o certo é que basta um caso destes para pôr em causa todas as teorias sobre coma, morte cerebral, irreversibilidade clínica, etc. De vez em quando, é bom que alguém nos lembre de que não somos deuses.
o certo é que basta um caso destes para pôr em causa todas as teorias sobre coma, morte cerebral, irreversibilidade clínica, etc. De vez em quando, é bom que alguém nos lembre de que não somos deuses.
Também li. De facto, põe tudo em causa.
Fica tudo em aberto de novo, não é?
“Any sufficiently advanced technology is indistinguishable from magic.”
A.C. Clarke
Isto também se aplica aos fenómenos pouco compreendidos, como este.
Magia, tecnologia ou transcendência, gostava de saber o que aconteceria se tivessem mesmo desligado a máquina. Provavelmente ele teria despertado na mesma, mas só se fosse antes de lhe terem retirado os órgãos…
Ana,
isto é que se pode chamar de verdadeiro milagre. Quando a medicina já nada mais pode fazer, vem qualquer “coisa” que coloca todos os preceitos médicos em causa. Obrigado pela partilha.
Não sei se é milagre, caro José, mas sei que dá que pensar. A medicina está sempre a ser posta em causa, até por si própria. Desligar uma máquina é um acto que envolve uma responsabilidade enorme.
A maior certeza é que não há certezas.
A medicina deve ser a mais empírica das ciências… O discurso dos práticos e dos investigadores é todo ele baseado em afirmações que, quando bem lidas, só permitem tirar conclusões sobre probabilidade, tendência, maiorias percentuais, etc. É gente teimosa, que não tem certezas e sabe que nada sabe…
Mas como é também das ciências que mais depressa avança, a uma velocidade impressionante, o que se diz hoje pode muito bem não ser válido daqui por 6 meses. O ‘estado da arte’ médica nunca pára: há um subterrâneo imparável de estudos clínicos, investigação laboratorial, pesquisa farmacológica… eu sei lá. E parte dela feita ao pé da nossa porta.
Ora que boa dica para falar de eutanásia, Pedro. Mas prometo que não vou falar…
Laura, porque não falar de eutanásia? Eu, que concordo com ela em situações muito claras, começo a pôr em dúvida tudo isso perante um caso destes. É uma lição, não há dúvida.
É o que ocorre imediatamente, não é? Acho que vou mesmo falar de eutanásia, que é um tema que me é muito ‘caro’ (se se pode dizer tal coisa de um semelhante impasse). Mas aí no andar de cima, sai um post um dia destes 🙂
Porque é precisamente por estas razões, que todos os clínicos atentos e cultos conhecem desde sempre, que nada que mexa com a vida pode arvorar-se a ser definitivo e desistente.
Isso mesmo, Pedro. A vida humana é ainda um mistério.
O incómodo que isto me causou, Ana.
A mim também. Fiquei impressionada porque ele não só saiu do coma, como anda, raciocina e fala. Tudo isto depois de declarada a morte cerebral…
Não sabemos tudo.
Sabemos muito pouco, e é bom termos essa noção.