Modo de Vida (23)


Adolfo Mesquita Nunes,

Uma casa vazia não me desafia. Fecho a porta sem sequer perder tempo a imaginar o que poderia fazer com e naquele espaço. O mesmo se passa com uma página em branco. Se a encontro em branco, em branco fica sem que me ocorra qualquer coisa de consistente para a preencher. Mas tudo muda se naquela casa, ou naquela página, existirem vestígios de ocupação. Um candeeiro ou um primeiro parágrafo podem, esses sim, convocar-me ao desafio.

Não sei se esta circunstância tem algum nome, daqueles nomes que hoje se dão a tudo e a nada para descrever tudo e nada. Mas deve ter um nome qualquer, a dar para o patológico. Se esta circunstância estivesse em branco e por classificar eu nem sequer me interessaria por ela. 

13 comentários em “Modo de Vida (23)”

  1. Ao contrário de ti, “Afonso”, uma casa vazia para mim é um desafio irresistível. Imagino imediatamente o que lhe poria dentro, com objectos, cores e recantos que a transformassem na “minha casa”. Mas prefiro sempre casas velhas, restauradas ou a precisar de obras. Nesse sentido dou-te razão, são casas que já foram vividas por alguém. 🙂

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