Memórias de Dona Teresa


Cristina Torrão,

Estamos em tempo de Feira do Livro de Lisboa. Poucos momentos haverá, em Portugal, em que se vendam tantos livros (talvez este seja mesmo único). Aproveito, assim, para fazer um pouco de publicidade ao meu romance histórico sobre Dona Teresa, já que muito poucos sabem da sua existência.

Os leitores deste blogue que ficaram curiosos podem perguntar pelas “Memórias de Dona Teresa” nos Pavilhões onde se encontra representada a distribuidora Companhia das Artes (Pavilhões A45-A47). E não se deixem desencorajar, se quem lá estiver a servir o público diga que não conhece o livro. Insistam para que o procurem!

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«Fernando [Peres de Trava] possuía o condão de me fazer acreditar que podíamos desafiar as leis mais sagradas, como se possuíssemos feitiço que nos permitia inverter o mundo e nos fosse possível caminhar sobre o tecto, enquanto todos os outros continuavam agarrados ao chão, o que nos dava a embriagante sensação de sermos os únicos sábios num mundo de ignorantes.»

0 comentários em “Memórias de Dona Teresa”

  1. Ontem estive lá (na Feira) e só da Isabel Stilwell vi uma data de romances (julgo eu) aparentemente similares, sobre diversas rainhas de Portugal. Fora os de outras autoras, que também haverá.
    Pergunto, que terá o romance da Cristina de melhor (ou diferente) que os das outras?
    Isto de romances históricos em geral, e romances escritos por mulheres sobre mulheres, é um género literário que está em alta!

    1. «de melhor ou de diferente que os das outras»? – Não me atrevo a responder, até porque teria de conhecer todos os romances «das outras» (não conheço o romance sobre D. Teresa de Isabel Stilwell, mas, por acaso, gostaria de ler). E, mesmo que conhecesse, não seria de bom tom.

      A minha esperança, caro Luís, é tão-só conseguir despertar a curiosidade em alguns leitores deste tão lido e apreciado blogue. Até porque, ao contrário dos livros da autora referida, o meu não se encontra em exposição em lado nenhum.
      Claro que também se pode dar o contrário: resolverem não comprar o livro por não apreciarem o que aqui escrevo.

      1. ao contrário dos livros da autora referida, o meu não se encontra em exposição em lado nenhum

        É verdade, nunca vi o seu livro em lado nenhum.
        É verdade, já vi os livros de Isabel Stilwell em montes de escaparates. Devem vender como milho, até porque ela é bem conhecida como (ex-)jornalista, colaboradora de Eduardo Sá na Antena 1, e sei lá que mais.

        1. O meu livro só se encontra à venda em algumas livrarias independentes. Talvez se encontre na Ferin, ou na Culsete, em Setúbal. Digo isto, porque sei que a minha editora tem relações com essas livrarias, mas não posso garantir.

          Está seguramente disponível online na wook.pt, na bertrand.pt e na loja virtual da editora: http://poetica-livros.com/loja/

    2. Lavoura eu cultivo aquele meu âmago prenhe de rusticidade, acarinho a ideia de que nele me realizo. Mas, caramba, você faz-me sentir um menino. Pois é de uma rudez tamanha que, se silvestre, é doentia.

      1. Eu não sou rude, jpt. Não insulto ninguém, não menosprezo ninguém. Sou apenas direto e objetivo. (Questão de deformação profissional, talvez.)
        Não maltratei a Cristina. Perguntei-lhe em que é que ela me podia recomendar o seu livro como sendo melhor do que os de outras. erguntar não ofende. E disse a verdade, que livros deste tipo há, atualmente, muitos.
        (Vivendo na Alemanha, como eu já vivi, a Cristina deve estar habituada a pessoas bem mais brutas que eu.)

        1. “Isto de romances históricos em geral, e romances escritos por mulheres sobre mulheres, é um género literário que está em alta!”

          A sério?!!

          Até houve uma, Hilary Mantel, que granjeou dois prémios, só para “homens”( Prémio Man Booker – 2009 e 2012)

          Como toda a gente sabe Walter Scott chamava-se Suzete do Reno.

          E depois essa do “ser directo”. É muito frequente o “português” confundir a sinceridade, com a má educação, caracteristca, esta, muito pouco “alemã”. Talvez daí os “portugueses” não se darem muito bem na Alemanha.

