Angela Merkel perdeu hoje em três frentes.
Na frente externa, o seu mais fiel parceiro europeu – Nicolas Sarkozy – foi derrotado por François Hollande nas presidenciais francesas. E a Grécia sai das urnas ainda mais fragmentada e ainda mais ingovernável, com um expressivo voto de protesto que penaliza as duas maiores forças políticas pró-europeias e rejeita novas medidas de austeridade impostas por Berlim.
Na frente interna, a chanceler alemã vê a União Democrata-Cristã recuar nas eleições estaduais de Schleswig-Holstein, onde o seu parceiro de coligação se afunda. Depois das derrotas na Renânia do Norte-Vestefália, Hamburgo, Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Baden-Vutemberga.
São sinais reveladores. Que devem ser lidos com atenção. Em todas as capitais da União Europeia, onde as forças extremistas, nacionalistas e populistas vão ganhando terreno. Não só em Atenas, não só em Paris. Por uma espécie de lenta implosão das famílias políticas tradicionais, incapazes de escutar a voz da rua.
Sinais que devem fazer meditar seriamente os políticos com responsabilidades governativas. Para que a união não se transforme em desunião e o sonho europeu não naufrague. Só ele possibilitou a paz prolongada na Europa, de longe o continente com maiores cicatrizes de guerra. Como a História nos ensina.
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Suspeito que o “sonho europeu” naufragou em Nov de 1989 – e se afundou, em definitivo, em Nov ( diabo de mês…) de 2008.
Suspeitas de quem, na ausência de sonhos, tenha pesadelos…
Não tenho a menor dúvida de que haverá uma recomposição política na Europa – resta ver até que ponto. Não propriamente pela eleição presidencial francesa, onde se verifica uma lógica de normalidade na lógica do rotativismo partidário: há 24 anos que os socialistas não venciam uma corrida ao Eliseu. Mas pela fulgurante ascensão das forças anti-Bruxelas, em nome do combate à austeridade, do reforço da coesão nacional e da recuperação da soberania orçamental entre outros motivos conjugados em sucessivos votos de protesto (acabando os fortíssimo índices de abstenção na Grécia por funcionar também como expressão de protesto cívico).
A Europa Romântica nesta fase 8 que está a acabar fez de conta que não existem monstros, depois de 8 teremos o 80…e como Romântica que é não sabe viver sem guerra pois é um dos extremos do Romantismo, o outro extremo é a negação e depressão. Por isso é que as suas políticas não são sustentáveis como num país que só faz relógios de cuco* e não tem Leonardo como a Suíça e ao contrário tem sempre políticas sempre populistas. Há sempre um grande plano. Depois do Colonialismo em África tivemos o Colonialismo Europeísta…
Durante séculos habituou-se a que o relógio volta ao zero de 50 em 50 anos para destruir a dívida criada durante esses 50 anos…Se tivesse havido guerra nesta ultima década, as fronteiras teriam mudado uns quilómetros e os países estariam agora a reconstruir-se com grande crescimento económico – claro que isto é só recuperar a riqueza destruída mas como a maioria pensa que 1% de crescimento e 5% de défice existe crescimento real logo seria bom não?…
E uns milhões de mortos que nunca são incluídos na queda do PIB apesar da sabedoria e know how que tinham: quantos génios morreram na I e II Guerra?
Também não interessa, a escola publica está cá para os destruir.
*Eu sei que o relógio de cuco é da Alemanha… http://www.youtube.com/watch?v=dv1QDlWbS 8g
O seu pessimismo militante afinal não é absoluto: sobra-lhe a Suíça como modelo, se bem inferi das suas linhas. Infelizmente a pequena Suíça não pode servir de padrão à gigantesca e assimétrica Europa. Essa seria a solução perfeita. Mas é tão perfeita quanto inexequível.
O meu elogio à Suíça limita-se a não terem ilusões, grandes planos para mudar a natureza das coisas.
É um elogio justo e merecido.
Eu diria em 3 frentes e uma atrás:
Josef Seguro…. ( o indomável)
por seguro!
As presidenciais francesas repõem um pouco o desequilíbrio da balança política na União Europeia, onde os socialistas tinham sido praticamente varridos do poder. Em França, por exemplo, não venciam uma eleição desde 1988. Ainda havia muro em Berlim…
Mas ainda faltam as legislativas de Junho.
É verdade…
A UE começou a desequilibara-se com as saída de cena de Zapatero e Sócrates!
E Schroeder. E Brown. E derrotas socialistas e social-democratas na Hungria, Finlândia, Holanda, Suécia… A Europa funciona melhor com dois eixos do que com um eixo só.