Momento umbiguista


Ana Vidal,

 

Desculpem o narcisismo, mas não resisto a partilhar aqui uma boa notícia: o destaque, no Jornal de Letras, de um livro que publiquei no Brasil recentemente e tenho lutado para trazer também para o mercado português. Parece-me que consegui, finalmente. Chama-se “A Poesia é para Comer”.

Passou despercebido, mas o livro que o presidente da Câmara do Comércio do Brasil ofereceu a Aníbal Cavaco Silva, em março do ano passado, durante a visita oficial a Portugal da Chefe de Estado brasileira, Dilma Rousseff, tinha a marca de um grupo editorial português agora a atuar no outro lado do Atlântico, a Babel. Provavelmente, foi uma boa forma de abrir o apetite a futuros negócios entre os dois países, na medida em que não só se afigurava como mais um exemplo do intercâmbio económico em curso, como a obra tinha o sugestivo título de Poesia é para comer. No interior, a seleção de poemas de Ana Vidal era acompanhada por receitas de alguns dos mais conceituados chefs portugueses e brasileiros, em autênticas iguarias para o corpo e para o espírito. Não se sabe se este livro deixou o Presidente da República com água na boca, mas para Nuno Barros, administrador do Grupo Babel, criado por Paulo Teixeira Pinto, foi um “sinal” do “prestígio” que a aposta no Brasil já conquistou. 

O resto do artigo do JL aqui.

27 comentários em “Momento umbiguista”

    1. O resumo não é o seu forte, c. Não há receitas de bolo-rei e a ortografia respeita rigorosamente as diferenças linguísticas dos vários países lusófonos. Os textos portugueses estão no português pré-acordo, o que não é pouco para um livro publicado com o apoio do MINC. Isso, sim, foi emocionante. Fiz uma única concessão: a palavra “seleção”, na capa. Ah, e até hoje não sei se Cavaco Silva gostou do presente ou não.

  1. tenho lutado para trazer também para o mercado português

    Por que é que é preciso lutar? Por que é que, estando os livros publicados, disponíveis no Brasil, não basta metê-los num barco e trazê-los para Portugal e colocá-los à venda cá? Quais são os obstáculos?

    1. Basta, diz o Luís Lavoura, “metê-los num barco e trazê-los para Portugal e colocá-los à venda cá”. Se fosse assim tão simples e sem custos (não sugere que os traga a nado, quais Lusíadas, pois não?) já cá estariam cá há muito tempo. Os obstáculos são os óbvios:
      1. O mercado português não é minimamente atractivo por comparação com o brasileiro, muito maior e com maior poder de compra. Além de que a actual situação económica de Portugal não ajuda, como pode imaginar, e este é um livro necessariamente caro.
      2. O transporte dos livros não é barato e o esforço financeiro parece inútil à editora, estando o livro a vender bem no Brasil.
      3. A minha vontade de trazer o livro para Portugal (e para os outros países lusófonos, porque todos eles estão lá representados) não tem nada que ver com razões comerciais. E essas são as que mais interessam à editora, como se compreende.

      Por isso falo em luta, e no prazer que me dá ter conseguido ganhar esta difícil batalha. Esclarecido?

      1. “Perguntar não ofende”, diz-se, mas, não sei por quê, a Ana parece ter ficado ofendida, ou zangada, por eu ter feito umas perguntas triviais.
        De qualquer forma, agradeço a resposta.
        Se o livro é caro, então o acréscimo de preço resultante do transporte por barco deve ser relativamente pequeno. Não acredito que custe mais do que um ou dois euros por livro o transporte – o que, ao preço a que se vendem livros em Portugal, é uma ninharia.
        Ademais, o mercado português, embora muito pequeno, sustenta um número impressionante de edições. São publicados imensos livros em Portugal. Não deve ser um mercado tão pequeno assim.

        1. Luís, parece que estamos destinados a não nos entendermos. Não fiquei ofendida nem zangada, apenas ironizei porque as suas perguntas “triviais” têm uma resposta tão óbvia que era desnecessária.
          O facto de serem publicados muitos títulos em Portugal – o número é completamente desporporcionado com as estatísticas de leitura no país – não significa que se vendam à mesma velocidade. A maioria dos livros passa quase directamente para um sono eterno nos armazéns das editoras, ou para a simples destruição, sem ter sequer tido tempo para se dar a conhecer.
          Além disso, vá lá dizer a uma editora com um livro a vender bem num mercado enorme e promissor, que dois euros por livro em transportes para um mercado falido é um bom investimento. E depois conte-me a resposta que teve.

          1. Eu posso ser muito estúpido, mas aquilo que é óbvio para si não o é para mim.

            Eu pensava que houvesse umas proibições legais quaisquer que impedissem livros publicados no Brasil de serem vendidos em Portugal, e vice-versa. Pelos vistos, não é assim.

            A maioria dos livros passa quase directamente para um sono eterno nos armazéns das editoras, ou para a simples destruição, sem ter sequer tido tempo para se dar a conhecer.
            Que estranho. Se é para isso, para que é que os publicam? Publicam coisas para depois as destruir?

          2. Você não é estúpido, Luís, é só do contra.
            E sim, parece que publicamos para destruir. Os portugueses são uns seres misteriosos.

  2. Corria o Natal de 2006 e eu via a minha parca estante enriquecida com um livro destes (versão “antiga”) autografado. Desde aí tenho engordado e gosto mais de poesia.
    Parabéns, vizinha, pelo livro (versão “nova”) e pela referência merecida no Jornal de Letras.
    Quanto à impressão que terá deixado no Cavaco Silva, só me ocorre pensar que ele estará a fazer contas ao custo dos pratos, dado que a pensão dele é mais parca do que a minha estante.

    1. Viva, querido vizinho! Long time no see…
      Fique sabendo que é para mim uma honra ter o meu livro na sua luxuosa estante, tu-cá-tu-lá com os mestres que a habitam. E gosto muito de saber que ele o tem entusiasmado a palmilhar os árduos caminhos da poesia. Quanto aos efeitos colaterais, gordura é formosura!
      Mas tem de ver esta nova versão, ficou catita. Ah, e eu não alimento grandes ilusões sobre o impacto do livro no nosso ilustre apreciador de bolo-rei… 🙂
      Beijos

  3. acho isto tudo muito lindo mas a verdade é que, até hoje, não provámos nada. ler receitas com poesia é muito bonito, e até dá para comer como dizia a natália, mas não enche o bucho. queremos provar!
    parabéns, ana!

    1. Roubei o título à Natália, Fátima, tinha de me redimir… O livro deu muito trabalho, mas foi um enorme prazer coligir tudo isto. Sem falsas modéstias, estou contente com o resultado.

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