          1. Sim, é verdade que os alemães costumam ser muito mais directos, o que pode ser confundido com rudeza ou brutalidade, da nossa parte, quando não estamos habituados. Somos muito de “paninhos quentes” e salamaleques e eu própria tive algumas dificuldades, no início.

            Também podem ser “brutos”, ou “rudes”, sim, mas depende muito das circunstâncias, ou das perguntas.

        2. Não Lavoura, você até se pode imaginar assim, “directo” e “objectivo” mas não é, e este seu comentário, despropositado no tom, é disso prova mais do que suficiente – nem é “directo” nem é “objectivo”. Tem um problema de atitude, e “rude” será uma forma doce de o dizer. Tem um problema grave de atitude mesmo, não só é desagradável como desconsidera injustificadamente. Acampa aqui (e porventura noutros blogs) e ao longo de anos reproduz, e até incrementa, essa pose. E é tratado pelos bloguistas da casa com muitíssimo mais consideração do que aquela que vai expressando nos comentários. Se gosta tanto de aqui vir, ler e comentar, que o faz quotidianamente, trate as pessoas com um mínimo de elegância. Mesmo que discordante, que não são aplausos o que lhe convoco.

    3. Poças! Isso é que é brilhar pela deselegância, sobremaneira agravada por imerecida.
      Conheço as obras da Cristina, – algumas, – e posso assegurar que é uma narradora do romance histórico por excelência.
      Uma contadora nata num descritivo de belíssima prosa romântica apaixonadamente narrada.
      Por que não lê, ao invés de indelicadamente perguntar?
      Leia e faça por si a comparabilidade.
      Particularmente pelo que da Cristina li, recomendo vivamente a sua leitura.

      1. Por que não lê

        Porque o tempo e a vontade para ler são, na minha idade, muito escassos, e portanto têm que ser muito seletivamente aproveitados.

        1. Sinceramente, Luís Lavoura.
          Raramente ou quase nunca a resposta me tolhe, mas acho que consigo não vale a pena.
          Contudo, deixo-lhe uma ideia, se quiser nela ponderar.
          Nunca a verbalização agressiva suavizou a vida de ninguém.

  2. Bom dia, Cristina Torrão.
    A minha curiosidade sobre a senhora, enquanto escritora, ficou agradavelmente surpreendida, muito por alto, com o excelente romance histórico, “A Moura e o Cruzado”, vencedor do concurso literário em 2007, que me encantou sobremaneira.
    De si li e tenho “Memórias de Dona Teresa” “A Cruz de Esmeraldas” e “D. Diniz a quem Chamaram Lavrador”, tudo excelentes obras narradas num descritivo de belíssima prosa lírica que nos aprisiona desde a primeira letra.
    Recomendo vivamente a leitura das suas obras, que são apaixonantes.
    Votos de um excelente feriado.

    1. Agora, o Corvo surpreendeu-me. Muito obrigada pelas suas palavras!

      E, já agora, que conhece outros livros meus, talvez não seja demais dizer que usei um estilo de escrita diferente neste sobre Dona Teresa. Só para o avisar, caso decida ler este também.

      1. Nada tem de surpreendente, foi mero acaso
        Passo a explicar.
        Não soube do primeiro concurso literário mas tive conhecimento do segundo, no momento que eu resolvera escrever um livro com pretensão a romance. Pelo menos a intenção foi romanesca, tipo , essas coisas 🙂
        Dada a dificuldade em editar um romance de autor desconhecido pelas editoras, e não querendo publicação de autor, pensei que era uma excelente ideia apresentá-lo a concurso, o que, obviamente seria uma péssima ideia e a sorte veio ao meu encontro. Não o terminei a tempo, e ainda bem pois não teria hipótese com o seu a julgamento. Acabaria por o editar pela Pé de Página Editores
        Segui o concurso atentamente e quando a Cristina foi declarada vencedora, adquiri o seu romance e maravilhei-me.
        Depois foi só segui-la através das suas publicações e deliciar-me.
        A senhora é uma escritora nata. Aconselho vivamente as suas obras.
        Continuação de um excelente feriado.

        1. Muito me conta, caro Corvo.

          Quanto a mim, foi bom ter ganho o concurso, mas não me adiantou por aí além. Continuo a não ter acesso às editoras conhecidas. A seguir ao concurso, consegui editar dois romances históricos numa editora que até tinha algum nome, mas que estava à beira da falência (só vim a saber depois) e deixou muitas dívidas. Agora, estou ligada a uma editora pequena e praticamente desconhecida. Mas, pelo menos, honesta.

