…são tão maus que o risco de piorar não é por aí além…”.
Contra factos não há argumentos, o problema é que quem entrar, limitar-se-á a mudar as moscas e a seguir o mesmo rumo, ou seja proteger os interesses instalados em primeiro, de preferencia os de gente da cor, depois talvez, mas só talvez se pense no bem comum.
Isto é a prática comum em todos os partidos sem excepções
Percebo a sua desilusão, LMD. Mas, vamos fazer o quê? Resignarmo-nos? A democracia não é também a possibilidade de renovarmos a esperança escolhendo outras soluções?
Não liguei ao link constante do post. Não li a entrevista (ignoro o DN, o JN e a TSF do amigo Joaquim…). Tenho estado a mudar de canal de TV sempre que sou ameaçado com declarações do entrevistado.
E tudo isto porque, para mim, a única hipótese de Portugal começar a sonhar com o futuro é ver-se livre do gajo. Estou fartíssima dele, mas acho que nem com fortes doses de dundum desaparece. Arre, que já é de mais!
O dundum é bem lembrado, Ana. Mas lá que o moscardo é resistente, lá isso…
É curioso: um dos maiores críticos actuais do primeiro-ministro é Luís Campos e Cunha, precisamente o homem que Sócrates escolheu para seu primeiro ministro das Finanças. Dá que pensar.