
– Já viste que tempo estúpido, este que faz?
– O ser humano é muito inconstante, bolas! Passo o raio do Verão todo a queixar-me do tempo, e porque está quente, e porque tenho afrontamentos, e porque não aguento, e porque suo como um cavalo, e porque raios partam a porcaria do calor, e porque nunca mais acaba esta bodega e vem o frio… sim, porque o frio é bom e sempre se controla o frio com a roupa, enquanto o calor é incontrolavelmente sufocante e não dá para andar nua. Ainda matava alguém do coração e nunca me almejei serial killer…
– Então não me dizes porque é que tenho os ossos húmidos, os olhos fechados de inchados que estão e o nariz a pingar? Então não é o frio que é 5 estrelas? Parece-me é que já não sei bem o que é que quero!
– Sabes, duma coisa tenho a certeza: sou seguramente uma reclamante profissional. Passo a vida a reclamar de tudo e de todos. Passo a vida a reclamar da própria vida e nunca estou satisfeita com coisa alguma. Reclamo do tempo, do trabalho, das pessoas, do governo, da casa, dos gatos, dos achaques da idade, do barulho, do silêncio, reclamo porque sim, reclamo porque não, reclamo porque… reclamo.
– Tu sabes bem, passas tempo suficiente comigo para me conheceres de ginjeira… sabes que eu sou assim, só desabafos, muita parra e pouca uva, fogo de vista, muito barulho por nada…
– Achas que estou a ficar uma chata?… É que por vezes dou pelos meus interlocutores a responderem-me com monossílabos ou simplesmente sons… Sintomático, não achas? Penso que me estou a tornar na minha Mãe muito mais depressa do que gostaria… Não me interpretes mal! A Mãe era uma querida, adorá-la-ei sempre, mas era tão chatinha. Olhando bem p’ra mim, que não devo estar muito aquém! Provavelmente já há quem se benza quando me telefona e reza para que a seca seja levezinha…
– Amiguinho, tem lá paciência, mas uma pessoa tem dias (até tem muitos) em que está um bocado desanimada e precisa de desabafar. És um bom ouvinte, eu sei. É por isso que falo tanto contigo… nunca me fica aquele amargo de boca, aquela sensação desagradável de quem esteve horas a fio a falar para o boneco.

Onde é que eu vi isto? Ah, era a bola com quem o Tom Hanks monologava na sua ilha deserta!
Sabe JJ, a minha mãe era uma senhora com um senso de humor muito subtil. Dizia ela que eu me estava a tornar uma rezingona e para não ter que ficar a falar sozinha, ofereceu-me um Wilson.
Um Wilson Gillete?
Quem fala com mortos são a/os mediums, eu só falo para o boneco.
Isso é que é uma mulher de barba rija!
Não sei qual a sua ideia, mas Wilson Gillette não inventou a “lâmina de barbear”
Ná, não consigo.
Sim eu vejo a FOX todos os dias, vejo as explicações todas, mas não vou lá.
Vá desembuche qual é o Género?
É do género redondo.
Eu diria que a tal bola da ilha é uma bola básica.
Uma base-ball.
Nem mais, Pedro, nem mais
o mundo não tem conserto ou ‘quem nasce torto, tarde ou nunca se endireita’
faço o que posso e me apetece.
dizia Jânio Quadros «fi-lo porque qui-lo!»
[:)
anda super inspirada , os seus post são tão sorridentes , adoro.
Ainda bem! Rir faz dormir melhor. Obrigada
Reclamar é bom porque evita úlceras 😉
Alivia o stress