          Aceito que haja muitos escritores melhores do que eu, mas também é verdade que há muitos piores que até conseguem editar nessas chamadas grandes, com direito a muita publicidade.

          Enfim, não quero transformar este comentário num muro de lamentações. A realidade é o que é. Só quis partilhar um pouco da minha experiência consigo e mostrar que, muitas vezes, esperamos demasiado de certas circunstâncias. Os concursos (pelo menos, a maior parte deles) são bons para nos confirmarem o talento, mas estão longe de abrirem certas portas.

          1. Continuo a não ter acesso às editoras conhecidas.

            Como é que esse “acesso” se adquire, Cristina?

            Eu não sei como é. (Até hoje só escrevi um livro, e não foi para uma editora portuguesa.) Eu julgava que se enviasse um livro para a editora, o editor o lesse, e depois decidisse publicar ou não publicar, consoante a qualidade do livro e a sua adequação aos objetivos da editora. Ou seja, que, em princípio, o acesso fosse livre – bastasse enviar o livro.

          2. Como é que esse acesso se adquire?
            De várias maneiras. Uma delas pode eventualmente ser o talento raro. Mas só mesmo uma, entre muitas! Não vou, porém, entrar por esse caminho, pois não estou em posição de falar sobre isso (é uma luta desigual).

            «Eu julgava que se enviasse um livro para a editora, o editor o lesse…» – o problema começa logo aqui: as editoras não lêem praticamente nada que não lhes seja recomendado. Dito isto, não vale a pena avançar.

          3. Parece-me eminentemente razoável que, tendo os editores potencialmente montes de coisas para ler, se restrinjam a ler (e publicar) aquilo que lhes é recomendado por pessoas já conhecidas no milieu.

            Mas questiono, a Cristina não consegue arranjar pessoas com acesso às editoras que se dêem ao trabalho de ler as coisas que escreve e, eventualmente, recomendá-las para publicação a um editora?

            Se a Cristina escreve, ao que diz o Corvo, muito bem, então deveria haver alguém que fosse capaz de a recomendar, não?

          4. Luís Lavoura, constatei que o livro em que foi co-autor é científico. Escrever ficção é um pouco diferente.

            Mas fico-me por aqui, nada mais direi, em público, sobre o assunto.

          5. Caro Luís Lavoura.
            Esse acesso às editoras adquire-se pelo que vende; ou seja; ou por nome de autor conhecido, ou, por exemplo, não sendo autor reconhecido seja alguém que tenha participado no Big Brother, Casa dos Segredos, ou Top Love Mais.
            Isso é sucesso garantido, ainda que o contexto da obra seja tipo, “Tás a ver, meu? Topas?”
            Não há donas joaquinas desta vida que não o compre
            Quanto ao seu livro, na aceitada probabilidade de que não tenha tido dificuldade na edição da obra, tal não se deverá, eventualmente, ao singelo facto da obra não ser totalmente sua e dever-se a sua publicação, talvez, aos senhores Gustavo Castelo Branco e João Paulo Silva?

          6. Editam-se em Portugal tantos livros, muitos deles com tiragens bem pequenas, que tenho fortes dúvidas que todos eles sejam de autores famosos.
            Quanto ao meu livro, eu só referi muito de raspão ter escrito um livro e ele não ter sido editado em Portugal. Não pretendo estar a discutir aqui de que forma é que ele foi editado, porque não tem nada a ver.

          1. Boa tarde; Cristina.
            O meu livro, aliás dois, com o devido pedido de desculpa aos autores do Blog pela inserção de publicidade própria num espaço que não é meu, intitulam-se “O Perfume da Savana” e “A Mulher do Capitão” Que terei todo o gosto, se a senhora quiser fazer o favor de aceitar, oferecer-lhos.
            Depois não escrevi mais. Quer dizer; escrevi mais dois mas não os mostrei a ninguém, pela dificuldade minha e sua conhecida, de levá-los à publicação.
            Guardo esses dois comigo, nem sei bem porquê, e limitei-me a uns contos que publiquei no meu blog quando estava em actividade.

            PS: com o mesmo prazer estendo a oferta dos meus livros ao Vorph, que tirando a prolixidade de linkes a atazanarem a paciência do mais santo, até parece ser um gajo porreiro.

          2. Não precisa dar-se a esse trabalho, senhora.
            Eu envio-lhe um mail, a senhora diz para onde o enviar, meto-o no correio e está feito.
            Já enviei alguns e seguem sempre sem problemas.
            Os meus cumprimentos.

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