A minha memória é caprichosa, não se deixa enganar ou seduzir pelas minhas instruções. Guarda o que lhe apetece, algumas vezes em segredo, muitas vezes contra a minha vontade. É ela, não eu, que escolhe o que me faz regressar ao ouvir o primeiro acorde ou ao ver primeira imagem. Esta é uma série que lhe é dedicada. Não à minha memória, que não merece, mas ao sítio para onde regresso quando lhe obedeço.
AMN Memória (1)
Adolfo Mesquita Nunes,

Hey, let’s be careful out there.
nem mais! 8zQ
http://www.youtube.com/watch?v=T2QApwtE
Uma série inesquecível. Permanece na memória de muitos de nós.
Bastam os primeiros acordes, logo os primeiros, e volto muito muito atrás. Vejo-me numa sala, que parecia enorme, tudo escuro a acomodar a luz brilhante que vinha da tv, porque o meu pai adorava ver sem luz, e o meu pai no sofá a ver isto!
Ora aqui está uma série para avós, pais, filhos e netos. Marcou-me a mim e marcou-te a ti. Bonito, num tempo em que quase nada deixa marca!
Deixar, deixa. Bastantes. Por norma (muito) penosas…
Costa
Caro Costa
Marcas deixa. Mas eu falei de “marca”. Ou seja daquilo que lembramos com satisfação.
Marcou-me de facto Helena. Tanto que foi com esta música que inaugurei esta série. Mas eram outros tempos, com muito menos que ver e que fazer, em que as famílias viam todas o mesmo programa…
Não perdia um único episódio. Grande série. E é giro isso que dizes: bastam os primeiros acordes de uma banda sonora (nem precisa de imagens) para nos fazer regressar no tempo a um determinado cenário. Comigo é igual, há sempre uma música qualquer a servir de “etiqueta” aos momentos marcantes da minha vida.
E por melhores que sejam os momentos, é sempre triste, não é? É uma tristeza inofensiva, pelo menos para mim, mas não deixa de ser triste voltar atrás, mesmo que seja para recordar o que é bom, e mesmo que esse bom ainda se mantenha.
Música, desempenho, era tudo excelente. E as personagens não eram unidimensionais. Tinham vida privada, personalidades definidas. A partir de Hill Street Blues nunca mais nada foi como antes.
Mais do que isso, as personagens não eram tipos ou arquétipos. Eram elas, apenas.
Uma memória que está sempre presente porque o Joe Spano ainda se vê por aí, por exemplo no NCIS. Sempre que aparece é automático: Hill Street.