Modo de Vida (19)


Adolfo Mesquita Nunes,

 

Não custa perceber que uma canção (ou um artista ou um livro ou um quadro, não interessa agora) tenha a capacidade de se colar a nós até a fazermos nossa. O que custa a aceitar é que a vida seja pequena demais (ou circunstancial em demasia, vá) para nos deixar descobrir todas, ou pelo menos algumas, dessas canções. Quantas aí estão, escondidas num álbum qualquer, tão nossas, sem que sequer saibamos da sua existência? Esta, por exemplo, que vos deixo porque o senhor vai estar em Sintra já depois de amanhã, chegou até mim pelo acaso que reservamos à ficção; não esperou anos para vir até mim mas todos os anos que esperasse teriam sido perdidos.

3 comentários em “Modo de Vida (19)”

    1. Desde criança que me enerva a possibilidade de estar a passar ao lado dessas obras de arte. Por exemplo, em miúdo, quando escolhia um livro da enorme estante que os meus avós tinham, pensava que podia estar a fazer uma escolha radical, a pegar numa mediania e a deixar ao lado a obra que mudaria a minha vida. Multiplicando isto por todos os livros do mundo, e aqueles escritos que ainda não foram publicados, podes bem imaginar até onde leva esta neurose 🙂

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