Merkel, a incompreendida


enlil,

caspar david friedrich, 1818.jpg 

Caspar David Friedrich

“Wanderer über dem Nebelmeer”, 1817

 

Por esta altura já deveríamos ter percebido qual é o verdadeiro dilema da sra. Merkel.

Decalcada de todos os ministros que vêem o seu governo a dançar com a crise, a principal preocupação da Chanceler é a saúde do sistema financeiro do seu país. “Sistema financeiro” costuma chamar-se, em linguagem de leigo, “bancos”.

Ora preocupar-se mais com os bancos do que com a qualidade de vida da sua classe média, faz com que esta considere que Merkel tenha as prioridades trocadas.

Será esta a primeira razão da sua impopularidade entre os eleitores alemães.

Sucede que estar preocupada com os bancos, implica andar angustiada com o estado de solvência dos devedores. Se estes não pagam, a banca alemã, que tão diligentemente investiu as poupanças dos clientes alemães na compra de dívida soberana de Portugal, Grécia e Espanha, estremece e corre o risco de cair. Isto quer dizer que um escriturário de Hamburgo, um operário de Dortmund, um comerciante de Dresden ou um professor de Munique, cidadãos esforçados e probos, ao ligarem a televisão, são capazes de ver a sra. Merkel mais tempo a falar de Portugal, da Grécia e da Espanha, do que dos problemas que realmente os afectam.

Este interesse pela crise nos países estrangeiros, a ocupar a atenção que devia ser prestada às questões nacionais, é, com toda a probabilidade, a segunda razão por que Merkel é crescentemente impopular no seu país.

Os alemães são egoístas? Não, estão perplexos. Tanto como estariam os portugueses se um grande banco português tivesse investido o aforro dos seus clientes na Guiné-Bissau e agora andasse ó mãe, ó mãe, com a dívida daquele país, e o governo português muito focado nos problemas internos da Guiné-Bissau. Nós não somos como a Guiné-Bissau? Pois não, ela não está no Euro.

6 comentários em “Merkel, a incompreendida”

  1. Quer dizer que, no seu entender, a dívida pública portuguesa, à banca alemã, anda a tirar o sono à Merkel?
    Desculpe, mas não acredito. Acredito, isso sim, que aquela senhora fará tudo para ganhar eleições e que, se o povo alemão não concordar com mais apoios a Portugal, ela tudo fará para lhe agradar, pouco se importando com a dívida de Portugal quer, aliás, não passa de uma gota de água, relativamente ao resto.

    1. Em relação à sua pergunta, creio que sim. mas como todas as crenças e opiniões é discutível.
      Em relação à sua afirmação, pode ser que seja. É obrigação de um governante eleito, defender os interesses dos seus cidadãos. Na Alemanha ou em qualquer outro país.

  2. É facto JNA!

    Merkel ainda vai tendo algum tino; mas no final, a Europa perde.

    Continente sem indústria capaz de aguentar o estado social comilão?

    Uma sociedade envelhecida, … , sem perspectivas de futuro, porque no imediato residia a “ordre de vivre”.

    …mas a vida é bela. O mundo é de todos, e todos são chamados a reinventá-lo: milhões de seres humanos estão a melhorar as condições de vida. Noutro lugar que não … na Europa.

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