Ter um olfacto, como dizer?, quase inexistente pode ser uma bênção numa ou outra circunstância, mas fico sempre com a sensação de que boa parte da vida me passa ao lado. Não teria essa sensação se o olfacto estivesse completamente desligado, mas não está. Há cheiros, poucos, que sinto com intensidade (e segundo sei nem sequer serão cheiros especialmente fortes quando comparados com outros que me passam ao lado).

E são esses poucos, com as sensações raras que me permitem, que me deixam a pensar no tanto que não vivo. Se o Verão me é trazido pelo cheiro das alfarrobeiras, se a frescura me é recordada pelo limão, se o amor dos meus avós me é lembrado pelo cheiro dos bolos no forno, quanto não me está a ser roubado pela insensibilidade olfactiva? Ou talvez não. Talvez esta minha incapacidade me ofereça a vantagem de ter os cheiros, poucos é certo, como parte importante da minha geografia sentimental.

Ao contrário de ti, tenho faro de perdigueira, Adolfo, e isso não me dá descanso. Nenhum.
Giro é quando alguém, vá, se descuida, e todos comentam o cheiro. Como eu digo sempre ‘a mim não me cheira a nada’, fico com fama de porco.
Credo.
Eu falava mais assim do cheiro do Verão quando abro a janela de manhã.
não creio que haja essa relação.
eu tb tenho um olfacto quase inexistente e nem por isso acho que tenha os cheiros como parte importante da geografia sentimental.
mas isso agora…já vai de cada um.
a propósito, as suas intervenções, nomeadamente ontem( isto de ter insónias e ver a AR TV tb tem o seu quê de positivo) têm-se pautado pela diferença(positiva), assertividade, ideologia(liberal, penso, ou perto)… Continue assim que é gente dessa que o país precisa como deputados.
As insónias são de facto um tormento. Espero que não tenham passado só porque me esteve a ouvir! 🙂
Muito obrigado!
Não concebo o mundo sem cheiros ( e só penso nos bons… claro 🙂 O aroma é o elemento chave de quase tudo na vida… e fica-me para sempre. Aliás, tenho o feio e péssimo hábito de cheirar as coisas, lol! É mais importante do que os sabores e mais do que os sons (exceptuando a música), porque também não tenho ouvido de tísica. Pronto, está dito, os cheiros são os meus sensores de memória, que activam o alarme quando menos espero. Puro Proust. Não pela literatice, mas porque a coisa funciona mesmo como ele descreve.
O que significa, Laura, que vivemos numa dimensão diferente!