![image_content_7330443_20171019093609[1].jpg image_content_7330443_20171019093609[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2017/20710346_J9lZJ.jpeg)
Reparem neste mapa da pretensa República Catalã posto a circular em panfletos de um movimento espanhofóbico: engloba não apenas a Catalunha mas toda a Comunidade Valenciana e o arquipélago das Baleares.
Como já escrevi aqui muito antes de surgirem legiões de tudólogos a palrar sobre o tema nas pantalhas, como se percebessem alguma coisa do assunto, para os nacionalistas mais fanáticos – que têm comandado a deriva separatista em Barcelona, cada vez mais desligados da realidade – as fronteiras do “país catalão” ultrapassam largamente as da actual região autónoma. Estes micro-imperialistas, no seu delírio, sonham com uma “grande Catalunha livre”, que integre o arquipélago das Baleares, parte do País Valenciano, uma parcela oriental do território aragonês, Andorra, a Alta Sardenha e o departamento francês dos Pirenéus Orientais, onde se integra o Rossilhão. Tudo em nome de pretensos direitos históricos, mais que contestáveis.
Para azar destes aprendizes de feiticeiro e da sua cartilha incendiária, é muito mais fácil desenhar mapas do que forjar independências, com ou sem aspas. Como a comunidade internacional lhes tem demonstrado por estes dias.
ADENDA: Separatistas, ma non troppo: os 17 deputados e 16 senadores dos dois partidos catalães pró-independência vão manter os assentos nos dois órgãos legislativos em Madrid, onde recebem, em média, 4.685 euros mensais.

O cartaz refere-se a uma manifestação de protesto por duas pessoas estarem em prisão preventiva por delito de sedição, apenas por terem liderado uma manifestação pacífica no passado dia 20 de Setembro contra a intervenção policial na Catalunha. Estão neste momento presos sem julgamento nem fiança apenas por causa das suas convicções, um verdadeiro delito de opinião. Isso é o que me parece mais relevante nesse cartaz, não o mapa que nele se desenha.
Esse caso está confiado à justiça espanhola – órgão independente do poder político, de resto, como em Portugal.
Para mim, o relevante não é a equiparação da Espanha a um estado policial, cheio de tropas de capacete e baionetas – algo próprio do imaginário da extrema-esquerda que ainda supõe que Franco governa em Madrid.
O relevante é mesmo o mapa: engole as províncias da Comunidade Valenciana e as ilhas Baleares, como se fossem território catalão.
Não tomemos a árvore pela floresta
Diga isso ao Harry Potter de Girona.
Esse caso está confiado à justiça espanhola – órgão independente do poder político
Sim, mas a atividade da justiça, bem como a do Ministério Público, também pode ser criticada, mesmo sendo eles independentes dos governos.
No caso de Espanha, o governo até se tem portado menos mal. Já a polícia espanhola portou-se muito mal a 1 de outubro e o Ministério Público espanhol portou-se muito mal ao aprisionar os Jordis. E o Tribunal constitucional espanhol também tem exibido uma falta de sensatez a toda a prova.
Em democracia há que cumprir as decisões judiciais. Ponto final.
E não só, engole também a “Catalunya del Nord”, onde uns nacionalistas mais excitados se entretêm a imaginar que vão receber a sede do Govern do dito Harry Potter no exílio. Como se os franceses permitissem.
Pois, lá está também a pretensa “Catalunha do Norte”. E Andorra também foi engolida.
First we take the neighbours, then we take the world.
Se não tivesse o assunto a gravidade que creio que tem, podia ser considerado até piada de antologia.
Parece a fábula da formiga que sonha ser elefante.
“Como já escrevi aqui muito antes de surgirem legiões de tudólogos a palrar sobre o tema nas pantalhas, como se percebessem alguma coisa do assunto”
“fanáticos”
Cheira-me a fanático! Ou sou só eu?
Trate dessa rinopatia.
preparem-se para devolver os Mirós
devem aceitar o domínio português por causa dos descendentes de D. João I
É preciso ter cuidado. Se não devolvermos os Mirós eles ainda anexam o Algarve.
Que mais seria de esperar de uns indivíduos que chamam ao Mediterrâneo o “Mar Catalão”?
Por mais que a realidade se lhes enfie pelos olhos dentro, ele há gente que ainda não compreendeu que todo o nacionalismo mais não é do que o vistoso embrulho do imperialismo que não tarda.
Concretizemos: os bons dos Curdos iraquianos trataram de desarmar e deixar nas mãos do Estado Islâmico os Yazidis e os Cristãos Assírios para que, na volta da maré, pudessem ocupar as suas terras (gentilmente “limpas” pelos não menos gentis jihadistas wahabitas), as quais, lembre-se, nunca foram curdas. “Imperialismo”? Não: é só o legítimo exercício de autodeterminação dos “oprimidos” da pós-verdade que, não menos legitimamente, sacodem o jugo dos “opressores” feitos à medida pelo seu pós-verdadeiro discurso.
É só dar uma internética voltinha pela ideologia do atual independentismo catalão para ouvir o sibilar da víbora sob a pele de cordeirinho. O sibilar da mesma víbora que já sibilou – e mordeu, matando – no “independente” Curdistão iraquiano.
Têm a mania que são o povo eleito da Península Ibérica. Mais próximos dos franceses, mais próximos da Europa, mais cultos e mais letrados…
Isto explica, em grande parte, por que motivo querem quebrar os laços políticos com Espanha. Total falta de solidariedade com as regiões mais pobres e deprimidas do país.
Se o Cervantes era catalão, se o “Siglo de Oro” foi um conseguimento catalão, se Santa Teresa de Ávila não era de Ávila, mas sim de Girona, se Cristóvão Colombo catalão era, se Américo Vespuccio era, afinal, o muitíssimo catalão Ameriol Vespuig, não serão o pastel de Belém e a alheira de Mirandela geniais invenções culinárias catalãs?
Cuidado, que eles – aqueles que acham que a Península ainda será uma imensa Catalunha – “andem” aí…
Se a megalomania matasse, os líderes separatistas já estavam deitados na quinta das tabuletas.
Toda essa faixa territorial é por onde passa, ou passará, o gasoduto Midcat, capaz de sustentar metade do consumo de gás na Europa.
(Pesquisem imagens do projeto do gasoduto Midcat)
Não acompanho esses negócios, mas parece-me que a França manifesta desinteresse por esse mesmo gasoduto e só não se opõe a ele abertamente por o mesmo ser do interesse de grande parte da UE.
A minha pergunta é:
– Quanto vale a segurança energética da UE – o suficiente para produzir uma crise separatista?
A segurança energética da UE vale muito. E diz-nos respeito a todos.
Sim, mas acontece que com respeito a esse valor eu não consigo imaginar nada em concreto.
Será suficiente para justificar uma separação desta dimensão?
(Coincidência ou não, a construção do gasoduto Midcat encontra-se parada algures na Catalunha)
Se o Pedro quer falar dos “nacionalistas mais fanáticos”, então não fale apenas dos catalães, fale também dos espanhóis. É que os “nacionalistas mais fanáticos” espanhóis também querem coisas deveras horríveis, tanto em relação à Catalunha como em relação ao País Vasco (que alguns consideram “cancros” que devem ser “extirpados” de Espanha).
Não sei do que está a falar.
Para avaliar da letal perigosidade de um cancro, ele há que fazer uma biopsia. No caso do nacionalismo independentista vasco não há biopsia melhor do que dar uma vista de olhos aos escritos do pai do “moderno” nacionalismo vasco, o Sr. Sabino Arana.